mai 24 2017

EDITORIAL – UM MATA, O OUTRO ESFOLA!

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UM MATA, O OUTRO ESFOLA!

Observar a Praça Porto Rocha, de diferentes ângulos é um bom exercício para conhecer Cabo Frio. Nela transita gente de todos os bairros e das cidades da Região dos Lagos, portanto, a praça é heterogênea por excelência, abraçando pessoas de diferentes lugares.

A Praça Porto Rocha é ponto tradicional, incorporado à alma do município. É parte importante de sua história, e sem ela é impossível entender a cidade. O que ela guarda? Grande parte do espírito do cabofriense está vivo ali.

A compreensão do que a praça central e histórica de Cabo Frio representa faz aumentar a repulsa aos governos dos últimos vinte anos. Como dois cabofrienses que dizem da “boca pra fora”, que amam sua cidade, puderam maltratar tanto a Praça Porto Rocha?

Marquinhos deixou pra última hora, uma reforma ridícula, a um custo absurdo e entregou uma obra, que a população unânime rejeita pelo mau gosto e inadequação do equipamento urbano. Alair entrou e durante quatro anos assistiu, sem mover “uma palha”, a degradação e destruição da praça mais importante de Cabo Frio: está toda quebrada!

Como esses prefeitinhos ainda tem a coragem de dizer que amam Cabo Frio? Um mata, o outro esfola!

 


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mai 24 2017

A CRISE!

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mai 24 2017

RABUGENTO QUER DIRETAS JÁ!

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15 segundos de fama!

O vereador Rafael Peçanha (PDT) está apanhando na mídia de um auxiliar do “velho morubixaba”. Pode ser um “pau mandado” em busca de notoriedade. Não se deve dar confiança. É tudo o que o cara quer!

Efeito Barroso/Weber

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As “paredes murmurantes” do Palácio Tiradentes anotam a permanência da inquietude no Governo Marquinhos Mendes (PMDB), em relação à situação jurídica do prefeito. Por conta disso o governo não consegue deslanchar, mesmo tendo apenas dois vereadores na bancada de oposição.

Maluf dançou!

A condenação e perda de mandato do deputado Paulo Salim Maluf (PP-SP), determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por fatos anteriores aos de Marquinhos Mendes (PMDB) é um mau presságio, digamos assim, para o prefeito de Cabo Frio.

Diretas Já!

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O deputado Janio Mendes (PDT) está engajado diretamente na campanha das “Diretas Já” e ao mesmo tempo bloquear a renovação automática da concessão da Via Lagos. Janio quer a redução das tarifas, consideradas absurdas, como aconteceu na Ponte Rio-Niterói.

Boqueirão/Boca da Barra

Após ter conseguido a dragagem da área do Boqueirão e contribuído para a melhoria considerável da qualidade das águas da Laguna de Araruama, o deputado Janio Mendes (PDT) quer conseguir a dragagem da Boca da Barra.

Chico & Francisco

Apesar de saber da importância da dragagem, conseguida pelo deputado Janio Mendes (PDT), para a renovação da laguna a coordenadoria municipal do meio ambiente de Cabo Frio se mantém caladinha para não incomodar o governo municipal: “o que bate em Chico, bate em Francisco”. Não é?

Extrema direita

A paciência para vasculhar com atenção e cuidado as redes sociais da Internet, especialmente o Facebook, permite dizer que a extrema-direita em Cabo Frio é bem mais gorda e cínica do que a princípio pode se imaginar. Gente “da melhor qualidade”, que a luz do sol defende os ideais democráticos ou mesmo levantam bandeiras de diferentes segmentos, é apanhada concordando, curtindo e compartilhando ideias nazifascistas. É de espantar!

Judas sem Semana Santa

O grupo político-familiar dos Bentos depois de anos e mais anos fazendo política em Cabo Frio, finalmente descobriu a Prolagos e faz campanha pesada contra a empresa. A concessionária não é lá um modelo de atuação, até porque é um monopólio privado, mas virou “Judas” em campanha de reeleição.

Terra arrasada

Existe um discurso azeitado pelo grupo político de Marquinhos Mendes (PMDB) para jogar nas costas de Alair Corrêa (PP) todas as culpas dos desmandos do seu governo. É uma jogada, super manjada, de escolher o adversário que quer enfrentar. É tudo combinado pra não deixar mais ninguém entrar no jogo.

Status quo

Alair fazia o mesmo com Marquinhos e os respectivos grupos políticos são orientados para fazer a mesma coisa. Tudo é arranjado. Tudo é combinado. Quem não se enquadra e busca outros caminhos políticos e ideológicos é perseguido. É inadmissível mexer no “status quo”!

Questão de valor!

Basta ver as instalações do Museu do Surf, na orla da Praia do Forte e comparar com as acanhadas instalações da Biblioteca Walter Nogueira, na Avenida América Central, em São Cristovão, para se ter a noção do que representa para Marquinhos Mendes (PMDB) uma biblioteca.

Leonardo X Vivique

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Marquinhos Mendes (PMDB) prometeu ao presidente da Assembleia Legislativa Jorge Picciani apoiar a reeleição do seu rebento Leonardo a câmara federal. Problema! Carlos Victor, o “grande irmão” também quer.

Caverna de Platão

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Debate político acirrado travaram, no Café per Tutti, o professor José Américo Trindade (Babade), o economista Cláudio Leitão e o cineasta José Sette. As bravatas chegaram até a “Caverna de Platão”, onde apesar da gritaria, permaneceu entocado o nobre paulistano Luiz Carlos Barros.


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mai 24 2017

EXPLORAÇÃO MINERAL DE AREIA E UM MEIO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO: É POSSÍVEL CONCILIAR? Mario Flavio Moreira (*)

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EXPLORAÇÃO MINERAL DE AREIA E UM MEIO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO: É POSSÍVEL CONCILIAR?

Mario Flavio Moreira (*)

A mineração é considerada um dos setores básicos da economia no Brasil. A atividade minerária fornece matéria-prima para a indústria, sendo que vários produtos, desde os mais simples aos mais complexos, têm origem mineral. Os produtos mais minerados no Brasil, em volume e especialmente nos municípios de Araruama, Cabo Frio e São Pedro da Aldeia, localizados na Região dos Lagos do Estado do Rio de Janeiro, são a areia e a pedra britada. As atividades de extração de areia são de grande importância para o desenvolvimento social, mas igualmente responsáveis por impactos ambientais negativos, alguns inclusive irreversíveis. Em virtude da rigidez locacional, o minerador de areia está obrigado a minerar onde há a ocorrência do mineral que constantemente localiza-se próximo a fundo de vales e aos rios, coincidindo muitas vezes com as matas ciliares, consideradas Áreas de Preservação Permanente. Por fatores mercadológicos, em que o transporte corresponde a cerca de 1/3 a 2/3 do preço final do produto, a produção de areia impõe sua atuação próxima dos centros consumidores caracterizando-se como uma atividade típica em áreas o mais próximo possível dos centros de consumo (centros urbanos na sua maioria), o que potencializa situações de conflito entre a mineração de areia e o uso urbano do espaço, ocasionando outro impacto negativo visível que é a transformação do local minerado, e a consequente perda de identidade entre as pessoas e o lugar devido, principalmente, a poluição proveniente de entulhos e os constantes ruídos na área, além do excessivo trafego de carretas carregadas de areia com aproximadamente 60 toneladas, transitando diurnamente nas estradas vicinais e nas rodovias estaduais, tem sido um grande impacto para o meio ambiente e, sobretudo para a população residente no entorno, como vem acontecendo no município de Cabo Frio. À extração de areia, pressupõe-se a necessidade de licenciamento ambiental, que fica vinculada a determinadas leis e definições. De acordo com o art. 2°, I, da Lei Complementar 140/11, denomina-se licenciamento ambiental “o procedimento administrativo destinado a licenciar atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental”. Do mesmo modo, o art. 225, §1°, IV da Constituição Federal dispõe acerca da exigência de estudo prévio de impacto ambiental, em obras ou atividades potencialmente causadoras de significativa degradação do meio ambiente. Já a avaliação ambiental pode ser entendida como “o processo que permite ao órgão ambiental conhecer e ponderar sobre os efeitos de uma dada intervenção humana no equilíbrio ambiental”. Sendo assim, o licenciamento ambiental é uma obrigação legal prévia à instalação de qualquer empreendimento ou atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente e suas principais diretrizes estão expressas na Lei n. 6.938/81, nas Resoluções Conama nº 001/86 e nº 237/97, Constituição Federal e na Lei Complementar nº 140/2011. Veja-se que além dos referidos instrumentos legais que estabeleceram competência para a União licenciar, ainda estabeleceram para os Estados (art. 10, da Lei n. 6.938/81) e os municípios (art. 6° da Resolução Conama 237/97), sendo que o §1° do art. 12, da Lei Complementar 140/2011 trata do ente federativo responsável pelo licenciamento de atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, e para autorização de supressão e manejo de vegetação em áreas protegidas. Entretanto, apesar dos mecanismos legais estabelecerem a necessidade de licenciamento ambiental para atividades como a exploração de areia em áreas protegidas, o índice de clandestinidade é significativo e preocupante. Com isso, os impactos ambientais provocados são grandes e descontrolados, capazes de causar a degradação de ambientes com delicado equilíbrio ecológico (dunas e manguezais) e alterar canais naturais de rios e os aspectos paisagísticos. Nesse contexto, embora a extração mineral de areia seja essencial no panorama socioeconômico do País, faz-se necessária a busca de aperfeiçoamentos para a extração desses materiais de forma a se conseguir uma integração, sem ferir a paisagem e o meio ambiente, de maneira a minimizar os impactos ambientais. A areia possui vasta utilidade na vida moderna, incluindo, em seus principais usos, os agregados para a construção civil. Assim como a pedra britada, a areia caracteriza-se por grandes volumes produzidos relativamente ao consumo de outros materiais. Segundo Drew et al. (2002, p. 1) , “excetuando-se os combustíveis fósseis, os agregados minerais possuem a mercadoria mais valiosa no mundo e a vida moderna sem esses recursos é inimaginável” (tradução nossa). Nesse aspecto, sustentar uma economia em desenvolvimento requer um volumoso uso de agregados minerais. Grande parcela de atividades humanas (comerciais, de lazer, etc.) é transacionada em instalações construídas a partir de agregados minerais de areia, todavia, a mineração de areia geralmente ocorre em áreas protegidas, consideradas de preservação permanente. Ribeiro e Mendes (2013, p. 29) explicam que a atividade de mineração “contribui sobremaneira para a degradação das áreas pela movimentação de grandes volumes de terra, suprimindo a vegetação, afugentando a fauna, modificando a topografia e destruindo a paisagem”. Nesse sentido, é possível vislumbrar a ocorrência da atividade minerária em Áreas de Preservação Permanente, entretanto, deverão ser observados os preceitos estabelecidos na lei de uso e ocupação do solo, planos diretores e leis orgânicas dos municípios e ainda na Lei n. 12.651/12 (Nova Lei Florestal) e na Lei Complementar n. 140/11, relativa ao licenciamento ambiental. A mineração de areia, embora necessária, altera a paisagem do lugar minerado e degrada o meio ambiente e, nesse passo, é imprescindível a busca de aperfeiçoamentos para extração desses materiais, cuja importância econômica e social é indiscutível, de forma a se conseguir uma integração, sem ferir a paisagem e o meio ambiente. Vale ressaltar que, em cumprimento à função socioambiental da propriedade, caso o minerador venha causar desmatamento em Área de Preservação Permanente, ficará obrigado a recompor a área de vegetação, independentemente da sanção criminal.

(*) Biólogo e Consultor Ambiental.

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mai 24 2017

PALESTRA: COMO PREPARAR UMA LANCHEIRA SAUDÁVEL.

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PALESTRA: COMO PREPARAR UMA LANCHEIRA SAUDÁVEL.

Criança bem alimentada tem energia na medida certa e não fica doente com frequência.

Alimentação na primeira infância é fundamental para o desenvolvimento físico e emocional. A alimentação desbalanceada pode dificultar o sono, a concentração e o aprendizado. Afinal, o que colocar na lancheira? Você sabe ler rótulos para fazer melhores escolhas? A palestra gratuita “Lancheira Saudável”, em parceria com o Espaço Aldeia Viva, vai ensinar como montar lanches saudáveis, práticos e que cabem na correria do dia-a-dia. Será no dia 24 de maio (quarta), às 18 horas no espaço de eventos do Cereall Gourmet, em Cabo Frio.

A Terapeuta Naturalista Mondriam Mageswki e a mãe coruja vegetariana Paloma Heringer vão abordar: comida de verdade, alegria e sabor, variedade e quantidade, escolhas inteligentes de industrializados, e equilíbrio e vitalidade. Apaixonadas por alimentação saudável, elas são responsáveis pela cozinha da escola livre Espaço Aldeia Viva, em Cabo Frio, onde se divertem preparando cardápios e cozinhando para a criançada.

A participação é gratuita, mas pede-se a colaboração de um quilo de ração (para cão ou gato). Todo material arrecadado será doado para a Superintendência de Proteção dos Animais de Cabo Frio, que mantém diversos projetos sociais. O espaço de eventos do Cereall fica à Rua José Bonifácio, 28, Centro, Cabo Frio.

Vídeo com as palestrantes disponível no: https://www.youtube.com/watch?v=Vj60Q_ZY5Zc


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mai 24 2017

WORKSHOP GRATUITO DE ARGILA MEDICINAL EM CABO FRIO

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Da terra viemos e dela vivemos. Nossos antepassados sempre souberam utilizar os recursos que a terra fornecia. A argila medicinal é um laboratório de vida. Ela refresca, desinflama, descongestiona, purifica, cicatriza, absorve e acalma. Pode-se usar a argila medicinal em uso interno e externo. Aprender a utilizar esse potencial é voltar as nossas origens. A Terapeuta Holística Ana Thereza vai realizar o workshop gratuito de “Argila Medicinal” no espaço Cereall Gourmet, no dia 27 de maio, às 17 horas. A argila absorve as impurezas e até substâncias tóxicas. No conteúdo do workshop: breve histórico da argila, propriedades curativas da argila, dicas para manter sua pele saudável e aplicação de máscara facial rejuvenescedora. Escritos antigos, anteriores a era cristã, mencionam o uso da terra de “Lemnos” para fins de cura. O naturalista romano Plínio consagrou um capítulo da sua “História Natural” ao tema. Durante a 1ª Guerra Mundial, soldados russos recebiam dos seus comandantes 200gr de argila. Os nossos índios utilizam a argila como medicamento para picadas de cobra, o veneno sai, não incha e a dor é eliminada em poucos instantes. O workshop de “Argila Medicinal” é gratuito, mas pede-se a colaboração de um quilo de ração (para cão ou gato). Todo material arrecadado será doado para a Superintendência de Proteção dos Animais de Cabo Frio, que mantém diversos projetos sociais. O espaço de eventos do Cereall fica à Rua José Bonifácio, 28, Centro, Cabo Frio, telefone (22) 2629-6739.


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mai 24 2017

QUEM MORRE DESCANSA – Nelson Rodrigues

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QUEM MORRE DESCANSA

Nelson Rodrigues

Ela batia à máquina quando Norberto apareceu. Fez a pergunta: — Pode-se bater um papinho contigo? — Quando? — Depois do serviço? — OK. E onde? Ele vacilou: “Olha, eu te espero naquele bar da esquina”. Julinha, com o coração disparado, balbuciou: “Eu estarei lá. Batata”. E não trabalhou mais direito. Findo o expediente, correu no reservado das moças, e espiou-se no espelho; retocou a pintura dos lábios e passou pó no nariz; muito lustroso. Norberto a esperava, num canto do bar, com uma garrafa na frente. Deu-lhe a cadeira e requisitou o garçom. Perguntou à pequena: — Você toma o quê? Julinha, que não estava passando bem do estômago, pediu: — “Água tônica”. Enquanto o garçom ia e vinha, Norberto foi direto ao assunto: — “Você sabe, não sabe, que eu sou casado?”. Suspirou: — Sei. E ele: — Muito bem. Sabe, também, que eu gosto muito de você? Disse que não tinha certeza, mas desconfiava. Ele insistiu: — “Pois gosto e muito, mais do que você pensa”. E, súbito, fez-lhe a pergunta que a surpreendeu e deixou sem fala: — “Quer casar comigo?”.

A Esposa

Durante alguns momentos, ela não soube o que dizer, não soube o que pensar. Balbuciou:

— Quer dizer, queria. Mas como? E sua mulher? Mas Norberto estava preparado para a pergunta: — “O negócio é o seguinte, meu anjo: minha mulher está muito mal”. E era verdade. A mulher de Norberto era muito franzina, um peito cavado, asmática, tinha uma vida de sacrifício. No inverno, pagava todos os pecados, qualquer resfriado bobo a deixava sem ar e tinha sufocações tremendas. Vivia em casa, estiolando-se, cada dia pior. Há coisa de oito meses, fizera uma radiografia do estômago. Constatara-se a úlcera; e, depois, uma do pulmão que revelara a tuberculose. Chocada com essas variedades de doenças, de provações, Julinha deixou escapar a exclamação: — “Que horror!”. Norberto prosseguiu:

— Queres ver uma coisa? Hoje eu a deixei pondo sangue pela boca. E não se sabe se a hemorragia é da úlcera do estômago ou do pulmão. — Coitada! — O médico já avisou que ela não dura muito. Uns três ou quatro meses. E talvez morra antes, de um colapso. Uma calamidade. Mas o que eu queria te dizer era o seguinte: tu gostas de mim e eu de ti; e te dou minha palavra que, logo que possa, me casarei contigo. Tu esperas? Julinha ergueu o rosto e disse, com muita doçura: — Espero.

O Outro

A partir de então, sua vida foi uma espera de todos os dias, horas e minutos. Havia no escritório um outro companheiro interessado em conquistá-la. Era o Queiroz. Tomara-se de amores pela menina e, muito obstinado, não a deixava em paz. Não fosse a súbita declaração de Norberto, que ela preferia, e talvez tivesse admitido um namoro, a título experimental, com o Queiroz. Mas Norberto, vendo o assédio do outro, se antecipara. E, no dia seguinte, quando o Queiroz reiterou um antigo convite para um “cineminha”, a garota pôs as cartas na mesa: — Tem santíssima paciência, mas não pode ser. Eu gosto de outro. — Não acredito! E ela: “Te juro”. Como o rapaz teimasse na incredulidade, fez o juramento extremo: “Quero ver minha mãe morta, se não é verdade”.

Atônito, ele balbuciou a pergunta: “Mas quem é o cara?”. — Segredo. — Ué! Julinha acabou se irritando: “Além disso, eu não tenho que dar satisfação de minha vida”. O rapaz saiu dali amargo, depois de rosnar: “Esse negócio está me cheirando a homem casado”. E o fato é que, desde então, ele passou a vigiar ferozmente a pequena. Soube que Norberto e Julinha tinham sido vistos, depois do serviço, no bar da esquina. Esbravejou: — Cachorro!

O Martírio

Sempre que chegava ao emprego, Julinha olhava para a mesa de Norberto. Quando ele não vinha, perguntava a si mesma: “Será que ele não veio porque a mulher dele morreu?”. Corria ao contínuo: — Quedê seu Norberto? — Foi tomar café. Ela sabia então que a outra estava viva. Por causa do controle do Queiroz, os dois procuravam disfarçar tanto quanto possível. Com sua lógica de mulher, Julinha ponderava: “Afinal de contas, você é um homem casado e eu sou uma moça de família”. Por outro lado, o sigilo que era obrigada a manter constituía um elemento de mistério, interesse, excitação. E assim, dias após dias, Julinha acompanhava à distância o martírio da outra. Às vezes, Norberto ia à rua telefonar para ela e dramatizava: “Minha mulher está que é só pele e osso. Não sei como ainda vive”. A princípio, Julinha tinha escrúpulos de esperar e mesmo desejar a morte da infeliz. Mas, com o correr dos dias, o hábito de falar no assunto a sensibilizou. E, um dia, surpreendeu-se a si mesma: “No duro, no duro, me responde. Ela vai até quando, mais ou menos?”. Norberto fez os cálculos: — Uns quinze dias. Em casa, no quarto, Julinha pôs-se a imaginar:”Quinze dias. Mais uns seis meses etc. Daqui a um ano posso estar casada”. Mas os quinze dias se passaram. E nada. No telefone, ela perguntou, com uma irritação que procurava dissimular: “Como é, fulano? Você disse quinze dias e quando acaba…”. Do outro lado do fio ele desabafava: — Pois é. Que espeto! Sabe que eu estou besta com a resistência? O médico disse hoje que, assim, nunca viu. Julinha suspirou: “Paciência. Paciência”. Mas já começava a admitir mesmo que o estado da outra não fosse tão grave assim. E, por fim, interpelou Norberto: “Quem sabe se você não está me tapeando?”. Ele jurou que não, deu a palavra de honra. Julinha, deprimida, fez a revelação: — Olha que eu já estou fazendo despesas com o enxoval. Comprei muita coisa. Veja lá! Ele, seguro de si e do destino, foi categórico: “Ótimo, ótimo. Pode ir comprando tudo. É bom, sim. E o vestido de noiva eu faço questão de te dar. Quero um bacana”.

Agonia

Mais quinze dias e a esposa de Norberto, apesar da úlcera, da tuberculose e da asma, resistia. Ele, desesperado e sentindo que a pequena duvidava, propôs-lhe: “Vamos fazer o seguinte: vou arranjar um pretexto do serviço e te levo lá em casa. Queres?”. Julinha, que já se julgava vítima de uma mistificação, disse: “Pois quero”. No dia seguinte, entrava na casa da rival. E seu estômago se contraiu quando viu a outra no fundo da cama. Era, de fato, um esqueleto. Um esqueleto com um leve, muito leve, revestimento de pele. Parecia incrível que aquela criatura ainda estivesse respirando, ainda vivesse. Na primeira oportu- nidade, Norberto soprou-lhe: — Não te disse? Batata, meu anjo. É um fenômeno de resistência. Qualquer dia, morre. Coincidiu que o médico aparecesse e, falando com Norberto e Julinha, foi terminante: “É um milagre, sua mulher já devia estar morta”. Julinha, impressionada, sugeriu: “Deve ser um sacrifício a vida dessa criatura. Um martírio”. O médico admitiu com a voz cava: — Natural. E continuou a espera. Então, pouco a pouco, Julinha se desesperou.

Começava a admitir na sua meditação que a outra não morresse nunca, que se tornasse definitivamente uma múmia. O Queiroz, teimoso, não cessava o assédio. E, sem querer, ela já o tratava de outra maneira, quase com afeto. Ele era positivo: “Eu me caso contigo em dois meses”. Julinha adotou uma atitude que não deixava de ser um estímulo. Disse: “Deixa o barco correr”. Dias depois, foi mais longe: — Te dou a resposta dentro de um mês.

A Morte

Esperava que, dentro desse prazo, a outra morresse. Pois bem. Passou-se o mês e nada. Perdeu a paciência: “Não interessa. Estou bancando a palhaça”. O Queiroz, que contava os dias na folhinha, esperou-a sôfrego: “Como é? Já decidiste?”. Julinha teve um fundo suspiro:

— Já.

— E então?

— Sim.

Combinaram ali mesmo, em voz baixa, tudo. Ele, agitado, queria o máximo de rapidez, e batia sobretudo numa tecla: “Dois meses, no máximo”. Esfregou a mão, feliz, quando soube que Julinha já preparara muita coisa do enxoval. Acabou soprando: “Vem cá um instantinho”. Levou-a ao corredor e deu-lhe um beijo na boca. Voltando ao escritório, saiu de mesa em mesa, anunciando: “Estamos noivos”. Foi uma farra entre os colegas. De repente, bate o telefone: Julinha atende e… Teve um choque, quando reconheceu a voz de Norberto. Falando baixo, com a boca encostada no telefone, Norberto anunciava: — Minha mulher entrou em agonia. Agora é batata. Questão de minutos. Um beijo pra ti.

— E desligou.

Por alguns instantes ela não soube o que fazer. Numa alegria lancinante, tinha os olhos marejados, já esquecida do compromisso com o Queiroz. E, quando este veio lhe falar, ela não teve o mínimo tato. Disse- lhe à queima-roupa:

— “Olha, nada feito. Você me desculpa” etc. etc. Ele, branco, ainda insistiu:

— “Você não pode fazer isso comigo. Eu não sou nenhum moleque”. Mas quando se convenceu que a tinha perdido, não teve dúvidas. Era nortista, afundou-lhe o punhal num dos seios. Julinha expirou, ali mesmo, antes que a assistência chegasse. Pouco depois, batia o telefone. Era de novo Norberto, que vinha avisar que a esposa morrera, afinal. Mas ninguém, ali, teve cabeça para atender. Norberto acabou desistindo. Voltou para junto da esposa morta, com a natural compostura de um viúvo. E fez, para os presentes, o seguinte comentário: — Quem morre descansa.


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mai 24 2017

MÚSICA NO CONVENTO – GRUPO AMADEUS – 25 DE MAIO – 19:30 HORAS.

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AMADEUS

O Projeto Música no Convento tem o prazer de apresentar mais uma vez o Grupo Amadeus, na próxima quinta-feira (25/05) às 19.30h, um passeio do Clássico ao Popular com o que há de melhor da música nacional e internacional.

O Grupo se apresentará com a seguinte formação: Violino: Sérgio Gabriel; Violão: Diego Feliciano; Violoncelo: Álvaro Luiz; Flauta barroca: Francisco Silguero.
Contamos com a presença de todos, venha se emocionar com o Grupo Amadeus no Música no Convento. Entrada Franca!

 


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mai 24 2017

JORNAL DO TOTONHO

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mai 23 2017

EDITORIAL – COMO VOCÊS CONSEGUIRAM A FAÇANHA DE QUEBRAR CABO FRIO?

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EDITORIAL_MOSTARDA

ALAIR_MARQUINHO

Os dois bem que tentam fazer com que a gente esqueça o desastre que eles provocaram, mas não dá pra se esconder atrás da moita: a dupla formada por Alair e Marquinhos quebrou a prefeitura de Cabo Frio.

O dois responsáveis ou irresponsáveis, escolha você leitor, tiveram durante seus governos bilhões de reais. Esbanjaram! Jogaram tudo fora! Nem a tomada de três pinos sobrou. Como então vai ter grana para pagar direito os servidores que dão o seu suor, mantendo a máquina funcionando?

Ambos tiram onda de “grandes administradores”. Não são grandes, nem pequenos. Não sabem administrar nada! Como então deixaram uma prefeitura rica como a de Cabo Frio, quebrar?

Não é possível, que não apareça um vereador, que, em nome do povo que o elegeu, peça, exija explicações dessas duas figuraças, que tiveram em suas mãos incompetentes, para dizer o óbvio, o governo da cidade.

Como vocês conseguiram a façanha de quebrar Cabo Frio?

 


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mai 23 2017

DIRETAS JÁ – Henfil.

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mai 23 2017

RABUGENTO – ELES PENSAM QUE O POVO É OTÁRIO!

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Incompetência e irresponsabilidade.

Dívidas da prefeitura que ultrapassam os 500 milhões de reais revelam incompetência e irresponsabilidade de Alair e Marquinhos. É preciso muita cara de pau para vir a público choramingar e querer passar o débito para os servidores.

Acusações mútuas.

Acusações mútuas só servem para agravar a irresponsabilidade dos “sheiks do petróleo”, que não souberam administrar o dinheiro público no período de fartura e agora querem espargir por toda a sociedade o custo de suas incompetências: uma vergonha!

Apostam na desinformação.

Em todas as reuniões em que esteja algum “alto comissário” do governo Marquinhos Mendes (PMDB) a ladainha, quase um mantra, é que a administração passada deixou terra arrasada. Os “comissários” imaginam que todo mundo é burro e desinformado e que ninguém sabe dos acordos dos dois.

Essa parte a secretaria explicou.

BIBLIOTECA

A secretaria municipal de cultura explicou que a sede da Biblioteca Pública Municipal Walter Nogueira vai ficar no Solar dos Massa, comprado ainda no governo de José Bonifácio Novellino. Lá vai ficar o acervo de livros raros da biblioteca e a exposição permanente de Wolney Teixeira.

Essa parte ainda falta explicação.

A filial da Biblioteca Walter Nogueira está localizada, em apenas uma sala na Avenida América Central. Nesta sala cabe cerca de 10% do acervo. A secretaria ainda precisa explicar oficialmente onde e em que condições se encontra o restante do acervo. Não é favor. É obrigação!

Essa também!

É preciso que o secretário municipal venha a público informar se a biblioteca tem funcionários qualificados para catalogar, cuidar e recuperar o chamado acervo de livros raros. Não tem? Quando vai ter? Existe algum bibliotecário formado responsável pela Biblioteca Pública Municipal Walter Nogueira?

Nem Freud explica.

FREUD

O que terão a dizer as “andorinhas” sobre os longos anos que serviram ao “velho morubixaba”? Algum arrependimento, mesmo que tardio? Ou foi um “karma” cumprido, que depois lhes permitiu o voo para a liberdade, a princípio consentida. Tem certas coisas que nem Freud explica.

Marreco atento à renovação política.

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O ex-vereador Manoel Eduardo, o Marreco, é um buziano atento a todas as questões de sua cidade. É presente nas redes sociais e não deixa a “peteca cair” quando se trata de defender Búzios. Figura expressiva do PDT, Marreco, tem buscado novas lideranças no meio da juventude.

Papo furado – 1

Durante a campanha eleitoral de 2016, o grupo de Renatinho Vianna temia que a péssima imagem deixada pelo governo do seu pai queimasse a candidatura do filho: não aconteceu. O argumento da campanha de Renatinho dizia que era um absurdo imaginar que pelo fato de ser pai Renato ia ter influência no governo do filho.

Papo furado – 2

Logo a realidade desmentiu o grupo político de Renatinho Vianna. O pai, o ex-prefeito Renato Vianna assumiu a presidência do Porto. Atento, o Ministério Público (MP) recomendou que Renato saísse. Fica claro que tudo que foi dito na campanha era papo furadíssimo. Agora, só em “OFF”.


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mai 23 2017

AROEIRA – Marcos Azevedo.

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mai 23 2017

CADERNO DE BÚZIOS – ELEIÇÕES DIRETAS JÁ! – Mirinho Braga.

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ELEIÇÕES DIRETAS JÁ!

Mirinho Braga

Para muitos é estranha essa pressa que o Sistema Globo de Comunicação está tendo de fuzilar de vez Michel Temer e colocar Aécio na cadeia.
Temer falhou, não é mais útil aos interesses globais. Falhou na condução das reformas, tornou-se por ter um imenso “telhado de vidro” personagem que podia levar o plano a bancarrota e atrapalhar as pretensões da rede globo e seus parceiros.

Temer e Aécio, duas figuras com extrema fragilidade no submundo do poder, foram escolhidos, colocados na berlinda para dar aos donos do pedaço a estampa da imparcialidade. A globo, como a maioria da imprensa brasileira, é craque em manipular e iludir.

Rodrigo Maia é o melhor exemplo de fragilidade que a globo tanto gosta nos políticos. Esse não preocupa e fará o que os patrões mandarem.

Lula e Dilma que não se enganem, vem aí muita pancada para cima deles. Vão colocá-los (com uma certa razão) no mesmo balaio do, ainda, presidente e do senador mineiro.

Não foi por acaso que a notícia da delação do pessoal da JBS vazou (oficialmente) para um jornalista do “O Globo”, crítico feroz ao PT e amiguinho da turma do PSDB (quer imparcialidade melhor?).

Depois de provocar o afastamento de Temer e inviabilizar o PSDB, a globo vai fazer de tudo para emplacar na nossa cara um governo biônico que faça suas vontades e os obedeçam cegamente. Com a constituição em nas mãos, algumas autoridades do poder judiciário já vieram a público defender a eleição indireta.
A solução é o povo na rua, mas, sinceramente, não vejo mobilização capaz de dar o contragolpe.
O jogo é pesado e a tendência é que piore muito mais.
Eleições diretas já!


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mai 23 2017

ENTREVISTA – BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS.

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BOAVENTURA

“O que mais custa aceitar é a participação do Judiciário no golpe”

O sociólogo português Boaventura Santos faz uma radiografia da crise política brasileira e pede à esquerda nativa para abrir mão das diferenças

Desatados os laços coloniais, a proximidade entre Brasil e Portugal se estende para além das velhas rotas do Atlântico. Nas antigas colônia e metrópole, as trajetórias republicanas são navegadas sob tempestades que carregam ensinamentos para as duas costas do oceano.

onda neoliberal que atinge hoje o Brasil por meio do governo de Michel Temer chegou como um tsunami em 2011 às terras lusitanas. Passos Coelho, então primeiro-ministro, tentou aprofundar as políticas de ajuste estrutural exigidas pelo Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia, mas o ímpeto dos retrocessos perdeu força diante da resistência unificada do campo progressista em Portugal.

Baseado nessa análise, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos espera comportamento semelhante das esquerdas brasileiras para reagir ao que chama de “golpe constitucional-judicial” e a retrocessos defendidos pelo atual governo. Em passagem pelo Brasil para o lançamento do livro “A difícil democracia”, publicado pela editora Boitempo, o sociólogo mostra estar atento aos movimentos do governo Temer. Em entrevista a CartaCapital, faz uma radiografia da crise política brasileira, chama o congelamento de investimentos públicos por 20 anos de “escândalo constitucional e político” e releva sua indignação com a seletividade da Justiça. “O que mais custa aceitar é a participação agressiva do sistema judiciário na concretização do golpe.”

CartaCapital: O senhor analisa no início de “A difícil democracia” o período entre 2011 e 2013, marcados pelos movimentos Occupy nos Estados Unidos, Indignados no sul da Europa, Primavera Árabe na Tunísia e no Egito e os protestos de junho de 2013 no Brasil. Três anos depois, o senhor aponta um desencanto nas esquerdas. A que o senhor atribui esse desencanto? 

Boaventura Santos: As situações foram muito diversas, nem todas permitiram uma clara distinção entre esquerda e direita, e em cada uma atuaram fatores específicos que condicionaram os resultados. Temos de distinguir entre os países que tinham uma democracia minimamente credível e os que a não tinham. Nestes últimos, a luta era pela democracia. Só a Tunísia teve algum êxito. Nos outros, a luta era por uma democracia real, ou seja, pela maior distribuição da riqueza e pelo fim da corrupção no sistema político.

Apesar da radicalidade dos discursos, os objetivos, quando existiam, não iam além da renovação do sistema político e do reforço da social democracia. Na Espanha houve alguma renovação política através da emergência de um partido de tipo novo, o Podemos, e de muitas associações políticas autônomas que hoje condicionam a vida política regionalmente. No Brasil, a ambiguidade política dos protestos era inicialmente detectável apenas no twitter. O governo não foi capaz de ler esta ambiguidade e de apoiar as demandas e forças de esquerda.

CC: A ascensão conservadora explica esse desencanto?

Boaventura Santos: Muitas das irrupções democráticas dos últimos trinta anos ocorreram em períodos de reforço do neoliberalismo, ou seja, da versão mais antissocial do capitalismo. Foi assim nas transições da ditadura para a democracia dos anos 80 e nos protestos de 2011, depois de a crise financeira de 2008 ter aumentado o poder global do capital financeiro que a tinha provocado e “resolvido” a seu favor. Enquanto a luta pela democracia fortalecia as forças de esquerda, a aceitação da ortodoxia neoliberal favorecia as forças de direita. Com o tempo, a direita, muito imaginativamente, soube controlar a pulsão democrática a seu favor, usando para isso vários estratagemas. No Brasil, por exemplo, seduziu a esquerda durante treze anos para extorquir as maiores vantagens num período de crescimento e de governos progressistas no continente. Quando achou adequado, desferiu-lhe o golpe constitucional-judicial que, se não a deixou morta, a deixou desmaiada.

CC: Na introdução de “A difícil democracia”, o senhor afirma que os países da América Latina e do sul da Europa tendem a ser caracterizados por grande instabilidade política. O Brasil tem confirmado essa tese, com o traumático impeachment de Dilma Rousseff. Qual a sua análise do processo?

Boaventura Santos: Houve interrupção democrática semelhante à que tinha sido ensaiada em Honduras e no Paraguai e, como nas anteriores, levada a cabo com a aprovação ativa dos Estados Unidos. Tratou-se de uma passagem brusca e sem respaldo constitucional de uma democracia de baixa intensidade, já que eram bem conhecidos os limites do sistema político e do sistema eleitoral em refletir a vontade das maiorias, para uma democracia de baixíssima intensidade, com maior distância entre o sistema político e os cidadãos, maior agressividade dos poderes fáticos, menor proteção social das classes mais vulneráveis, menos confiança na intervenção moderadora dos tribunais.

No caso do Brasil, o que mais custa a aceitar é a participação agressiva do sistema judiciário na concretização do golpe, tendo em vista dois fatores que constituíam a grande oportunidade histórica de o sistema judicial se afirmar como um dos pilares mais seguros da democracia brasileira. Por um lado, foi durante os governos PT que o sistema judicial e de investigação criminal recebeu o maior reforço não só financeiro como institucional. Por outro lado, era evidente desde o início que Dilma Rousseff não tinha cometido qualquer crime de responsabilidade que justificasse o impedimento. Estavam criadas as condições para encetar uma luta veemente contra a corrupção sem perturbar a normalidade democrática e, pelo contrário, fortalecendo a democracia.  Por que é que esta oportunidade foi tão grosseiramente desperdiçada?  O sistema judicial deve uma resposta à sociedade brasileira.

CC: O que acha das primeiras medidas de Temer no poder?

Boaventura Santos: Elas não oferecem qualquer surpresa. São o receituário neoliberal global num contexto de declínio dos preços internacionais das commodities e dos recursos naturais: criar novas oportunidades de acumulação de capital através de uma nova onda de privataria, como a que aconteceu no tempo de Fernando Henrique Cardoso, reduzir a despesa pública, sobretudo em políticas sociais, impedir qualquer mudança no sistema fiscal ou nas taxas de juros, aumentar a repressão quando a  população acordar da orgia antipetista e começar a ver, aturdida e chocada, o que efetivamente se passou na sua casa, na sua saúde, na educação dos seus filhos.

Devemos notar que a lógica da austeridade já se tinha instalado no segundo mandato de Dilma. Mas há uma diferença qualitativa. Com o governo do PT essa lógica traduzia-se em algumas medidas de emergência e com a crença equivocada de permitirem a curto prazo o regresso à normalidade de uma governação minimamente inclusiva no plano social. Com o governo Temer, tais medidas, um menu imenso, são a nova normalidade.

CC: Na terça-feira 25, a Câmara aprovou uma emenda à Constituição para congelar os gastos públicos pelos próximos 20 anos, com profundo impacto em áreas como saúde, educação e assistência social. Como o senhor classifica a medida?

Boaventura Santos: A PEC 241 é um escândalo constitucional e político, produto de um descontrolado fundamentalismo ideológico, desprovido de qualquer eficácia e apenas adotado com dois objetivos de alto poder simbólico. Primeiro, mostrar ao povão pobre e empobrecido a impossibilidade de esperar algo do Estado, como se ninguém pudesse lhe prometer nada para além do que a direita está disposta a dar-lhe. Segundo, sublinhar com uma risada legislativa o desprezo, o revanchismo e a arrogância com que, do alto da sua vitória, contempla a ruína da esquerda. O excesso desta medida, nunca adotada em qualquer país por um período de 20 anos, deve ser visto pela esquerda como um sinal de debilidade.

CC: Como resistir a esse retrocesso?

Boaventura Santos: O caso português tem algum interesse neste contexto. Os portugueses foram vítimas entre 2011 e 2015 de um fundamentalismo ideológico do mesmo tipo. O Primeiro Ministro de então, Passos Coelho, chegou a dizer que era preciso ir mais longe nas políticas de ajuste estrutural do que a própria troika austeritária exigia, formada pelo FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. O maximalismo conservador fez soar nos partidos de esquerda um alerta que não se ouvia há setenta anos:  a arrogância da direita ameaçava destruir tudo o que em termos de inclusão social tinha sido democraticamente construído pelo país depois da Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974.

O país enfrentava uma situação de fascismo social que mais tarde ou mais cedo poderia levar ao fascismo político. Perante isto era preciso esquecer provisoriamente todas as diferenças ideológicas que pudessem impedir uma aliança das forças de esquerda para pôr termo ao pesadelo reacionário. Assim se construiu uma aliança de governo entre o Partido Socialista, a coligação CDU (comunistas e verdes) e o Bloco de Esquerda. Este exemplo pode ajudar as forças de esquerda no Brasil, que, ao contrário de Portugal, se inclui um forte movimento popular frentista, a esquecer as diferenças e articular-se procurando seguir a sabedoria popular: em momentos como este, que se vão os anéis e fiquem os dedos.

CC: As áreas que estão mais em risco no Brasil são saúde, educação e assistência e previdência social, que compõem o nosso Estado de bem-estar social previsto na Constituição de 1988. Por que preservar o Estado de bem-estar social tornou-se uma tarefa árdua?

Boaventura Santos: O Estado de bem-estar consistiu no conjunto de políticas sociais através das quais foi possível compatibilizar a pulsão de concentração da riqueza própria do capitalismo com a pulsão de inclusão social mínima, o contrato social, própria da democracia representativa liberal. Tal compatibilização tornou possível uma série de interações não-mercantis entre cidadãos, entre elas o SUS, a educação pública, as pensões segundo o sistema de repartição inter-geracional. Ela foi possível através de níveis de tributação muito altos. Depois de 1945, alguns países chegaram a ter taxas altíssimas para os rendimentos mais elevados.

A partir dos anos de 1980, e perante uma crise de acumulação que tinha começado com a primeira crise do petróleo, o neoliberalismo começou a guerra contra o Estado de bem-estar em duas frentes. Por um lado, a guerra contra as políticas sociais e serviços públicos por dizerem respeito a áreas como a saúde e a educação e as pensões onde a privatização criaria novas áreas de investimento altamente rentáveis. Por outro lado, a guerra contra a tributação alta e sobretudo progressiva. Perante a perda de recursos, os Estados tiveram que recorrer à dívida pública eufemisticamente considerada soberana. Os Estados eram soberanos quando cobravam impostos mas não quando recorriam ao crédito internacional. Neste último caso, estavam dependentes do capital financeiro que progressivamente se foi tornando a força dominante do capital global.  E assim surgiu o ajuste estrutural e a certidão de óbito do Estado de bem-estar. Ainda há pouco tempo, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, um clone da Goldman Sachs, declarou que a social democracia tinha acabado.

CC: Há como preservar a social democracia?

Boaventura Santos:Só há futuro para o Estado de bem-estar: quando o futuro do neoliberalismo acabar. Até lá são possíveis atuações parciais, defensivas, nas margens do modelo dominante, mas que significam muito precisamente para os estratos sociais que estão nas margens, as quais não cessam de inchar. Para isso são precisas alianças políticas inovadoras e esclarecidas com vontade de correr os riscos, novas formas de participação popular autônoma, novos militantes e lideres partidários de esquerda presentes em permanência nas  ruas e bairros pobres das cidades e nos campos dos camponeses e indígenas devastados pela agroindústria e a mineração socialmente criminosa. Enquanto vigorar o neoliberalismo, é exigida uma vontade revolucionária para conquistar a mais modesta política reformista.

CC: O senhor defende uma espécie de “divisão do trabalho do inconformismo”, na qual haja uma articulação entre as três estratégias da esquerda: tentar melhorar o que havia, tentar romper com o que havia e tentar não depender do que havia. Mas as esquerdas mostram dificuldade em encontrar pontos em comum para construir uma unidade mais sólida, não? 

Boaventura Santos: Historicamente, as esquerdas dividiram-se em resultado da emergência do mundo soviético. Organizaram-se segundo essa divisão durante mais de setenta anos e ainda não se recompuseram do fim desse mundo. As divisões existentes são em grande medida produto de inércia histórica. Vão ser necessárias ou inevitáveis outras divisões, mas vai ser sobretudo necessária outra forma de afirmar, construir e consolidar divisões, uma forma que permita uma leitura dinâmica do mundo e da sociedade concreta, que saiba ler os sinais de perigo antes de ele ser destrutivo, que não se preocupe com vanguardas e que cuide das retaguardas, que seja tão interpolítica e tão intercultural como é o mundo e a sociedade, que considere que, enquanto durar o capitalismo, nem o colonialismo nem a violência contra as mulheres acabam, apenas se metamorfoseiam.

CC: No Brasil, é comum a análise de que os governos do PT deixaram de lado a formação política e cultural das classes mais baixas e focaram excessivamente na questão material. Neste momento de crise econômica, os que ascenderam nos últimos anos deram as costas ao partido. Por que a população mais pobre parece rejeitar o discurso de esquerda no Brasil?

Boaventura Santos: Essa análise merece uma profunda reflexão, pois tais políticas vão continuar a ser necessárias no futuro, mas vão ter que ser desenhadas de uma maneira totalmente diferente. O PT fez uma extraordinária distribuição de riqueza, paradoxalmente sem a sociedade brasileira ter deixado de ser uma das mais desiguais do mundo. Para evitar o clientelismo estatal, entregou na mão da banca milhões de cidadãos de quem se extorquiu seguros de vida, planos de poupança, consumo a crédito, incluindo as famosas viagens de avião dos antes pés descalços. O enorme esforço de socialização dos brasileiros foi feito promovendo subjetividades individualistas e antissociais. Para isto ajudou muito a teologia da prosperidade e a substituição paulatina da ideia de justiça social pela de sucesso individual. A população brasileira não rejeita o discurso de esquerda. Pelo contrário, aprendeu demasiado bem o discurso que a prática de esquerda lhe foi ditando.

CC: Nas eleições municipais brasileiras realizadas em 2 de outubro, vimos uma ascensão de nomes conservadores. São Paulo elegeu João Doria, do PSDB, um empresário de discurso privatista, que buscou demonizar a classe política tradicional e vangloriou-se de ser um self-made man, a exemplo do que ocorre com Donald Trump nos Estados Unidos. A votação de Doria em regiões periféricas de São Paulo foi muito acima do esperado. Por que os mais pobres estão seduzidos pelo discurso da meritocracia?

Boaventura Santos: Na lógica da ideologia neoliberal dominante, a política, enquanto escolha entre opções ideológicas diferentes, tende a desaparecer. Como não há alternativa, os governantes não necessitam do consenso dos cidadãos, basta-lhes a resignação. A democracia de baixíssima intensidade consiste na conversão  de diferenças ideológicas em diferenças de qualquer outro tipo que garantam o espetáculo da alternância.Surgem assim novas polarizações que se afirmam  como as duas faces do sistema neoliberal: a face do sistema e a face do anti-sistema.

Isto tem duas consequências. A primeira é que, como são duas faces do mesmo sistema, os que se afirmam como anti-sistema são aqueles que mais beneficiam dele. Por isso, os  milionários que terão sido eleitos em grandes cidades brasileiras não terão tido dificuldade em apresentar-se como anti-sistema.  Isto é, os que não são profissionais da política porque têm tido dinheiro suficiente para mandar nos profissionais da política. A segunda consequência é que, como a política partidária se vai degradando e, com ela, a formação política que ela devia envolver, não são necessárias qualificações específicas para ser dirigente político.

CC: O culto à celebridade chegou à política?

Boaventura Santos: A notoriedade pública em qualquer domínio, seja espetáculo, futebol ou cinema, pode ser qualificação suficiente. Não surpreende assim que o presidente da Guatemala, Jimmy Morales, seja um antigo comediante da televisão, que Beppe Grillo, o palhaço italiano, esteja à frente de um partido  muito dinâmico (Cinco Stelle), ou que um homem de negócios e de showbussiness como Trump tenha chegado onde chegou.

CC: Conversamos recentemente com Slavoy Zizek, e ele afirmou que a esquerda precisa redescobrir “a força do Estado”. David Harvey, por sua vez, defende um humanismo revolucionário, em que as diversas tendências de esquerda reorganizem o trabalho de forma associativa para construir uma economia alternativa ao capitalismo. Qual é a sua proposta para o futuro da esquerda?

Boaventura Santos:  A esquerda do futuro deve orientar-se pelo lema democracia sem fim. Se a isso não quisermos chamar socialismo, não tenho problemas. Democracia não apenas no sistema político, mas também nas empresas, no espaço público, nas igrejas, nas escolas e universidades, nas famílias, no transporte e nas relações com a natureza. Cada espaço requer uma forma específica de democracia, já que as formas mais conhecidas, a representativa e a participativa, são apenas um pequeno excerto do menu democrático.

Não haverá democracia de alta intensidade enquanto estiverem em vigor as três formas modernas de dominação: capitalismo, colonialismo e patriarcado. As três formas atuam sempre articuladamente. Um dos problemas da esquerda do passado foi, no seu melhor momento, centrar-se na luta contra o capitalismo e considerar secundárias ou negligenciáveis as lutas contra o colonialismo e o patriarcado. Aliás, aceitou acriticamente que o colonialismo tinha acabado com o colonialismo de ocupação territorial estrangeira e não viu que ele continuou até hoje sob outras formas, como racismo, xenofobia, colonialismo territorial interno, expulsão e massacre de indígenas.Congratulou-se  com pequenas vitórias no dominio patriarcal sem ter em conta que o capitalismo e o colonialismo não dispensam o patriarcado.

CC: Capitalismo, colonialismo e patriarcado tem de ser desconstruídos em conjunto?

Boaventura Santos – A esquerda do passado aceitou que os movimentos sociais se dividissem entre os que lutam contra o capitalismo, os que lutam contra o colonialismo e os que lutam contra o patriarcado. Por isso, as forças da dominação estão mais unidas do que nunca, enquanto as forças que lutam contra elas estão mais divididas do que nunca. Alguém pode se surpreender que, quando Michel Temer chega ao poder ilegitimamente e forma um governo para reforçar a dominação capitalista, desapareçam do seu ministério mulheres e afrodescendentes?

Um dos fatores mais promissores da unidade das esquerdas vai ser a natureza, uma vez que é nela onde mais se condensa a articulação entre capitalismo, colonialismo e patriarcado. O campo da democracia no trato com a natureza é onde se verão melhor os pontos de contacto entre a luta anti-capitalista, anti-colonialista e anti-patriarcal.

O neoliberalismo não vê o grande objetivo de transformar o trabalho com direitos em trabalho sem direitos separado do objetivo de expulsar os camponeses e indígenas das suas terras ancestrais, de contaminar as águas e pulverizar livremente com insecticida os pulmões dos trabalhadores rurais, de sobre-explorar as mulheres com trabalho não pago e aceitar a violência contra as mulheres como parte da subjetividade empreendedora que promove, uma subjetividade ora exuberante com o êxito macho, ora estressada em busca de inimigos ou de descargas emocionais fáceis.

CC: E qual deve ser o papel do Estado para a nova esquerda?

Boaventura Santos: O Estado é hoje um monstro necessário. É um monstro porque reduz toda a diversidade econômica, social e cultural da sociedade a um modelo monocultural, homogêneo de administração. É falsa a alternativa entre querer ou não querer tomar o poder do Estado, ainda que este seja uma fração cada vez menor do poder social. É preciso tomar o poder para o transformar e não esperar que ele se transforme antes que a esquerda o queira ocupar.

Mas, para a esquerda, governar enquanto as sociedades forem capitalistas, colonialistas e patriarcais, será sempre um exercício de contracorrente. Não se pode governar como a direita governa só que para outros objetivos. Isto significa, entre muitas outras coisas, tolerância zero face à corrupção e reforma constitucional no sentido de criar um quarto órgão de soberania, o controle cidadão por via da participação organizada e autônoma. Significa também que entre dois males se deve recusar sempre o mal menor se ele for apresentado como o único meio de evitar o mal maior. O mal menor tende a ser a versão em miniatura do mal maior.

CC: Alguns consideram que um projeto de Estado não é prioritário. 

Tomar ou não o poder do Estado é uma falsa alternativa, o mesmo sucede com a alternativa entre lutas institucionais, legais, no quadro do sistema político-jurídico existente, e extra-institucionais, ou seja, ações diretas eventualmente ilegais mas pacíficas, isto é, eventualmente apenas contra a propriedade, nunca contra a vida ou a integridade física. O esvaziamento progressivo da democracia realmente existente e o consequente aumento do caráter repressivo do Estado e da criminalização do protesto social vão obrigar a que muitas das lutas democráticas sejam ilegalizadas e tenham de ocorrer fora do marco institucional.

Já hoje, em vários países da América Latina, bloquear uma estrada para não deixar entrar as máquinas do abate de árvores e da mineração nos territórios indígenas ou afrodescendentes é considerado um ato terrorista. Amanhã, qualquer manifestação de ecologistas urbanos pode ter o mesmo destino. Os camponeses, os indígenas e as populações quilombolas que hoje defendem o campo contra a exploração agressiva e sem controle dos recursos naturais estão a defender os habitantes das cidades de amanhã.


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mai 23 2017

AO APELAR À INGENUIDADE, TEMER E AÉCIO SE DECLARAM INCAPAZES AO ELEITOR – Leonardo Sakamoto

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LEONARDO-SAKAMOTO

Leonardo Sakamoto

”Ingenuidade. Fui ingênuo ao receber uma pessoa [Joesley Batista, dono do JBS] naquele momento.”

”Lamento sinceramente minha ingenuidade – a que ponto chegamos, ter de lamentar a boa-fé! Não sabia que na minha frente estava um criminoso sem escrúpulos, sem interesse na verdade, querendo apenas forjar citações que o ajudassem nos benefícios de sua delação.”

As frases são, respectivamente, de Michel Temer e Aécio Neves, que usaram a ”ingenuidade” como justificativa diante de conversas gravadas por Joesley Batista, dono do JBS. Ambos os registros estão na Folha de S.Paulo desta segunda (22) – o do primeiro, em uma entrevista, e o do segundo, em um artigo-depoimento.

A utilização da ”ingenuidade”, ou seja, declarar-se ”café-com-leite” como artifício de defesa diante de um escândalo de corrupção, tráfico de influência e compra de favores é um indicador de desespero. Pois os dois sabem que demandaria uma intensa dose de ignorância da população para acreditar nessa desculpa.

Afinal de contas, o mais esperto dos dois conspirou abertamente pela queda de sua antecessora para ocupar seu lugar. E o outro, ”despachava” do Rio de Janeiro apesar de ser governador de Minas Gerais (Aécio usou aeronaves oficiais por 124 vezes para ir ao Rio durante o período em que foi governador).

Pode-se, claro, lembrar as icônicas palavras de Sérgio Machado, em grampo com Romero Jucá (”o primeiro a ser comido vai ser o Aécio”), para contestar que, talvez, o senador mineiro realmente acredite que se autointitular ingênuo pode funcionar. Afinal, nas palavras de Machado, ”0 Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe?”

Talvez a esperança de ambos com essa justificativa resida no fato que parte do eleitorado brasileiro já provou que escolhe heróis em todos os partidos políticos, da esquerda à direita, e segue com eles até o fim – independente dos fatos. É uma religião. Temos isso com Lula, Bolsonaro, Doria, Marina, Maluf… Basta que esses heróis reafirmem suas narrativas com um mínimo de convicção. Então, sentindo-se culpados diante de uma desconfiança que dava sinais de nascer, alguns desses eleitores se prostram arrependidos. E pensam ”Perdoa-me por me traíres” – apesar de nunca terem ouvido falar de Nelson Rodrigues.

A justificativa pode ter seu valor junto a processos judiciais ou políticos que Temer e Aécio possam vir a sofrer por conta do que foi revelado. É uma versão piorada do ”eu não sabia”, muito em uso nos governos do PSDB, do PT e até do próprio PMDB.

Utilizar a ingenuidade é uma espécie de recurso arriscado porque parte da população pode até cair no conto de políticos ”mal informados”, mas não aceita aqueles que se declaram fracos e passíveis de serem envolvidos em conversas moles durante os exercícios de seus mandatos. Ou seja, não querem um ”mané” no governo.

De qualquer forma, o cinismo adotado por ambos não convence. Pelo contrário, constrange. Se ainda tivessem o dom de Paulo Maluf que, durante anos, deu justificativas que se tornaram folclóricas para o roubo de dinheiro público e, certamente, ria delas e de si mesmo, entender-se-ia.

Ou seja, além da questão ética, a estética da canastrice da ”ingenuidade” de Temer e do barroco da ”ingenuidade” de Aécio são imperdoáveis.


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mai 23 2017

1ª MOSTRA QUINTAL DE TEATRO

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mai 23 2017

PALESTRA: COMO PREPARAR UMA LANCHEIRA SAUDÁVEL

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LANCHEIRA

PALESTRA: COMO PREPARAR UMA LANCHEIRA SAUDÁVEL.

Criança bem alimentada tem energia na medida certa e não fica doente com frequência.

Alimentação na primeira infância é fundamental para o desenvolvimento físico e emocional. A alimentação desbalanceada pode dificultar o sono, a concentração e o aprendizado. Afinal, o que colocar na lancheira? Você sabe ler rótulos para fazer melhores escolhas? A palestra gratuita “Lancheira Saudável”, em parceria com o Espaço Aldeia Viva, vai ensinar como montar lanches saudáveis, práticos e que cabem na correria do dia-a-dia. Será no dia 24 de maio (quarta), às 18 horas no espaço de eventos do Cereall Gourmet, em Cabo Frio.

A Terapeuta Naturalista Mondriam Mageswki e a mãe coruja vegetariana Paloma Heringer vão abordar: comida de verdade, alegria e sabor, variedade e quantidade, escolhas inteligentes de industrializados, e equilíbrio e vitalidade. Apaixonadas por alimentação saudável, elas são responsáveis pela cozinha da escola livre Espaço Aldeia Viva, em Cabo Frio, onde se divertem preparando cardápios e cozinhando para a criançada.

A participação é gratuita, mas pede-se a colaboração de um quilo de ração (para cão ou gato). Todo material arrecadado será doado para a Superintendência de Proteção dos Animais de Cabo Frio, que mantém diversos projetos sociais. O espaço de eventos do Cereall fica à Rua José Bonifácio, 28, Centro, Cabo Frio.

Vídeo com as palestrantes disponível no:


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mai 23 2017

WORKSHOP GRATUITO DE ARGILA MEDICINAL

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ARGILA-MEDICINAL

Da terra viemos e dela vivemos. Nossos antepassados sempre souberam utilizar os recursos que a terra fornecia. A argila medicinal é um laboratório de vida. Ela refresca, desinflama, descongestiona, purifica, cicatriza, absorve e acalma. Pode-se usar a argila medicinal em uso interno e externo. Aprender a utilizar esse potencial é voltar as nossas origens. A Terapeuta Holística Ana Thereza vai realizar o workshop gratuito de “Argila Medicinal” no espaço Cereall Gourmet, no dia 27 de maio, às 17 horas. A argila absorve as impurezas e até substâncias tóxicas. No conteúdo do workshop: breve histórico da argila, propriedades curativas da argila, dicas para manter sua pele saudável e aplicação de máscara facial rejuvenescedora. Escritos antigos, anteriores a era cristã, mencionam o uso da terra de “Lemnos” para fins de cura. O naturalista romano Plínio consagrou um capítulo da sua “História Natural” ao tema. Durante a 1ª Guerra Mundial, soldados russos recebiam dos seus comandantes 200gr de argila. Os nossos índios utilizam a argila como medicamento para picadas de cobra, o veneno sai, não incha e a dor é eliminada em poucos instantes. O workshop de “Argila Medicinal” é gratuito, mas pede-se a colaboração de um quilo de ração (para cão ou gato). Todo material arrecadado será doado para a Superintendência de Proteção dos Animais de Cabo Frio, que mantém diversos projetos sociais. O espaço de eventos do Cereall fica à Rua José Bonifácio, 28, Centro, Cabo Frio, telefone (22) 2629-6739.


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mai 23 2017

OS ESTATUTOS DO HOMEM – Thiago de Mello

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OS ESTATUTOS DO HOMEM

(Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony

Thiago de Mello (*)

Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II 
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III 
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

(*) Santiago do Chile, abril de 1964 

 


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mai 23 2017

JORNAL DO TOTONHO

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mai 22 2017

EDITORIAL – POR QUE TANTO MISTÉRIO?

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MISTERIO

Quando a elite endinheirada de Cabo Frio se encontra, qualquer intervenção que diga da possibilidade de uma CPI para apurar a relação entre a Prefeitura, a Comsercaf, suas antecessoras e as empresas prestadoras de serviços, provoca mal estar.

A pessoa se torna imediatamente inconveniente e “espanta bolinho”: quando chega todos saem. No próximo aniversário ou mesmo “casamento chique” não será convidado para não tornar o ambiente pesado, sem as risadas fáceis daqueles que amealharam fortunas trabalhando gloriosamente a “bem do serviço público”.

Na câmara de vereadores, espaço que deveria ser democrático por excelência, mencionar com seriedade a possibilidade de instalação de CPIs para averiguar as relações do poder público municipal com as empresas privadas, causaria no mínimo um reboliço daqueles. O vereador que o fizer será colocado de lado por todos ou por grande parte dos colegas.

Por que tanto mistério?


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mai 22 2017

NÃO RENUNCIAREI!!!!!!

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mai 22 2017

RABUGENTO – DE OLHO NA DELAÇÃO PREMIADA DE CUNHA.

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Orla da Praia do Foguete.

O bom trabalho realizado pela prefeitura no combate a grilagem, no Distrito de Tamoios, tem que chegar a uma área ainda mais valorizada, a orla da Praia do Foguete, onde a fiscalização precisa aparecer e trabalhar junto com a Prolagos. É preciso ter vontade política para agir.

Apuração? Tem que pegar 20 anos.

A câmara de vereadores de Cabo Frio pode sambar pra lá e pra cá e até aparecer algum vereador dançando tico-tico no fubá, mas a população só vai acreditar em alguma coisa se for criada uma CPI. Essa tem que apurar os últimos vinte anos na Procaf, Secaf, Comsercaf e de quebra o Ibascaf.

Preocupação geral.

FELIPE-LOPES-CUNHA-5

As delações da JBS mostram Michel Temer (PMDB) preocupado em manter calado o “Hóspede de Curitiba”, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB). A mesma preocupação tem os políticos, no interior do Estado do Rio de Janeiro, especialmente na Região dos Lagos, que fizeram campanha com o Cunha e que na época se vangloriavam disso.

Delação premiada de Cunha?

A perspectiva, cada vez mais presente, da delação premiada do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), está deixando muita gente com cabelo arrepiado e sem dormir direito, na Região dos Lagos. O mundo dá muitas voltas!

Dívida brutal

Depois de durante vinte anos receberem bilhões de reais entre impostos e royalties do petróleo, os “sheiks”, Alair e Marquinhos, deixaram uma dívida colossal que ultrapassa 500 milhões de reais, nos cofres da prefeitura. Acima de tudo, são péssimos administradores e irresponsáveis com o dinheiro público.

Querem enganar os “trouxas”

Conversa fiada essa história de dizer que a preocupação maior é com os servidores. Se fosse, o governo não tinha feito os “contratos emergenciais”, com empresas de “padrinhos” de fora de Cabo Frio e pagando em dia e atrasando os servidores. Querem fazer a população de “trouxa”.

Janio defende Diretas Já!

JANIO-COSTAAZUL

O deputado Janio Mendes (PDT), que sempre teve como característica o discurso conciliador, definitivamente perdeu a paciência com as trapalhadas políticas do PMDB e quer a saída de Michel Temer. O deputado trabalhista defende as “Diretas Já”!

 Só Popeye!!!

 POPEYE

A coordenadoria municipal de meio ambiente e a secretaria de turismo estão instalando lixeiras de pneus recicláveis na Ilha do Japonês e na Praia do Peró. Uma boa iniciativa. Falta comer algumas latas do “espinafre da coragem” para domar os estacionamentos públicos, na região. Aí sim, a coisa muda pra valer.

Intervenções necessárias

No último ‘Cidade Viva’ realizado pela Folha dos Lagos as intervenções de Ricardo Azevedo, diretor de comunicação da Prolagos e da empresária Patrícia Cardinot sacudiram o encontro. A coordenação dos trabalhos coube ao professor Paulo Cotias.

A sociedade quer mudanças.

Os encontros realizados pelo ‘Cidade Viva’ tem refletido os anseios da sociedade cabofriense por mudanças efetivas. Muita gente não quer mais participar, porque “sai ano, entra ano” e tudo continua na mesma. Para desafogar as angústias existem outras coisas que dão bem mais prazer.


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mai 22 2017

SALINA EM MASSAMBABA – Antônio Ângelo Trindade Marques.

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SALINA-DESATIVADA


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mai 22 2017

TROCAR TEMER POR SEU MINISTRO DA FAZENDA SERIA UM GOLPE DO PODER ECONÔMICO – Leonardo Sakamoto

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ARTIGOS_MOSTARDA

LEONARDO-SAKAMOTO

A movimentação para colocar Henrique Meirelles como presidente da República via eleição indireta após uma queda de Michel Temer significa que parte da elite cansou do ”intermediário” e decidiu entregar o poder político diretamente ao mercado.

Em outras palavras: Temer pode sair, desde que as reformas fiquem.

Filiado ao PSD de Gilberto Kassab, o ministro tem sido apontado pelo mercado financeiro e parte do grande empresariado nacional como um nome que traria tranquilidade, não apenas porque manteria a política econômica, mas – principalmente – porque levaria a cabo as impopulares Reformas Trabalhista e da Previdência.

Por isso, parte da elite econômica e financeira do país engrossa o coro contra a organização de eleições diretas para a Presidência da República, ao invés de defender eleições diretas que poderiam trazer legitimidade a um governo.

Essa alternativa poderia ser viabilizada através de aprovação de emenda constitucional ou por meio de entendimento de que uma cassação da chapa presidencial Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral já seria seguida de diretas, em função do que diz o Código Eleitoral.

Ao mesmo tempo, pela regra eleitoral geral, seria inelegível quem não estivesse fora de cargos no Executivo, Judiciário e Ministério Público por, pelo menos, seis meses antes da escolha. Mas como não há lei complementar que regulamente as eleições indiretas, isso abre caminho para o Congresso Nacional aprová-la no caso de vacância do cargo de presidente. Inclusive deixando de lado a necessidade de desimcompatibilização e abrindo caminho para atuais ministros concorrerem.

O PIB e o mercado sabem que qualquer candidato que defenda uma plataforma de governo que inclua as Reformas Trabalhista e da Previdência não seria eleita para a Presidência no Brasil, nem agora, nem em 2018, considerando que as pesquisas de opinião mostram que a maioria da população tem sido contra ambas.

Cansados das dores de cabeça trazidas por Michel Temer e seu grupo, não por aversão à corrupção em si (uma vez que dirigentes de entidades patronais também foram citados nas delações), mas pelo atraso na aprovação das reformas que elas significam, o PIB discute abertamente um substituto para fazer o serviço. Precisam que o terreno seja limpo por alguém que não se importe em não ser eleito no ano que vem, porque, aprovando as reformas, dificilmente será.

E esse nome pode ser o de Meirelles, que fez sua carreira no sistema financeiro internacional e tem trânsito no PSDB, PMDB e PT. Após ocupar o cargo de presidente do Banco Central no governo Lula (2003-2010), assumiu a presidência do Conselho de Administração do J&F (grupo controlador do JBS) e depois de presidente do banco Original, pertencente ao mesmo grupo. Ao todo, trabalhou para Joesley Batista entre 2012 e 2016.

Enquanto isso, o governo Temer ainda tenta mostrar que é útil e pode tocar as reformas, tanto que articulou para que o Senado avance com a apreciação da Reforma Trabalhista – condição para que deputados caminhem com a Reforma da Previdência.

Vale lembrar que a proposta impopular da Reforma da Previdência partiu das mãos do ministro Henrique Meirelles e de sua equipe. E que a Reforma Trabalhista está em sua órbita.

Apesar das concessões feitas em negociações com o Congresso Nacional, Meirelles segue irredutível quanto ao núcleo duro da Reforma da Previdência, que também provoca o maior impacto negativo: estabelecer em 25 anos o tempo mínimo de contribuição para a aposentadoria de trabalhadores assalariados urbanos e rurais. E 15 anos para trabalhadores rurais da economia familiar. Lembrando que, hoje, são necessários 15 anos, não de contribuição, mas de comprovação de atividade a esse trabalhador rural da economia familiar – que não tem dinheiro para pagar um carnê todo o mês. Além disso, dada à alta taxa de informalidade, cerca de 80% do total dos trabalhadores já não conseguem contribuir por um quarto de século e, em média, contribuem nove meses a cada 12. Ou seja, muitos serão os que não se aposentarão se aprovadas as novas idades mínimas de 65 e 62 anos, para homens e mulheres respectivamente.

Ao mesmo tempo, o ministro propôs o aumento de idade para que idosos pobres possam pedir o auxílio do Benefício de Prestação Continuada (BPC), de 65 para 70 anos – o relator da Reforma da Prevdiiencia na Câmara dos Deputados, Arthur Maia (PPS-BA), abaixou para 68 anos. Ainda assim, três anos são um longo tempo para quem vive na pobreza.

Sem contar que Meirelles defendeu que a integralidade da aposentadoria viesse apenas com 49 anos de contribuição – Arthur Maia propôs exigir 40 anos após pressão de deputados, o que ainda é muito.

Paralelo a isso, a Câmara dos Deputados já aprovou o texto da Reforma Trabalhista, que está sob exame do Senado Federal. O seu núcleo duro é a permissão que a negociação entre patrões e empregados fique acima do que diz a lei. Em sindicatos fortes, como alguns de metalúrgicos ou bancários, isso pode render bons frutos. Em sindicatos fracos ou corruptos, negociações tendem a ser desequilibradas a favor dos patrões, aprovando reduções em direitos que coloquem em risco a saúde e a segurança de trabalhadores.

A reforma também dificulta responsabilidade de empresas que tenham trabalhadores escravos produzindo exclusivamente para elas, via terceirizadas; limita o valor de indenização a 50 vezes o último salário do trabalhador – ou seja, a morte no serviço de quem ganha um salário mínimo valeria, no máximo, R$ 46.850,00; estabelece contratos intermitentes, em que o trabalhador pode ser chamado a qualquer hora, não sabendo quanto ganhará no final do mês e de quanto será seu descanso; acaba com a remuneração do tempo de deslocamento do trabalhador quando não há transporte público disponível; entre outras dezenas de mudanças.

O mercado financeiro e o grande empresariado têm o direito de propor Henrique Meirelles para a Presidência da República e defender sua candidatura. Mas, para tanto, o eleitorado não pode ser apenas 513 deputados federais e 81 senadores de um Congresso Nacional que já demonstrou (com louváveis exceções) que representa apenas seus interesses e o de seus financiadores. A decisão de colocá-lo no Palácio do Planalto deveria partir do voto direto da população, a partir da escolha de sua proposta que mudará profundamente a estrutura do país.

A isso damos o nome de democracia. Ela foi semeada por aqui há um tempo. Mas parece que não pegou.


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mai 22 2017

1ª MOSTRA QUINTAL DE TEATRO

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mai 22 2017

JUNIOR CARRIÇO & SARAH DHY – LE MONDE – DIA DOS NAMORADOS.

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mai 22 2017

PSICOLOGIA DO TORCEDOR – José Carlos de Oliveira (Carlinhos de Oliveira).

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PSICOLOGIA DO TORCEDOR

José Carlos de Oliveira (Carlinhos de Oliveira) (*)

Acompanhei o jogo ao lado de meu primo Robertinho. Encostado num carro, em frente ao Café e Bar Silva Cruz (Posto 6), Robertinho ouvia a partida num rádio de pilha, fazendo comentários que achei quase tão interessantes quanto a dramática luta da seleção brasileira contra a do Peru:

— Zero a zero. O negócio não está mole. Meu Deus, o Aimoré insiste em botar o Tostão jogando pelo lado direito: Meu Deus, meu Deus… Sadi, segura o homem, Sadi… Segura o homem, Sadi. Segura esse tal de Bailon, Sadi! Ai meu Deus, é gol.

Peru, 1 a zero.

— Cláudio não tem tamanho para ser goleiro de seleção. Ele pegou a bola e largou. Pegar a bola e largar, veja só. E Gérson está jogando muito recuado. Estamos fritos. Ai Jesus, lá vão eles. Segura os homens, Joel! Não me faça uma coisa dessas Brito! Pronto… É gol… E agora?

Peru 2, Brasil zero.

— O Rivelino não está jogando bulhufas. Os homens estão cansados com essa excursão inteiramente maluca. Eles jogam de dia e viajam de noite; jogam de noite e viajam de dia. Assim não vai. Esse negócio de ir fazer festa para os crioulos em Moçambique não tem o menor sentido. Se queremos mostrar o nosso amor pelo Dr. Oliveira Salazar, o certo é a gente jogar lá mesmo em Lisboa. O pessoal aqui dos botequins ficaria feliz da mesma forma. Mas essa de Moçambique, essa não é normal. Não é normal; compreende? Anda, Natal, manda bala! Manda bala, Natal! E gol.

Peru 2, Brasil 1.

— Pelo menos de zero não vamos perder: Esse Aimoré está completamente por fora, com suas táticas superadas. A derrota até que vai ser boa, em certo sentido, porque a gente poderá exigir que Zagalo seja o técnico da seleção. Olha lá que mulher boa esta vindo para cá. Aquela de mini-saia em frente ao Cinema Caruso. Meu Deus, mini-saia com meias três-quartos eu não agüento. Essa moda não é normal. Palavra de honra que isso não é normal: Ai; Lá vão eles. Segura os homens, Sadi! Não posso crer: é gol. Gol dos peruanos.

Peru 3, Brasil 1.

— Você viu a pelota que a garota me deu? O papai aqui está agradando mais do que Coca-Cola em festa de criança. O juiz marcou. Gérson vai cobrar. Dá-lhe, Gérson. Ah, não. Essa não: Chuta em gol, meu Deus. Manda bala! Gérson deu a Roberto, essa não… E gol! É gol!

Peru 3, Brasil 2.

— Jairzinho está combinando bem com Roberto. Tostão já deu no pé. Coitado, um grande jogador tendo que se disciplinar para obedecer à tática do Aimoré. Lá vai Jairzinho. Lá vai e ele. E o Botafogo, o negócio é o Botafogo! É gol! Empatamos! Conseguimos empatar!

Brasil 3, Peru 3.

— O negócio agora está quente. O que Gérson está jogando não é normal. Palavra de honra que não é normal. Agora nós vamos no no embalo. É só ir no embalo. Lá vamos nós. Todo mundo na área inimiga. Assim é que eu gosto. Carlos Alberto, carimba. Carlos Alberto! E não é que ele carimbou? É gol! É gol!

Brasil 4, Peru 3.

— Esses peruanos não são de nada. Vencemos na raça. Conosco ninguém podemos. Eu quero ver a gringalhada lá no México. Brasil! Brasil!

 (*) 1934 – 1986.


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mai 22 2017

DIRETAS JÁ!

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mai 22 2017

GOLPISTA

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GOLPISTA


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mai 22 2017

SEMINÁRIO – ÁFRICAS 2017.

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AFRICA


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mai 22 2017

TORTURA – CULTURA

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mai 22 2017

JORNAL DO TOTONHO

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JORNALDOTOTONHO_1


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mai 20 2017

EDITORIAL – CABO FRIO PRECISA RESPIRAR SEM APARELHOS.

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EDITORIAL_CINZA

O esgotamento do modelo construído por Alair e Marquinhos, no final do século XX, em 1996, em Cabo Frio, é evidente. Ganha ainda mais clareza com as declarações do secretário municipal de fazenda, Clésio Guimarães Faria, que faz um pequeno retrato da dura realidade das finanças da prefeitura.

Mesmo assim, a estrutura do governo municipal continua petrificada e não dá sinais que vai mudar, ao menos por vontade própria das lideranças políticas locais. É fácil entender. Essas lideranças montaram sua hegemonia em cima do modelo político vigente: a mudança esvazia esse poder e inviabiliza a permanência dessa arquitetura político-administrativa que vive a cidade. Marquinhos e Alair teriam que fazer outra coisa na vida. Espontaneamente é bastante improvável que isso aconteça.

Caso, entretanto, a crise econômica e de confiança se agrave pipocando por todo o país, e Cabo Frio não é uma “ilha da fantasia”, o modelo se arrebenta e dá passagem para o surgimento de novos e mais modernos arranjos políticos e econômicos. A cidade vai então, respirar sem aparelhos.


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mai 20 2017

A VACA FOI PRO BREJO!

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HUMOR_CINZA

CHARGE-TEMER-PRESO

CHARGE-DILMA-TEMER

CHARGE-MORO-HAMBURGUER

CHARGE-CUNHA-MORO


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mai 20 2017

VOVÔ BIBIU QUER XILINDRÓ PARA OS GRILEIROS.

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VELHO1

Paulo Ramos: tirando “casquinha”.

Tentou em Tamoios, não deu certo. Agora, investe no bairro de Maria Joaquina, na tentativa de arrumar uns votinhos para 2018: o deputado Paulo Ramos (PSOL) não toma jeito e mais uma vez tenta tirar uma “casquinha” de Cabo Frio.

Cadeia para os grileiros.

A mídia anuncia que a prefeitura de Cabo Frio e o Inea estão coibindo a grilagem, na APA da Bacia do Rio São João. O problema é antigo e deve ter gente ganhando muito dinheiro com isso. A pergunta que não quer calar é: por que não se põe esse pessoal na cadeia de uma vez por todas?

Olho vivo na Praia do Foguete.

Não é só na Apa da Bacia do São João que a grilagem corre solta. É preciso ampliar o olhar em direção a Praia do Foguete, valorizadíssima, cuja orla tem problemas gravíssimos. A própria Prolagos precisa estar atenta nessa região.

“Dobradinha”, que dói.

CUNHA-SILASBENTO

O deputado Silas Bento (PSDB) deve estar arrependido até hoje de ter feito “dobradinha”, nas últimas eleições com o então deputado Eduardo Cunha (PMDB). Cunha, “hóspede” de Moro, em Curitiba estava recebendo uma grana da JBS para ficar calado, com o aval de Temer (PMDB).

A farsa!

Marquinhos Mendes (PMDB) e Alair Corrêa (PP) pensam que a população é constituída por um bando de otários. Ficam trocando farpas para manter o jogo apenas entre si e não permitir ampliar o universo político da cidade. Se fosse de verdade teríamos uma CPI sobre Procaf, Secaf e Comsercaf.

MART

MART

O Museu de Arte Religiosa e Tradicional (MART), instalado no Convento de Nossa Senhora dos Anjos, está realizando um belo trabalho na área de eventos culturais como há muito tempo não se via em Cabo Frio. É o museu cumprindo seu papel na sociedade.

Força política.

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O presidente da Comsercaf Cláudio Moreira está dando seguidas demonstrações de força. Além de ter conseguido se manter no cargo partiu para a ofensiva política através de entrevistas e críticas a adversários.

O homem do borogodó.

Até o momento Cláudio Moreira tem resistido à recomendação do Ministério Público, o que não é fácil. Axiles, irmão de Alair, não resistiu e caiu. Marquinhos demitiu o sogro, o cunhado e até mesmo a esposa. Cláudio Moreira ficou. Qual o borogodó do presidente da Comsercaf?

Mirinho Braga e a Democracia.

MIRINHO_BRAGA_5

O ex-prefeito de Búzios, Mirinho Braga (PDT) tem feito seguidas intervenções nas redes sociais da Internet, em defesa da liberdade de expressão e das causas democráticas. Raro exemplo de político do interior com visão mais ampla da sociedade brasileira.

O desgaste de André.

ANDRE-GRANADO-3

Por outro lado o prefeito de Búzios André Granado (PDT) tem sofrido amplo desgaste político, com seguidos pedidos de afastamento. A pergunta que não quer calar é: qual a posição do vice-prefeito Henrique Gomes (PP)? Búzios nunca apareceu tão mal no noticiário nacional.


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mai 20 2017

O ALVO FINAL É LULA – Mauro Santayana

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ARTIGOS_CINZARepresentação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul): colunista político do Jornal do Brasil, jornalista Mauro Santayana durante debate sobre debate os desafios e perspectivas para a América do Sul, relacionados a crise, estado e desenvolvimen

O ALVO FINAL É LULA

Mauro Santayana

Aqueles que estão soltando foguetes que nos desculpem, mas não nos colocamos entre os que comemoram, efusivamente, as últimas notícias.

Moralmente e por uma questão de princípios em defesa da democracia, quem está contra os casuísmos e arbitrariedades jurídico-investigativas da Operação Lava Jato no caso de Lula, tem que se manter contra esse tipo de coisa também quando o atingido é o campo adversário.

Até mesmo porque parte, e faz parte da estratégia, de quem tem apenas um interesse: o seu próprio lado.

Não vemos como solução para o país um impeachment de Temer a ser conduzido pela figura nefasta da Janaína Paschoal, que já defende essa hipótese para aparecer nos jornais, nem a convocação de eleições indiretas para a Presidência da República para as quais a mídia já especula, significativamente, citando o nome de Sérgio Moro, se “magistrado poderá ser candidato”.

Isso, em um processo a ser conduzido por um congresso majoritariamente golpista, em grande parte também investigado por uma operação cuja autoridade máxima é o próprio “chefe” da República de Curitiba.

A ideia de uma nova campanha pelas Diretas Já é correta, do ponto de vista da lógica democrática.

LULA

Mas se formos objetivos e pragmáticos, considerando a atual situação política, retira tempo precioso da oposição, que poderia ser utilizado, caso as eleições se fizessem normalmente em 2018, para que Lula se recuperasse e refizesse – aproveitando a crescente impopularidade do governo Temer e denunciando e esclarecendo as mentiras de que tem sido alvo – sua relação com a opinião pública e seu caminho para a Presidência da República.

Uma eleição agora, mesmo que direta, pode jogar o poder no colo de Jair Bolsonaro, apoiado pela sensação de caos institucional, pela condição de não estar sendo processado pela Lava Jato, e, caso chegue ao segundo turno, como as pesquisas indicam, por uma aliança que abrangeria da extrema-direita a setores mais oportunistas do próprio PMDB e do PSDB, passando pelo “centro” fisiológico dos partidos nanicos conservadores, unida pelo objetivo comum de evitar, a qualquer custo, que o PT e sua “jararaca” voltem à Presidência da República.

 Finalmente, a leitura mais correta é de que os principais alvos das mais recentes manobras da “justiça” não sejam nem Temer nem Aécio, por mais implacáveis que sejam, contra ele, os juízes e procuradores.

As acusações contra os dois foram forjadas – já que se tratam claramente de arapucas propositadamente montadas – como forma de abrir caminho, definitivamente, para a condenação de Lula.

A percepção da população de que a Justiça e o Ministério Público estavam sendo totalmente seletivos e parciais no trato dos gregos com relação aos troianos vinha crescendo a olhos vistos nas últimas semanas, e aumentava, na mesma proporção, a popularidade e as intenções de voto do ex-presidente da República, especialmente depois de seu depoimento em Curitiba e da absurda proibição de funcionamento do seu instituto.

Com as acusações contra Temer e Aécio, o anti-petismo entrega duas torres para capturar e eliminar o Rei que odeia e persegue, sem êxito, há tanto tempo.

A partir de agora, ninguém pode mais dizer que a Operação Lava Jato só atinge o PT, enquanto afaga seus adversários.

E Lula poderá então, ser condenado “exemplarmente” por Moro, aproveitando-se o caos político que tomará conta do país nas próximas semanas, sendo definitivamente impedido de voltar por via eleitoral ao Palácio do Planalto, tanto agora, em eventuais “Diretas Já”, como em 2018.


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mai 20 2017

GLOBO: HOSTILIZADA PELO POVO!

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NOTICIAS

Hostilidade a Globo.

A Rede Globo anda tão mal vista junto à população, que suas “coberturas” das manifestações pela renúncia de Michel Temer, estão sendo realizadas através de helicópteros ou do alto de prédios. Os jornalistas são hostilizados por onde passam. A emissora, caracterizada por suas manipulações, tem o seu “jornalismo” inteiramente desmoralizado.

Crise: análise de poucos.

São poucos os políticos da Região dos Lagos, que se arriscam a analisar a política nacional, principalmente em momentos como o que vivemos. Janio Mendes, José Bonifácio Novellino, Mirinho Braga e até Silas Bento, cujo partido é da base de Temer, tem se pronunciado sobre a crise brasileira. Marquinhos Mendes, até agora, nada!


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mai 20 2017

PARÁBOLA DO HOMEM RICO – Vinícius de Moraes.

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CRO_E_POE_CINZA

V

PARÁBOLA DO HOMEM RICO

Vinícius de Moraes

Todos são poetas à sua maneira, mas é bem possível que, se todos o fossem realmente, não houvesse mais lugar para a poesia. Porque a poesia é a amante espiritual dos homens, aquela com quem eles traem a rotina do cotidiano. A poesia restitui-lhes o que a vida prática lhes subtrai: a capacidade de sonhar. O desgaste físico e moral imposto pelo exercício das profissões, em que o ser humano deve despersonalizar-se ao máximo para atingir um índice ideal de eficiência – eis a grande arma da poesia. Depois que o banqueiro passa o dia manipulando o jogo de interesses do seu banco, vem a poesia e, na forma de um beijo de mulher, diz-lhe que o amor é menos convencional que o dinheiro. Ou o bancário, que passa o dia depositando e calculando o dinheiro alheio, ao ver chegar a depositária grã-fina, linda e sofisticada, sonha em tornar-se um dia banqueiro. E fazendo-o, invade o campo da poesia. Pois tudo é fantasia. Cada ação provoca um sonho que lhe é imediatamente contrário. Tal é a dinâmica da vida, e sem ela a poesia não teria vez.

Isso me faz lembrar certa noite em Paris, num jantar com meus amigos Marie-Paule e Jean-Georges Rueff, em companhia de um grande comerciante francês, um homem super-rico, dono de um dos maiores supermercados da França, superviajado, superlindo e casado com uma mulher superlinda. Nós nos havíamos conhecido alguns anos antes, em Estrasburgo, onde ele e os Rueff então moravam, e um pilequinho em comum nos havia aproximado, depois de um papo de coração aberto que nos levou até a madrugada. O assunto agora era o mesmo, a poesia, e o nosso prezado homem rico, depois de discutirmos um pouco a extraordinária vida desse jovem gênio que foi o poeta Jean-Arthur Rimbaud, fez-nos ver que não há casamento possível entre o Grande Lírico e o Grande Empresário: ou se é uma coisa, ou se é outra. O verdadeiro homem de empresa ao mesmo tempo inveja e despreza o poeta, uma vez que não se pode preocupar além dos limites com as palavras da poesia. Elas são, para ele, o reverso da medalha: o ouro impalpável. E como as mulheres – dizia-me ele ao lado da sua – são seres devorados de lirismo, sobretudo no amor, o capitalista tinha que pagar seu preço ao artista: e esse preço, via de regra, era a própria mulher.

– Elas ficam conosco porque nós representamos poder aquisitivo, podemos dar-lhes as coisas de que necessitam para ficarem mais sedutoras, terem mais disponibilidade para cuidar da própria beleza. Mas essa beleza, elas a entregam a vocês, os artistas. No fundo, as mulheres nos odeiam. O que não impede que vocês sejam todos gigolôs do capitalismo.

Ponderei-lhe que já conheci vários homens de empresa que tinham passado na cara mulheres de artistas, mas o nosso prezado homem rico não se deixou perturbar e me disse assim:

– É porque não se tratava de artistas verdadeiramente grandes e puros. Seriam, provavelmente, contrafações. As mulheres sentem. As mulheres só abandonam um iate em Saint-Tropez por um apartamentozinho na Rive Gauche à base do amor integral. E esse amor, só o artista verdadeiramente puro pode dar. Nós, os grandes empresários, temos um outro tipo de pureza. O nosso maior amor é o dinheiro e, através do dinheiro, o poder. A mulher vem na onda.

– Eu conheci e era amigo – ponderei-lhe – de um grande poeta que foi também um grande homem de negócios.

– Grande mesmo? Duvido. Esse tipo de dualidade cria uma profunda infelicidade pessoal. Não se serve ao Deus e ao Diabo ao mesmo tempo.

Admirei-lhe, não sem uma certa sensação de desconforto, a franqueza e honestidade – ele, um belo homem, em plena força de seus quarenta anos, ao lado de sua mulher extraordinariamente linda, com um solitário no anular quase tão grande quanto um ovo de codorna, a nos escutar com uma atenção diligente. Fechado o restaurante, resolvemos esticar na boate New Jimmy’s. O nosso prezado homem rico fez uma grande volta para passar diante do seu empório, a fim de ministrar-me uma aula: todo um quarteirão de supermercado, com três pavimentos servidos por escadas rolantes e centenas de vendedores e vendedoras com ordens expressas de serem simpáticos, mas impessoalmente, nunca além do limite, de modo a não retardar com conversas ou excessos de cortesia o fluxo incessante das compras.

– Eu tenho uma média de três a cinco pessoas que são presas diariamente pela minha polícia, por furto de objetos. Em geral, depois de pregar-lhes um susto, eu os deixo ir.

Depois, na direção do seu Rolls-Royce, cujo chofer dispensara, tirou do bolso do paletó a cigarreira da prata e com gestos precisos acendeu um cigarro e, olhando-me pelo espelhinho da direção, me perguntou com uma voz que não permitia réplica:

– Não é uma beleza, poeta?


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mai 20 2017

JORNAL DO TOTONHO

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mai 19 2017

EDITORIAL – CABO FRIO TEM QUE MUDAR A ESTRUTURA VICIADA.

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GEMEOS

Impossível trabalhar sem estar ligado no noticiário sobre a crise institucional que vive o país. Ela é profunda, abrangente e exige repensar o país, sem que isso implique na diminuição de direitos e das prerrogativas democráticas, que o país demorou tantos anos para conquistar.

O que vale para o Brasil é também essencial para Cabo Frio. Vivemos o momento histórico do esgotamento do modelo político-administrativo estabelecido com a ascensão, em 1997, da dupla formada por Alair Corrêa e Marquinhos Mendes, que ao longo de duas dezenas de anos mantiveram a hegemonia no município.

Foi o período dos royalties abundantes e com preços supervalorizados. Nele os “gêmeos siameses” fizeram de tudo um pouco, mas acima de qualquer coisa, dilapidaram imensos recursos, bilhões de reais, sem mudar uma vírgula na estrutura de Cabo Frio.

A imensa lambança não gerou autocrítica e ambos insistem em permanecer, apesar de nenhum dos dois ter qualquer condição de realizar as grandes mudanças que a cidade exige. Falta aos dois condições políticas e autoridade para destruir uma estrutura viciada e criar novos patamares para o desenvolvimento.


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mai 19 2017

MICHELECO

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mai 19 2017

VOVÔ BIBIU QUER DAR UMA SURRA DE CIPÓ CAMARÃO EM TEMER.

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A educação de Marquinhos Mendes.

Fechar turmas em escolas públicas como Rui Capdeville, Luís Lindenberg e Tânia Ávila revelam a natureza do governo municipal: superlotam salas de aula para poder economizar. Aquele velho papo: educação pública pra eles é sinônimo de despesa.

Futuro comprometido.

Crianças, jovens e os professores, como sempre, são os mais prejudicados. Os administradores comprometem as chances e o futuro de muita gente e deveriam ser penalizado exemplarmente. Depois não sabem por que a insegurança pública é cada vez maior.

O que esperar?

O que esperar de um prefeito que em seu primeiro discurso, no dia da posse, cunha (sem trocadilho) a frase que tem sido o lema do seu governo: “farinha pouca meu pirão primeiro”? É preciso que o prefeito que já passou pelo “Caso Abílio” tenha respeito pelo cargo que ocupa.

Como é que fica Vivique?

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Ao final das eleições para o senado, derrotado, o atual presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), cometeu a indelicadeza de chamar publicamente o prefeito de Cabo Frio, Marquinhos Mendes (PMDB) de “moleque”. Hoje, o prefeito diz que apoia à reeleição a câmara federal do filho de Picciani, Leonardo. Como é que fica Carlos Victor, o “grande irmão”?

E as “pautas bombas”?

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O prefeito de Cabo Frio além de ser do PMDB, mesmo partido de Temer, Cunha e Picciani, era membro, quando deputado, do popularmente conhecido “baixo clero”. Votou tudo que o grupo exigia, sempre contrário aos interesses dos trabalhadores.

A dupla Temer/Cunha

Quem lembra das “pautas bombas” do então presidente do congresso, Eduardo Cunha (PMDB), que voltou ao noticiário nacional ao chantagear o ainda presidente Michel Temer (PMDB)? O prefeito de Cabo Frio era deputado da bancada da dupla Temer-Cunha e hoje seu caso é citado pelo Ministro Barroso (STF) como exemplo de mau uso do foro privilegiado.

Escala de poder na prefeitura de Cabo Frio.

Segundo as vibrações emitidas pelas “paredes murmurantes” as figuras com maior poder político dentro do governo Marquinhos Mendes (PMDB) são o advogado Carlos Magno e o médico Hélcio Azevedo. Logo a seguir o “grande irmão” Carlos Victor, que não tem cargo formal na administração.

Janio pelas Diretas Já!

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Na Assembleia Legislativa, o deputado Janio Mendes firmou posição pelo afastamento do presidente Michel Temer (PMDB). O deputado está engajado na luta pelas Diretas Já, que é, inclusive, a posição do seu partido, o PDT, que tem Ciro Gomes como candidato a presidente.

Silas: chocado com a corrupção!

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O deputado Silas Bento é tucano e da base de Temer e Aécio, que é o presidente nacional do seu partido, o PSDB. Mesmo assim, o deputado cabofriense se revelou muito chocado com a corrupção e manifestou seu descontentamento através das redes sociais. Silas, nas eleições de 2014 foi apoiado pelo então deputado Eduardo Cunha (PMDB).

Apresentação do Grupo Amadeus, no MART.

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O MART (Museu de Arte Religiosa e Tradicional) continua contribuindo enormemente para o desenvolvimento dos eventos culturais na cidade. Na noite de 25 de maio, às 19:30 horas acontece a apresentação do Grupo Amadeus.


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mai 19 2017

O LANÇAMENTO DO LIVRO “CABO FRIO – 400 ANOS DE HISTÓRIA – 1615/2015″ É HOJE NO MART – 18:30 HORAS.

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