nov 22 2014

QUELÉ, A PORTARIADA!

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ZUZU

QUELÉ, A PORTARIADA!

QUELÉ: Ele foi viajar, passeou pelos “esteites” e nem me convidou.

LULLU: Sossega Quelé, deixa de ser olho grande, tem uma parceria parecida com você: gorda.

QUELÉ: Maria Portaria foi?

LULLU: Não, foi pro Ceará com um bonitão, que pegou na “Sala de Oração”.

QUELÉ: Vou orar.

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nov 22 2014

O LEITOR CLICA E ESCREVE

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VIATURA

VIATURA2

Esta viatura presta serviço a prefeitura de Cabo Frio, mas vive sempre em Búzios. É estranho. Em Cabo Frio fica sempre estacionada na Rua Rui Barbosa, mas, em Búzios, ao lado do Campo da SEB.

 

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nov 22 2014

O LEITOR ESCREVE: BUROCRACIA ATRAPALHA RECLAMAÇÃO

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ONIBUS

Com muita tristeza que hoje fui fazer uma reclamação da salineira quem me atendeu pediu rg.cpr.hotmail em fim começou a me fazer tanta pergunta onde eu dava a placa do onibus a rota e horário onde ouve a infração e a pessoa do 0800 não parava de fazer perguntas onde eu vi que não iria servir de nada pôs nossos motoristas de onibus andão todos estressados e tão mal educados e infelizmente não temos onde reclamar pôs esse setor atual de reclamação não funciona devido a burocracia

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nov 22 2014

RAPIDINHAS DO JORNAL DO TOTONHO

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RAPIDINHAS DO JORNAL DO TOTONHO

01) O “governo da dignidade” é tão digno, mas tão digno, que o secretário da dignidade, pegou o boné, deu tchau e se mandou.

02) As “paredes murmurantes” do Palácio Tiradentes mandam dizer que o prefeito de Cabo Frio retornou de sua viagem ao exterior: ninguém notou.

03) Uma dica: alguma “mídia amiga” bem que poderia entrevistar o trio da secretaria de turismo. Quem sabe não tem alguma novidade para o Verão?

04) O “ônibus londrino” continua a rodar pela cidade, sem ter bem o que mostrar. Afinal, os patrimônios ambiental e histórico estão degradados. Mostrar o que?

05) A sociedade cabofriense continua, com toda paciência, aguardando o pronunciamento oficial da secretaria municipal de 1/3 do ambiente sobre a Reserva do Peró.

06) Mesmo após a derrota eleitoral, Paulo César Guia (PR) continua calado. Não se pronuncia sobre seu futuro político. É um enigma!

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07) Sumido está o ex-secretário municipal de cultura, José Correia Baptista. Lançou mais um número da sua revista “Nossa Tribo” e sumiu, “ninguém sabe, ninguém viu”.

MILTON-ALENCAR-JUNIOR

08) Cada vez mais dentro do governo, o cineasta Milton Alencar Jr, está sendo chamado de “secretário de cultura” da Comsercaf. Pode isso, Arnaldo?

09) A Taxa Defunto, mais um “mimo” do “Governo Sereníssimo” para a população, corre o risco de não colar, como tanta coisa nesse país.

10) A sorveteria “Vem Cá”, vizinha do “90º”, está bombando com o sabor “tapioca”. Nesse calorão, é irresistível.

 

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nov 22 2014

BEIJA-MÃO

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CORTE

A parentada aguardava ansiosa o retorno de Sua Alteza Sereníssima. Mesmo que o vice-prefeito Silas Bento (PSDB) tenha se comportado direitinho, sempre será um aliado, não muito confiável, devido o seu passado de sérios entreveros com o prefeito Alair Francisco (PP). A parentada só confia no “Chefe” e já se espera alguns dias de bajulação explícita para comemorar o retorno do “parente maior” que, dá os gordos empregos a turma. Quando vai acontecer o novo “beija-mão”?

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nov 22 2014

LINDA DEMAIS – 1

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nov 22 2014

SUMIRAM!!!!!!!!!!!

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pensamento

Na luta dos ambientalistas pela preservação das dunas ativas da Reserva do Peró, a ausência do PV e do novato PEN, ambos sem representação na Assembleia Legislativa, não passou despercebida, apesar do nenhum apelo popular dos dois partidos, especialmente em Cabo Frio. A situação do PV deve ficar ainda mais complicada depois que a Rede, de Marina Silva, estiver oficializada: a maior parte da militância, formada por ambientalistas com história e credibilidade, deve migrar para o novo partido.

 

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nov 22 2014

ESTA É A VERDADEIRA CARA DE CABO FRIO

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Casa de Wolney destruída.

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Boulevard Canal depredado.

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O bairro do Jacaré alagado.

A chegada da alta temporada enche de preocupação os moradores de Cabo Frio. A cidade se mostra totalmente despreparada para receber grande quantidade de turistas, na medida em que os últimos governos optaram pelo chamado “turismo de massa”, conhecido pela sua capacidade de destruição. O governo mal consegue limpar o centro da cidade, em especial a Orla da Praia do Forte, imagina então o que vai acontecer com a periferia, quando os esforços da prefeitura estiverem concentrados nas áreas turísticas. É preocupante! Muito preocupante!

 

 

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nov 22 2014

ILHA DO JAPONÊS: BAGUNÇA & SUJEIRA

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ILHA DO JAPONÊS: BAGUNÇA & SUJEIRA

A área da Ilha do Japonês que fica lotada todo fim de semana, mesmo sendo de proteção ambiental, não recebe nenhum cuidado especial, seja do INEA, seja da prefeitura de Cabo Frio. O estacionamento ilegal sobre vegetação nativa acontece, sem qualquer fiscalização, como churrascos, motos e bicicletas passeando a vontade e óbvio, onde a bagunça se instala, vêm também à sujeira. Ninguém dá conta de nada. O que tem a dizer as autoridades públicas? Nada!

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nov 22 2014

LINDA DEMAIS – 2

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nov 22 2014

O REI ESTÁ NU!

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nov 22 2014

JEAN WYLLYS: DEVOLVE, GILMAR! VAMOS FALAR SÉRIO SOBRE CORRUPÇÃO E POLÍTICA

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ARTIGOS_CINZA

DIVERSIDADE SEXUAL/PALESTRA

Jean Wyllys (*)

JEAN WYLLYS: DEVOLVE, GILMAR! VAMOS FALAR SÉRIO SOBRE CORRUPÇÃO E POLÍTICA

Os sentidos da Operação Lava Jato: devolve, Gilmar!

A promiscuidade entre política e mundo dos negócios produz enormes prejuízos para a democracia: além da corrupção, dá poder às empresas de eleger candidatos e conseguir maioria no Congresso.

 GILMAR

Gilmar Mendes

A Operação Lava Jato  poderia ser uma oportunidade excepcional, dessas que quase nunca ocorrem, para discutir seriamente o problema da corrupção no Brasil e a forma com que ela prejudica a democracia. Pela primeira vez, as principais empreiteiras estão sendo investigadas e 21 executivos foram presos pela Polícia Federal, entre eles os presidentes de algumas delas. Não estamos falando de quaisquer empresas, mas daquelas que realizam as mais importantes obras públicas, financiadas pelos governos federal, estaduais e municipais de diferentes partidos e que, ao mesmo tempo, são as principais financiadoras das campanhas eleitorais que elegeram esses governantes.

Os grandes esquemas de corrupção — que sempre são apresentados pela cobertura jornalística, de forma falaz, como se fossem apenas uma espécie de degeneração moral de determinadas pessoas — geralmente associada ao partido que está no governo, revelam-se no caso da Lava Jato como o que realmente são: um componente fundamental de um sistema econômico e político controlado não por funcionários corruptos, mas pelas empresas corruptoras.

Repassemos alguns dados.

As empreiteiras investigadas são nove: OAS, UTC, Queiroz Galvão, Odebrecht, Camargo Corrêa, Iesa, Galvão Engenharia, Mendes Junior e Engevix.

Juntas, elas têm contratos com a Petrobras de 59 bilhões de reais. Só no Rio de Janeiro, três dessas empreiteiras (OAS, Camargo Corrêa e Odebrecht) participam, associadas em diferentes consórcios, das dez maiores obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas (linha 4 do metrô, Maracanã, Parque Olímpico, Transcarioca, Transolímpica, Porto Maravilha etc.) por um valor total de 30 bilhões. Elas têm contratos com governos de quase todas as cores. Várias delas também participam da privatização dos aeroportos e das obras do PAC, do governo federal, mas também das obras do metrô de São Paulo, envolvidos num caso de corrupção pelo qual é investigado o governador Geraldo Alckmin, que também recebeu dinheiro de empreiteiras para sua campanha.

Com negócios diversificados e participação em diferentes escândalos de corrupção, a lista das empreiteiras mais importantes do País é liderada pela Odebrecht que, segundo o ranking da revista O Empreiteiro, tem um faturamento de 5.292 bilhões de reais.

Você sabe quanto dinheiro “doou” essa empresa para diferentes partidos e candidatos nas últimas eleições? Mais de 30 milhões de reais! A Odebrecht doou para todos os seguintes partidos: PSDB, PT, PSB, PMBD, PP, DEM, PCdoB, PV, Solidariedade, PROS, PRB, PSD, PPS, PSC, PCdoB, PTC e PSL. Eles doaram 2,95 milhões para a campanha da Dilma, 2 milhões para a campanha do Aécio e 500 mil para a campanha de Eduardo Campos (depois somou quase 50 mil a mais para a campanha da Marina), mas também para candidatos a governador e deputado e para os comitês financeiros e as direções nacional e estaduais de diferentes partidos.

De todos os partidos que elegeram representantes para o Congresso Nacional, o único que não recebeu dinheiro de nenhumadas empreiteiras investigadas (aliás, de nenhuma empreiteira!) foi o PSOL. Sim, foi o único!

A segunda maior empreiteira do ranking, com um faturamento de 5.264 bilhões, é a Camargo Corrêa, que doou, por exemplo, 1,5 mi para o DEM. A empreiteira Queiroz Galvão fez doações de campanha por mais de 50 milhões, beneficiando candidatos de 15 partidos, entre os quais o PT, o PSDB, o PMDB, o DEM e o PSB. Também doaram 200 mil reais para a campanha do nanico pastor Everaldo.

Outra campeã das doações foi a OAS, com uma generosidade política de mais de 52 milhões que beneficiou Aécio, Dilma, Marina e candidatos de 12 partidos. A UTC fez doações de 34 milhões e também foi ampla na distribuição, beneficiando a 11 partidos, entre os quais estavam os mais importantes da situação e da oposição. E por aí vai. Todas elas estão envolvidas na investigação da Polícia Federal.

Alguns candidatos não recebem dinheiro de uma determinada empresa de forma direta, mas essa empresa doa para o comitê do partido, ou para sua direção nacional ou estadual, que por sua vez faz uma doação ao candidato. Ou então a empresa pode doar para um candidato a deputado, que depois faz uma doação para o candidato a presidente, ou vice-versa. Algumas empresas têm diferentes denominações, cada uma com um CNPJ distinto. Mas a quantidade de dinheiro que sai da União, dos Estados e dos municípios e vai para as empreiteiras mediante contratos para obras públicas, e que sai das empreiteiras e vai para os candidatos e seus partidos, é imensa. E essa promiscuidade entre política e mundo dos negócios produz enormes prejuízos para a democracia.

O problema não é apenas a corrupção direta, a propina e a lavagem de dinheiro. É também o poder que essas empresas têm para desbalancear o sistema democrático, apoiando determinados candidatos e candidatas com quantias absurdas de dinheiro que fazem com que os e as concorrentes de outros partidos tenham pouquíssimas chances de vencer, a não ser que entrem no esquema.

Nas últimas eleições, 326 parlamentares tiveram suas campanhas financiadas por empreiteiras (nenhum do PSOL!). E, entre eles, 255 receberam dinheiro das envolvidas na operação Lava Jato. Façamos as contas. Os candidatos das empreiteiras são maioria no Congresso! Dentre eles, 70 deputados e 9 senadores são citados nas investigações. E há governistas e opositores — inclusive petistas e tucanos (mas alguns jornais e revistas citam apenas os petistas).

O financiamento empresarial das campanhas favorece esse esquema e prejudica os que não querem fazer parte dele. Eu fui o sétimo deputado federal mais votado do estado do Rio de Janeiro, com 144.770 votos, e a receita total da minha campanha foi de 70,892.08 mil reais em doações físicas, sendo que, destes, 14 mil correspondem a trabalhos de voluntários. Não recebi (e nem quero!) um centavo das empreiteiras.

Agora vou dar um exemplo contrário: deputado Eduardo Cunha, que teve 232.708 votos e foi o terceiro mais votado do estado, declarou uma receita de mais de 6,8 milhões de reais! Sim, você leu bem: quase 7 milhões. Os diretórios nacional e estadual do PMDB, seu partido, que também doou dinheiro para ele, receberam “ajuda” da OAS (3,3 milhões), da Queiroz Galvão (16 milhões), da Galvão Engenharia (340 mil) e da Odebrecht (8 milhões). O PMDB governa o estado que dá a algumas dessas empreiteiras obras públicas milionárias. Isso sem falar dos bancos, empresas de mineração, shoppings e outros empreendimentos que depositaram na conta de Cunha.

Vocês percebem como o é injusto e antidemocrático que um candidato honesto, que conta apenas com doações de amigos, militantes e simpatizantes, contra outro que recebe quase 7 milhões de bancos e empreiteiras? Vocês percebem como isso faz com que nosso poder, eleitor, seja cada vez menor, e com que o poder da grana se imponha cada vez mais?

Agora pense no seguinte: Eduardo Cunha pode ser o próximo presidente da Câmara dos Deputados! Ele é um dos cérebros da bancada fundamentalista, foi o grande articulador da presidência da CDHM para o pastor Marco Feliciano e é o porta-voz do que há de mais reacionário, retrógrado, conservador e antipopular no Congresso. Algumas pessoas acham que o grande vilão da direita é Jair Bolsonaro, mas na verdade, ele é apenas um personagem caricato, bizarro, que tem mais holofotes do que merece. O verdadeiro poder radica em personagens menos conhecidos, como Cunha, que se mexem nas sombras. E as doações milionárias entram na conta dele.

Mas eu comecei dizendo que tudo o que está acontecendo em torno da operação Lava Jato poderia ser uma oportunidade excepcional para discutir seriamente o problema da corrupção no Brasil e a forma com que ela prejudica a democracia. Poderia ser, mas não está sendo. A maioria da imprensa e alguns líderes da oposição com espaço na mídia está tentando passar a impressão de que se trata, apenas, de um novo “escândalo de corrupção do PT”.

Delegados e fontes do judiciário ligadas a partidos de direita vazam de forma seletiva informações que envolvem apenas os corruptos petistas, mas escondem as que poderiam prejudicar os corruptos tucanos ou de outros partidos. Tudo passa a ser “culpa da Dilma, do Lula e dos petralhas”. E o PSDB e seus aliados da direita tentam se apropriar da operação e se apresentar como os paladinos da moral e da honestidade que querem nos livrar dessas mazelas. Hipócritas!

É claro a corrupção na Petrobras durante os governos petistas que tem que ser investigada — mas também durante os governos tucanos e os governos anteriores aos tucanos! É claro que temos que investigar todos os funcionários e parlamentares envolvidos nos esquemas, seja do partido que forem. O PT e seus aliados têm uma enorme responsabilidade nisso tudo. Mas enquanto pensarmos na corrupção apenas como uma sucessão de casos particulares e olharmos para ela apenas como um problema moral seremos como aquele personagem da publicidade “Sabe de nada, inocente!”. O escândalo está sendo instrumentalizado por uma parte da imprensa não apenas para atacar o governo, mas também para colocar a Petrobras no alvo de discursos privatizadores! Ou seja, a questão é muito mais complexa!

Por isso, e se realmente quisermos fazer algo que tenha impacto real contra a corrupção, o primeiro passo é acabar com o financiamento empresarial de campanha. A OAB apresentou no Supremo Tribunal Federal uma ADIN (ação direta de inconstitucionalidade) para proibi-lo, e tem todo o apoio do PSOL. Seis dos onze ministros já votaram favoravelmente, mas o ministro Gilmar Mendes, Advogado Geral da União durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, pediu vistas do processo em abril desse ano e, desde então, nada fez a respeito.

Diversos movimentos sociais e políticos lançaram a campanha #devolvegilmar, para que o ministro conclua suas vistas e permita que ela seja julgada. O fim do financiamento empresarial de campanhas deveria ser, também, um dos principais eixos da reforma política que o Brasil precisa. Porque com um Congresso cujos integrantes foram financiados pelas principais empreiteiras envolvidas nesses esquemas, não haverá “CPI das empreiteiras”, da mesma forma que não avançará a CPI da Petrobrás. Tudo será tratado como mais um escândalo.

Se quisermos que a corrupção deixe de ser, apenas, o tema favorito das manchetes de jornal, e passe a ser combatida de forma realista e eficaz, sem hipocrisia, precisamos produzir reformas estruturais no sistema político e econômico e não apenas fazer julgamentos morais partidarizados. Precisamos cortar um dos principais rios de dinheiro que corrompe a política e, ao mesmo tempo, diminui o poder dos eleitores, transformando os governos e o Congresso em reféns dos interesses de um pequeno grupo de empresários com negócios bilionários.

Devolve, Gilmar! Vamos falar sério dessa vez!

(*) Carta Capital

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nov 22 2014

PSICOLOGIA E RACISMO: O DESAFIO DE ROMPER A OMISSÃO

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Valter da Mata (*)

Mestre em Psicologia Social Valter da Mata defende a necessidade de se rever algumas das lógicas reproduzidas pela Psicologia brasileira, que precisa dar mais atenção ao problema do racismo

Por Jarid Arraes

No Brasil, há uma profunda dificuldade em se ter acesso a dados sobre a saúde mental da população negra. Isso acontece porque a cor não é uma informação coletada e analisada pelos órgãos responsáveis, como se o recorte racial fosse irrelevante para compreender os transtornos mentais. Para entender melhor sobre o tema, é preciso se aprofundar na busca de trabalhos acadêmicos pontuais e livros escritos por psicólogos que, não por acaso, são na maioria das vezes pessoas negras.

Segundo um artigo publicado no Jornal Brasileiro de Psiquiatria e disponível no Scielo, “os sujeitos de cor negra permaneceram, em média, 71,8 dias internados [em hospitais psiquiátricos], enquanto os de cor parda permaneceram 20,3 dias e os de cor branca, 20,1 dias”. No entanto, é importante perceber que essas pessoas são as que se encontram nos quadros mais agudos de desamparo, pois não recebem visitas e, muitas vezes, não possuem familiares ou amigos que possam oferecer assistência após o período de internação.

Um exemplo desse tipo de equívoco quanto ao recorte racial dos transtornos mentais, especialmente se tratando do acolhimento de pessoas negras, pobres e moradoras de rua, aconteceu no dia 6 de fevereiro de 2013 no Crato, cidade que fica na região do Cariri, interior do Ceará. Um cidadão negro chamado Francisco do Nascimento, que sofre de transtornos mentais, entrou em surto no centro da cidade após ser insistentemente maltratado e provocado pelas pessoas ao seu redor, que rejeitavam a sua presença nas calçadas e arredores. Francisco foi amarrado a um poste por dois agressores e a polícia foi chamada ao local, onde os policiais se negaram a socorrer e transportar o homem a um centro onde pudesse ser atendido. Por horas preso sob tratamento humilhante e desumano, o cidadão virou personagem principal de uma situação lamentável, onde as pessoas o observavam como um ser exótico e conviviam naturalmente com a imagem de um homem negro amarrado em praça pública.

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A humilhação pública de Francisco do Nascimento (Foto Raquel Paris)

Em relato sobre o caso publicado no blog da jornalista Raquel Paris, alguns pontos importantes são apresentados no desfecho da situação: “Por fim, soldados do Corpo de Bombeiros o desamarraram e encaminharam Francisco ao único hospital psiquiátrico de toda região. Chegando ao Santa Tereza, foi admitido e medicado. No dia seguinte, atendido pela psicóloga Leda Mendes Pinheiro, reclamou da forma com que foi tratado e principalmente por nem água ter bebido. Segundo ele, sua intenção era juntar o lixo da rua. Tudo se transformou em caso de polícia quando os lojistas foram hostis e ele reagiu com hostilidade. Ainda segundo a psicóloga, ele estava bem, orientado e participando das atividades”.

No entanto, a realidade da população de rua e das pessoas negras que acabam necessitando de atendimento psiquiátrico e internações não é a única face do racismo como problema de saúde mental. O racismo vigente no Brasil causa prejuízos à autoestima e autonomia das pessoas negras e suas consequências são seríssimas em diversos âmbitos subjetivos e sociais. De uma forma ou de outra, esse conhecimento não é devidamente divulgado e, ao contrário de diversos outros temas relacionados à Psicologia, o conteúdo sobre o assunto é escasso até mesmo na internet.

Além disso, as ações promovidas pela Psicologia brasileira, representada por seus órgãos responsáveis e instituições de ensino, são extremamente pontuais, tímidas e, quando ocorrem, limitadas ao âmbito acadêmico.

O racismo não é problema da Psicologia?

Valter da Mata é psicólogo, mestre em Psicologia Social e professor universitário, além de ser membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia. Ele está envolvido em diversas atividades e reivindicações para que a Psicologia dedique mais atenção ao problema do racismo no Brasil e fala abertamente sobre a necessidade de rever algumas das lógicas reproduzidas pela Psicologia brasileira. Em entrevista concedida à Fórum, da Mata discorre sobre o problema do racismo no Brasil e por que a Psicologia deve se debruçar para combatê-lo. Leia abaixo a entrevista na íntegra:

Fórum – Como surgiu o seu interesse pela temática racial na Psicologia? 

Valter da Mata – Ainda estudante, fui convidado por uma ONG, na época chamava-se Cooperativa Educacional Steve Biko, para ministrar uma disciplina chamada CCN – Cidadania e Consciência Negra. Em contato com os estudantes desta instituição, pude ver por um outro prisma os impactos do racismo na construção psíquica daquelas pessoas. Baixa autoestima, que se caracterizava por escolhas de carreiras baseadas nas menores concorrências; identidade étnicorracial fragmentada, geralmente com negação das referências africanas. Daí por diante, levei essas inquietações para minha formação.

Fórum – Foi difícil encontrar produções voltadas para o assunto?

Da Mata – Publicações na Psicologia, quase nenhuma, tive que me orientar por psicólogos norte americanos e textos de antropologia e sociologia. Na década de 1990, a produção acadêmica sobre relações raciais da Psicologia brasileira era pífia.

Fórum – Como você enxerga a formação da Psicologia no Brasil hoje? O racismo é um tema abordado nas grades curriculares? 

Da Mata – A formação da Psicologia no Brasil passa por um momento de transformação, mas ainda muito lenta. Parece que a fase de casulo ainda vai demorar. As Instituições de ensino, aliadas à representação social do trabalho do psicólogo, continuam privilegiando o trabalho de clínica individual no consultório como o principal. Parece que ainda não se ligaram no contexto atual, onde cresceu assustadoramente o número de cursos de Psicologia em todo Brasil, além da necessidade de ocupação de postos nas mais diversas políticas públicas.

Desconheço completamente a abordagem do racismo nos cursos de Psicologia, mesmo sendo um tema que pode ser discutido em todas as disciplinas. Vejo isso mais enquanto iniciativas particulares de alguns professores. Infelizmente a maioria, mesmo tendo a obrigação de fazer a inclusão do tema, não o faz. Essa obrigação é devido as leis 10639 e 11645, que determinam o ensino da história e cultura dos povos africanos e indígenas, além de temas correlatos, desde o ensino fundamental até o ensino superior.

Fórum – Mesmo com mais de 50% da população sendo autodeclarada negra, por que é tão raro encontrar disciplinas e eventos acadêmicos na Psicologia voltados para o problema do racismo?

Da Mata – O motivo para isso? Difícil responder um único motivo, provavelmente deve ser multifatorial: acredito que parte minimiza o problema, tratando-o como algo menor; outros devem acreditar que a Psicologia nada tem a ver com isso; outros devem acreditar no mito da democracia racial, onde existe uma convivência pacífica entre as raças; outros adotam o discurso antirracistas blasé, onde não existem raças, somente uma única, a humana, e falar de racismo e de raças seria acirrar os ânimos, num típico discurso “deixa quieto”. Enfim, são múltiplas.

Fórum – Independente da abordagem psicológica escolhida pelo aluno ou profissional, é possível tratar o racismo como algo que gera sofrimento psíquico? É possível ir a fundo nessa questão e dar ao racismo um tratamento similar ao dado para questões como depressão, estresse, ou até outros transtornos mentais?

Da Mata – Não conheço todas as abordagens psicológicas, portanto fica difícil responder com precisão essa pergunta. Mas para mim a primeira coisa que o profissional ou estudante pode e deve fazer, é acreditar que o racismo existe no nosso país e que ele pode gerar sofrimento psíquico. Uma situação de discriminação racial, das mais sutis possíveis, pode vir a desencadear situações de extrema angústia, refletindo decisivamente na autoestima do indivíduo. A discriminação racial não pode ser tratada como algo “natural” ou “normal”, é algo que humilha e faz sofrer. Evidentemente, cada sujeito elabora de acordo com seus repertórios cognitivos e culturais cada demanda.

Fórum – Muitas pessoas negras que buscam psicólogos relatam casos de discriminação na psicoterapia. Muitas vezes, esses profissionais tratam o racismo como um problema individual e até mesmo de “paranoia” ou “síndrome de perseguição”, chegando à culpabilização da pessoa negra, que é revertida como racista por enxergar racismo em toda parte. Como trabalhar melhor essas questões na psicoterapia, já que a psicoterapia é uma prática difícil de se “fiscalizar” e acompanhar?

Da Mata – Temos que entender o contexto em que se dá essas relações. A Psicologia se estabeleceu como uma ciência burguesa, exercida por e tratando burgueses. O padrão de normatividade também segue o que advém da burguesia. O Brasil foi forjado no mito da democracia racial, que foi e de certa forma ainda é, uma justificativa perfeita para explicar as condições materiais, psicológicas, de status e tantas outras: a própria incompetência, algo inato da raça negra. Esse mito esconde os privilégios historicamente destinados à população branca e assim tomar essa “superioridade” enquanto algo natural. Esse pano de fundo se torna um terreno fértil para o psicólogo que não se dedica a estudar as relações raciais cair na vala do senso comum e acusar a vítima como culpada da sua situação. Chamo isso de “crimes perfeitos”, onde a própria vítima é a culpada, muito parecido com os casos de estupro, onde as mulheres são vistas enquanto culpadas pelo ato. Creio que fiscalizar a prática desses profissionais é difícil, mas cabe realmente ao cliente denunciar, mesmo sendo difícil provar o ocorrido, cabe uma acareação, cabe uma orientação por parte do Conselho Regional, cabe apresentar a resolução 18/2002. Provavelmente esse comportamento tenderá a desaparecer, uma vez que essa prática poderá colocar sua atuação profissional em risco.

Fórum – Como cobrar os conselhos regionais e federal para que desenvolvam iniciativas e eventos voltados para a discussão e o combate ao racismo? Estudantes e profissionais podem exigir isso dos conselhos?

Da Mata – Os profissionais e estudantes podem e devem exigir dos conselhos toda e qualquer discussão de interesse dos mesmos. O Congresso Nacional da Psicologia aponta como diretriz a ser contemplada pelas gestões regionais e federal abordar as questões étnicorraciais, portanto ao realizar essas ações, os conselhos regionais estão cumprindo as diretrizes nacionais da Psicologia.

Fórum – Na sua perspectiva, é um desafio para a Psicologia levar esse tema para além dos ambientes acadêmicos? 

Da Mata – A Psicologia por muito tempo ratificou as diferenças raciais. Testes de inteligência e tantos outros foram utilizados para ratificar a superioridade da raça branca. No Brasil, a Psicologia após da década de 1950 calou-se diante da temática, deixando a discussão para outras ciências como a Sociologia e Antropologia. Entretanto é o discurso psicológico que pode estudar, avaliar e entender os efeitos subjetivos do racismo. Saber em que medida essa chaga interfere nas relações entre as pessoas baseados nos seus traços fenotípicos, especialmente no que diz respeito a construção das identidades pessoal e social.

Fórum – O Código de Ética do Psicólogo diz que é proibida a manifestação de opiniões discriminatórias. Se um profissional manifesta opiniões racistas nas redes sociais, por exemplo, como levar esse problema para os conselhos? É possível?

Da Mata – Essa proibição está bem explicitada na resolução 18/2002, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação ao preconceito e discriminação racial. Caso o profissional manifeste opiniões racistas cabe a outros psicólogos, a sociedade e até mesmo o próprio conselho fazer a denúncia. Na minha prática docente, faço questão de apresentar a resolução a todos os alunos, enquanto conteúdo básico da disciplina.

Fórum – Afinal, qual é o papel da Psicologia na luta contra o racismo brasileiro?

Da Mata – Podemos dizer que somente no século XXI a Psicologia acordou para estudar o fenômeno do racismo e suas repercussões psicológicas. Por décadas psicólogos desenvolveram teorias que sustentaram e ratificaram o binômio superioridade/inferioridade das raças humanas. No Brasil, temos a forma mais sofisticada de racismo já elaborada, sem leis explícitas que ratifiquem a exclusão, é um racismo que vai sendo veiculado em doses às vezes homeopáticas, às vezes cavalares, no cotidiano. Os atores sociais vão assimilando essas crenças, que determinam lugares, justificam o status quo, dentre outras consequências. Cabe à Psicologia, juntamente com outros saberes, ajudar a decifrar esse enigma, essa ideologia perversa que aprisiona e produz sofrimento de diversas ordens. Cabe aos psicólogos enfrentarem o mito da democracia racial, dentre tantos outros mitos, para que possamos criar uma ciência e profissão realmente engajada na promoção dos direitos fundamentais, para a construção de uma sociedade equânime.

(*) Revista Fórum – semanal.

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nov 22 2014

SEBO BARCAROLA – http://www.estantevirtual.com.br/sebobarcarola

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BARCAROLA

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nov 22 2014

GATO GATO GATO – Otto Lara Resende

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OTTO

Otto Lara Resende (*)

GATO GATO  GATO

Familiar aos cacos de vidro inofensivos, o gato caminhava molengamente por cima do muro. O menino ia erguer-se, apanhar um graveto, respirar o hálito fresco do porão. Sua úmida penumbra. Mas a presença do gato. O gato, que parou indeciso, o rabo na pachorra de uma quase interrogação.

Luminoso sol a pino e o imenso céu azul, calado, sobre o quintal. O menino pactuando com a mudez de tudo em torno — árvores, bichos, coisas. Captando o inarticulado segredo das coisas. Inventando um ser sozinho, na tontura de imaginações espontâneas como um gás que se desprende.

Gato — leu no silêncio da própria boca. Na palavra não cabe o gato, toda a verdade de um gato. Aquele ali, ocioso, lento, emoliente — em cima do muro. As coisas aceitam a incompreensão de um nome que não está cheio delas. Mas bicho, carece nomear direito: como rinoceronte, ou girafa se tivesse mais uma sílaba para caber o pescoço comprido. Girafa, girafa. Gatimonha, gatimanho. Falta um nome completo, felinoso e peludo, ronronante de astúcias adormecidas. O pisa-macio, as duas bandas de um gato. Pezinhos de um lado, pezinhos de outro, leve, bem de leve para não machucar o silêncio de feltro nas mãos enluvadas.

O pêlo do gato para alisar. Limpinho, o quente contato da mão no dorso, corcoveante e nodoso à carícia. O lânguido sono de morfinômano. O marzinho de leite no pires e a língua secreta, ágil. A ninhada de gatos, os vacilantes filhotes de olhos cerrados. O novelo, a bola de papel — o menino e o gato brincando. Gato lúdico. O gatorro, mais felino do que o cachorro é canino. Gato persa, gatochim — o espirro do gato de olhos orientais. Gato de botas, as aristocráticas pantufas do gato. A manha do gato, gatimanha: teve uma gata miolenta em segredo chamada Alemanha.

Em cima do muro, o gato recebeu o aviso da presença do menino. Ondulou de mansinho alguns passos denunciados apenas na branda alavanca das ancas. Passos irreais, em cima do muro eriçado de cacos de vidro. E o menino songamonga, quietinho, conspirando no quintal, acomodado com o silêncio de todas as coisas. No se olharem, o menino suspendeu a respiração, ameaçando de asfixia tudo que em torno dele com ele respirava, num só sistema pulmonar. O translúcido manto de calma sobre o claustro dos quintais. O coração do menino batendo baixinho. O gato olhando o menino vegetalmente nascendo do chão, como árvore desarmada e inofensiva. A insciência, a inocência dos vegetais.

O ar de enfado, de sabe-tudo do gato: a linha da boca imperceptível, os bigodes pontudos, tensos por hábito. As orelhas acústicas. O rabo desmanchado, mas alerta como um leme. O pequeno focinho úmido embutido na cara séria e grave. A tona dos olhos reverberando como laguinhos ao sol. Nenhum movimento na estátua viva de um gato. Garras e presas remotas, antigas.

Menino e gato ronronando em harmonia com a pudica intimidade do quintal. Muro, menino, cacos de vidro, gato, árvores, sol e céu azul: o milagre da comunicação perfeita. A comunhão dentro de um mesmo barco. O que existe aqui, agora, lado a lado, navegando. A confidência essencial prestes a exalar, e sempre adiada. E nunca. O gato, o menino, as coisas: a vida túmida e solidária. O teimoso segredo sem fala possível. Do muro ao menino, da pedra ao gato: como a árvore e a sombra da árvore.

O gato olhou amarelo o menino. O susto de dois seres que se agridem só por se defenderem. Por existirem e, não sendo um, se esquivarem. Quatro olhos luminosos — e todas as coisas opacas por testemunha. O estúpido muro coroado de cacos de vidro. O menino sentado, tramando uma posição mais prática. O gato de pé, vigilantemente quadrúpede e, no equilíbrio atento, a centelha felina. Seu íntimo compromisso de astúcia.

O menino desmanchou o desejo de qualquer gesto. Gaturufo, inventou o menino, numa traiçoeira tentativa de aliança e amizade. O gato, organizado para a fuga, indagava. Repelia. Interrogava o momento da ruptura — como um toque que desperta da hipnose. Deu três passos de veludo e parou, retesando as patas traseiras, as patas dianteiras na iminência de um bote para onde? Um salto acrobático sobre um rato atávico, inexistente.

Por um momento, foi como se o céu desabasse de seu azul: duas rolinhas desceram vertiginosas até o chão. Beliscaram levianas um grãozinho de nada e de novo cortaram o ar excitadas,’para longe.

O menino forcejando por nomear o gato, por decifrá-lo. O gato mais igual a todos os gatos do que a si mesmo. Impossível qualquer intercâmbio: gato e menino não cabem num só quintal. Um muro permanente entre o menino e o gato. Entre todos os seres emparedados, o muro. A divisa, o limite. O odioso mundo de fora do menino, indecifrável. Tudo que não é o menino, tudo que é inimigo.

Nenhum rumor de asas, todas fechadas. Nenhum rumor.

Ah, o estilingue distante — suspira o menino no seu mais oculto silêncio. E o gato consulta com a língua as presas esquecidas, mas afiadas. Todos os músculos a postos, eletrizados. As garras despertas unhando o muro entre dois abismos.

O gato, o alvo: a pedrada passou assobiando pela crista do muro. O gato correu elástico e cauteloso, estacou um segundo e despencou-se do outro lado, sobre o quintal vizinho. Inatingível às pedras e ao perigoso desafio de dois seres a se medirem, sumiu por baixo da parreira espapaçada ao sol.

O tiro ao alvo sem alvo. A pedrada sem o gato. Como um soco no ar: a violência que não conclui, que se perde no vácuo. De cima do muro, o menino devassa o quintal vizinho. A obsedante presença de um gato ausente. Na imensa prisão do céu azul, flutuam distantes as manchas pretas dos urubus. O bailado das asas soltas ao sabor dos ventos das alturas.

O menino pisou com o calcanhar a procissão de formigas atarantadas. Só então percebeu que lhe escorria do joelho esfolado um filete de sangue. Saiu manquitolando pelo portão, ganhou o patiozinho do fundo da casa. A sola dos pés nas pedras lisas e quentes. À passagem do menino, uma galinha sacudiu no ar parado a sua algazarra histérica.

A casa sem aparente presença humana.

Agarrou-se à janela, escalou o primeiro muro, o segundo, e alcançou o telhado. Andava descalço sobre o limo escorregadio das telhas escuras, retendo o enfadonho peso do corpo como quem segura a respiração. O refúgio debaixo da caixa-d’água, a fresca acolhida da sombra. Na caixa, a água gorgolejante numa golfada de ar. Afastou o tijolo da coluna e enfiou a mão: bolas de gude, o canivete roubado, dois caramujos com as lesmas salgadas na véspera. O mistério. Pessoal, vedado aos outros. Uma pratinha azinhavrada, o ainda perfume da caixa de sabonete. A estampa de São José, lembrança da Primeira Comunhão.

Apoiado nos cotovelos, o menino apanhou uma joaninha que se encolheu, hermética. A joaninha indevassável, na palma da mão. E o súbito silêncio da caixa-d’água, farta, sua sede saciada.

Do outro lado da cidade, partiram solenes quatro badaladas no relógio da Matriz. O menino olhou a esfera indiferente do céu azul, sem nuvens. O mundo é redondo, Deus é redondo, todo segredo é redondo.

As casas escarrapachadas, dando-se as costas, os quintais se repetindo na modorra da mesma tarde sem data.

Até que localizou embaixo, enrodilhado à sombra, junto do tanque: um gato. Dormindo, a cara escondida entre as patas, a cauda invisível. Amarelo, manchado de branco de um lado da cabeça: era um gato. Na sua mira. Em cima do muro ou dormindo, rajado ou amarelo, todos os gatos, hoje ou amanhã, são o mesmo gato. O gato-eterno.

O menino apanhou o tijolo com que vedava a entrada do mistério. Lá embaixo — alvo fácil — o gato dormia inocente a sua sesta ociosa. Acertar pendularmente na cabeça mal adivinhada na pequena trouxa felina, arfante. Gato, gato, gato: lento bicho sonolento, a decifrar ou a acordar?

A matar. O tijolo partiu certeiro e desmanchou com estrondo a tranqüila rodilha do gato. As silenciosas patinhas enluvadas se descompassaram no susto, na surpresa do ataque gratuito, no estertor da morte. A morte inesperada. A elegância desfeita, o gato convulso contorcendo as patas, demolida a sua arquitetura. Os sete fôlegos vencidos pela brutal desarmonia da morte. A cabeça de súbito esmigalhada, suja de sangue e tijolo. As presas inúteis, à mostra na boca entreaberta. O gato fora do gato, somente o corpo do gato. A imobilidade sem a viva presença imóvel do sono. O gato sem o que nele é gato. A morte, que é ausência de gato no gato. Gato — coisa entre as coisas. Gato a esquecer, talvez a enterrar. A apodrecer.

O silêncio da tarde invariável. O intransponível muro entre o menino e tudo que não é o menino. A cidade, as casas, os quintais, a densa copa da mangueira de folhas avermelhadas. O inatingível céu azul.

Em cima do muro, indiferente aos cacos de vidro, um gato — outro gato, o sempre gato — transportava para a casa vizinha o tédio de um mundo impenetrável. O vento quente que desgrenhou o mormaço trouxe de longe, de outros quintais, o vitorioso canto de um galo.

(*) Projeto Releituras

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nov 21 2014

O PIOR GOVERNO DA HISTÓRIA DE CABO FRIO

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Arquivo: crianças dormindo em meio a sacos cheios de latinhas, a imagem mais clara do “governo sereníssimo”.

Ao seu jeito, sempre grosseiro, o Doutor (doutor mesmo) prefeito Alair Francisco (PP) rebate as críticas a sua viagem aos Estados Unidos. Precisava tomar mais cuidado com a Língua Portuguesa, talvez contratando um redator ou coisa parecida, porque do jeito que ficou, está muito ruim. Talvez não entenda que as críticas não são exatamente por sua viagem, afinal um homem na sua idade precisa descansar. Mas, pelo fato de deixar Cabo Frio desestruturada: sem remédios, com escola sendo despejada, por falta de pagamento de aluguel, obras inacabadas e tantos outros problemas. Está fazendo o pior governo da história do município, e quem governa tão mal deveria pensar duas vezes antes de solicitar férias.

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nov 21 2014

ESCOLHERAM O ADVERSÁRIO?

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BOXE

O Doutor (doutor mesmo) prefeito Alair Francisco (PP) e o ex-prefeito Marquinho Mendes (PMDB), com antecedência escolheram seus adversários, ou seja, um bate no outro e mostraram que não querem mais ninguém no páreo para que a estrutura de poder político e econômico permaneça intocada na cidade. Nesse cenário, outros personagens só entrariam com o objetivo de dividir o patrimônio eleitoral do outro. Só esqueceram de combinar com o povo e com os outros personagens da vida pública de Cabo Frio.

 

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nov 21 2014

DIRLEI TÁ DE BOBEIRA POR AÍ

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DIRLEI_PEREIRA_05

É o caso do secretário de governo Dirlei Pereira (PRB), velho aliado de Alair Francisco (PP), que pode vir candidato e ter sua candidatura inflada pelo próprio prefeito, caso seja necessário fechar as torneiras eleitorais, em certas áreas da periferia e mesmo do distrito de Tamoios, neutralizando o adversário Marquinho Mendes (PMDB). Dirlei tem experiência no assunto e de bobo não tem nada, ao contrário, é mais esperto que muita gente pensa.

 

 

 

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nov 21 2014

DESDE CRIANCINHA ……

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ADRIANO_MORENO

É também o caso do vereador Adriano Moreno (PP), que faz o discurso do “não político”, do “indignado”, mas vota tudo com o Doutor Alair Francisco (PP). E também não se incomoda em permanecer no partido do fascista Jair Bolsonaro e do homem procurado até pela Interpol, o ínclito Paulo Salim Maluf. O vereador está sendo guardado caso seja necessário esvaziar eleitoralmente qualquer candidatura, que atinja e desperte o interesse das camadas médias urbanas. Adriano Moreno é alairzista desde criancinha.

 

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nov 21 2014

DE “CARTEIRINHA”

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AQUILES_BARRETO

Votando tudo ou quase tudo (o que realmente interessa ao governo), o vereador Aquiles Barreto (SSD) é parente e aliado político do ex-prefeito Marquinho Mendes (PMDB), foi convidado para assumir a coordenação da candidatura do ex-prefeito, mas pode ser acionado caso Marquinho Mendes por razões jurídicas não possa ser candidato. No caso, viria como o “novo”, tangenciando também o eleitorado formado pelas camadas médias urbanas. A ideia é guardar o lugar para a família no cenário político cabofriense, não permitindo que outros personagens ocupem o lugar.

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nov 21 2014

LINDONA – 1

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nov 21 2014

NEM FAIXA DE PEDESTRE A PREFEITURA CONSEGUE ACABAR

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Cartoon red color paint in a paint bucket painting with paint br

Até pintura de faixa de pedestre, a prefeitura de Cabo Frio (secretaria municipal de desenvolvimento ou Comsercaf?) não consegue terminar: não é possível que duas estrelas do governo como Valdemir Mendes e Toninho Corrêa, nãso consigam resolver coisas simples como esta. Faltou tinta? Por acaso estão devendo grana ao fornecedor? A pintura, com tinta vermelha, sob as faixas na Praça Porto Rocha, ficou pela metade. Não conseguir acabar pintura de faixa é, definitivamente, uma vergonha. Que incompetência!

 

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nov 21 2014

“SERENÍSSIMO” NÃO CONSEGUE TERMINAR NENHUMA OBRA

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PRACA-QUIOSQUES-MAIS-OBRAS

Nem a obra da orla da Praia do Forte, sua menina dos olhos, o “Sereníssimo” consegue terminar. Quase dois anos depois, e ainda em obras. Onde estão os elevadores panorâmicos? E o esgoto? Está sendo jogado na areia da praia? E o jardim da praça, que ainda falta terminar? Enquanto as obras inacabadas infernizam os moradores, o prefeito, como se tudo estivesse normal, embarca para os Estados Unidos.

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nov 21 2014

JEFFERSON BUITRAGO IMÓVEIS

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BANNER-BUITRAGO

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nov 21 2014

‘RUIM COMIGO, PIOR SEM MIM”

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PERUCAS-MIAMI

Supermercado de Perucas, em Miami.

O que estará fazendo o “Sereníssimo” nos Estados Unidos? Visitando algum parente querido? Abrindo a janela para novas paisagens depois de ter permanecido por quase dois anos trancado no gabinete? Descansando mesmo, porque depois dos setenta, mesmo com todos os cuidados, o tranco é bravo? Como o “Chefe” é um político esperto, pode ter jogado com o inconsciente coletivo, deixando espaço para o vice-prefeito Silas Bento (PSDB) assumir. Mais ou menos naquela linha “olha só, ruim comigo, pior sem mim”. Pode ser, mas Silas que, de bobo não tem nada está “pianinho”.

 

 

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nov 21 2014

CASTELINHO DO KLAUS

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CASTELINHO

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nov 21 2014

A DESIMPORTÂNCIA DA CÂMARA

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RESERVA-DO-PERO-DESTRUICAO-7

No episódio da degradação e destruição das dunas ativas da Reserva do Peró ficou patente, infelizmente, mais uma vez, a desimportância e a falta de qualidade do discurso, da câmara de vereadores de Cabo Frio, não por acaso apelidada pela população de “câmara do silêncio”. Pela natureza e qualidade dos discursos e intervenções  dos nobres vereadores é muitas vezes melhor que o legislativo municipal permaneça no mais profundo silêncio. O cidadão contribuinte agradece penhoradamente.

 

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nov 21 2014

ArtErme

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ERMELINDA

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nov 21 2014

TERMÔMETRO DA CRISE

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Crisis Thermometer Meltdown Mess Trouble Emergency Words

A mídia alairzista, discreta ou assumidamente, é excelente termômetro para avaliação de como o governo está se sentindo politicamente. Na medida em que a rejeição do governo pela opinião pública cresce, também aumenta a virulência da mídia alairzista, que sobe o tom daquela maneira que todos conhecem, falando e escrevendo aquilo que o “Chefe” quer, mas não pode fazer diretamente. São momentos de incrível e inenarrável prazer, como diria o “Homem do Obelisco”, o inoxidável Vovô Bibiu.

 

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nov 21 2014

RESTAURANTE TIO PATYNHO

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nov 21 2014

LINDONA – 2

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nov 21 2014

CÂNTICO DE ARGEMIRO – João Ubaldo Ribeiro

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JOAO-UBALDO

João Ubaldo Ribeiro

CÂNTICO DE ARGEMIRO

Quem sabe do que vivemos?
Sabemos nós, que vivemos.
Quem sabe do sofrimento?
Sabemos nós, que sofremos.
Conheces os lobisomens?
Conhecemos mais que tu.
Falas como te falamos nós?
Achas que falas, maninho.
Tiveste fome em pequeno?
Tivemos nós, ó maninha.
Sabes tu como é meu nome?
Já tiveste em tua vida
Inteira desesperança,
Já sentiste que tua pança
É coisa mais que imoral?
Nunca soubeste ou sentiste,
Sempre pensaste e falaste
E para ti em minha caixa
Trago guardados, maninho,
Remédios feitos de ódio.
Sabes tu como é o meu nome?
Nunca soubeste, irmãozinho.
O meu nome é Meia-Lua
E te quero mal, maninho.
Porque, por ser estrangeiro,
Teu falar não é bem-vindo.
Antes morra eu na terra
Que tu viveres no céu.
Queremos tua mulher
Olhar como as nossas olhas.
Queremos interromper
Teu descanso imerecido.
Se antes tua visita
Era a visita da morte,
Tua jornada hoje é
Tua jornada ao inferno.
Não comas minha comida,
Não arranques minhas plantas,
Não me pegues, não me toques,
Espera que te perdoe
Por seres meu inimigo
E somente te perdôo
Por seres meu inimigo.
Por seres meu inimigo,
Despacho tua alma ao céu.
Por seres meu inimigo,
Quero que tu sejas santo.
Assim, quando tu chegares,
Te beijo e te tiro as tripas,
Te abraço e te assassino.
Mostro como te perdôo,
Te enfiando esta faca.
Mostro que te quero bem
Te humilhando também.
Verás que tenho paixão,
Ao furar teu coração.
Ganharás esta batalha
E tantas outras tu querias,
Tantas quanto teu dinheiro
Possa comprar no mercado.
Mas lembra que o Conselheiro
Não morreu ontem nem hoje,
Nem morreu sua consciência.
Inimigo muito feio,
Feio, feio inimigo,
Por que és tão feio assim?

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nov 21 2014

A OPOSIÇÃO MUDOU SUA ESTRATÉGIA – Breno Altman

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Breno Altman

A OPOSIÇÃO MUDOU SUA ESTRATÉGIA

Das eleições findadas em 26 de outubro, extraiu a conclusão de que deveria passar imediatamente à ofensiva.

Nada de acumular progressivamente forças, como em pleitos anteriores. A nova orientação é cristalina: acuar e sabotar o governo desde o primeiro momento.

O objetivo de importantes setores conservadores está traçado: aproveitar as denúncias de corrupção na Petrobrás para levar a presidente às cordas e derrubá-la através de um golpe parlamentar, operado por uma maioria de centro-direita.

Se as condições jurídicas e políticas não permitirem esse arremate, a escalada contra o PT, nos planos oposicionistas, ao menos deverá desidratar a autoridade da chefe de Estado, limar a popularidade de Lula e construir um cenário de isolamento e derrocada da esquerda.

A direita não está agindo apenas por ódio de classe, ainda que tal sentimento mobilize seus seguidores para o combate.

Move-se fundamentalmente por cálculo político. Além das investigações sobre desvios na principal empresa nacional, o antipetismo reformula a atuação porque avalia ter, a seu favor, um quadro de dificuldades econômicas, divisão na base aliada e confusão nas hostes governistas.

O recuo oposicionista, por outro lado, poderia significar o caminho ao cadafalso em 2018, pois daria tempo para o oficialismo arrumar a casa, relançar reformas e reocupar espaços, impulsionado pela eventual candidatura do primeiro presidente petista.

Guinada oposicionista

A seu modo, o conservadorismo aprendeu as lições de 2005, somando esse aprendizado a uma leitura agressiva das circunstâncias que cercaram a última disputa presidencial, cuja síntese está no célebre axioma lacerdista: Dilma tomou posse, não pode governar.

Por isso, não há qualquer disposição para a paz. O comando da oposição está convencido que somente terá triunfos com a guerra. Não somente porque seu estado de espírito é belicoso, mas também porque está seguro sobre o potencial da estratégia de tensão máxima.

Os acenos administrativos de governadores a este respeito, como os do paulista Alckmin e o goiano Perillo, são secundários. Relevante, cheio de simbolismo, é o senador Aloysio Nunes Ferreira, vice na fórmula de Aécio, se juntar à marcha da ultradireita no último dia 15 de novembro.

A bem da verdade, não há surpresa nesta guinada oposicionista, construída palmo a palmo durante a campanha eleitoral. O que espanta é a paralisia do governo e seu bloco político. Há três semanas o conservadorismo opera sem maiores constrangimentos ou contraposição.

O petismo frequentemente age, apesar das recentes resoluções de sua direção nacional, como se fosse possível repetir a política de distensão operada após as três eleições presidenciais anteriores.

Sem maioria parlamentar de esquerda, além de atrair partidos de centro, os governos de Lula e Dilma puderam ser provisoriamente exitosos na tentativa de neutralizar frações hegemônicas da oposição de direita, do capital financeiro e até da velha mídia.

Uma das razões desse sucesso, nos primeiros anos, foi a erosão do campo conservador. Estava recortado por divisões internas e constrangido à defensiva, pagando as contas, na memória popular e até entre fatias da burguesia, pela herança maldita e neoliberal do governo Fernando Henrique Cardoso.

Este desgaste político era suficiente para facilitar o deslizamento de forças centristas e grupos periféricos da direita para fora do sistema de alianças protagonizado pelo PSDB e o DEM desde 1994, viabilizando a governabilidade.

O cenário econômico ajudava a equação.

Reformas que ampliavam o mercado interno a partir da reorganização de prioridades orçamentárias, associadas ao forte incremento das exportações, fomentaram um modelo de desenvolvimento com inclusão social que não feria interesses oligárquicos. O feijão dos proletários foi servido sem afetar o uísque dos abastados.

Nem sequer Cândido, o otimista e célebre personagem de Voltaire, poderia achar que a situação se mantém.

Novas medidas para segundo mandato

O antigo padrão de crescimento parece visivelmente esgotado, depois de garantir o mais amplo processo de ascensão social em nossa história recente.

Há um conflito distributivo sobre o futuro que abala a paz transitória entre as classes na qual o petismo pode consolidar seu governo.

A retomada do crescimento, a expansão dos serviços públicos e a continuidade da inserção econômica dos mais pobres são impensáveis sem o Estado impor significativa redução da renda financeira dos mais ricos, desonerando seu próprio orçamento.

O capital usurário e sua rede de relações, por seu lado, defende a política de juros altos e corte nos gastos governamentais, para preservar o valor e a segurança de sua receita.

Este setor, cujo núcleo duro está composto por vinte mil famílias que abocanham 70% dos juros pagos pelos títulos da dívida federal, de quebra almeja a redução relativa de salários e direitos, como atrativo para um novo ciclo de acumulação capitalista.

A nova política da oposição de direita tem coerência com este pano de fundo. Mas não a do governo.

Dilma foi reeleita porque levou o choque de projetos à radicalidade. Mobilizou e unificou a esquerda e os movimentos sociais, apoiando-se sobre o empenho militante de estamentos multitudinários da intelectualidade, da juventude, do sindicalismo e das organizações populares.

A candidatura petista foi capaz de derrotar a poderosa aliança entre a direita e os meios de comunicação porque soube estabelecer a contraposição de identidades, deixando claro o significado de cada fórmula eleitoral.

Desde o discurso da vitória, porém, a presidente emite sinais híbridos.

O governo atua, em muitas oportunidades, como se o objetivo principal fosse acalmar o lado derrotado, acenando com a possibilidade de absorver determinadas pressões do mundo rentista e mitigar as reivindicações do campo político-social que sagrou-se vitorioso nas urnas.

Não há mensagens e compromissos claros em relação aos milhões de brasileiros que travaram batalha contra a restauração e pelo aprofundamento das reformas. Falta uma agenda política e econômica mais precisa que concretize as aspirações da maioria eleitoral.

Ensinamentos de Getúlio

A presidente, por vezes, indica o risco de repetir passos de Getúlio Vargas em seu segundo governo, brilhantemente descritos pelo jornalista Lira Neto na biografia que Dilma levou para ler em suas curtas férias.

Vitorioso em uma campanha popular e com um programa nacionalista, Getúlio reassume o governo, em 1951, sem maioria parlamentar e encurralado pela imprensa.

Nomeia um ministério conservador e esfria as ruas.

Aceita a política econômica ditada por banqueiros e latifundiários, ainda que tenha sido capaz de criar a Petrobrás e elevar o salário mínimo, entre outras conquistas.

Indisposto a convocar para o teatro político as forças sociais que o haviam eleito, o presidente trata de apaziguar seus inimigos com sucessivas concessões.

Nada feito. Isola-se e desgasta-se. Vira refém de instituições controladas pela direita golpista.

Sem o povo, chega a 1954 entre a queda e a renúncia. Deprimido, recorre ao suicídio para chamar as massas novamente à cena e deter a escalada reacionária.

O sacrifício, que adiou por dez anos a intentona fascista, foi resgate épico que pagou por ter demorado a reagir diante do sequestro de seu governo.

Nada de tão sinistro está à vista para a segunda administração da presidente Dilma Rousseff. Mas há ensinamentos importantes que eventualmente poderiam ser tirados da tragédia getulista.

O primeiro deles é que consiste grave erro desmobilizar e desanimar multidões, fonte de uma vitória eleitoral, especialmente quando não se é hegemônico no Estado e na sociedade.

O segundo registra-se na insuficiência da mera habilidade política como instrumento para acantonar o golpismo, neutralizar a direita republicana e reconquistar o centro para um pacto programático. Não se avança nessa direção sem demonstração inconteste de força na sociedade, por parte da esquerda e seu governo, que torne caro e arriscado demais, para correntes centristas, o alinhamento ao pólo mais conservador.

O terceiro vem de uma velha frase latina, que bem poderia ser adaptada à conjuntura brasileira, na qual os ramos mais truculentos detêm, por ora, a iniciativa e a direção da oposição: quem quer paz, prepara-se para a guerra.
 

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nov 21 2014

HUMOR: THOMATE

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thomate

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nov 20 2014

RABO DE GALO, GENEBRA & BABADE

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ABRABE<br />
Barman Rogerio Rabbit<br />
Rabo de Galo   BABADE   GENEBRA

RABO DE GALO, GENEBRA & BABADE

Há duas semanas, o Jornal do Totonho ofereceu duas doses de “rabo de galo” e uma de “genebra”, no Bar do Jair, reduto da boemia cabofriense, para quem encontrasse um vereador de oposição, na “câmara do silêncio” e não apareceu ninguém. O prazo vai até o fim do mês de novembro. Caso o distinto cidadão chegue ao local e não encontre o chefe da redação do jornal, pode colocar na conta do velho marxista-franciscano, professor José Américo Trindade, Babade, codinome copiado do precursor da máquina de escrever, Charles Babade, ele paga, esperando o devido ressarcimento.

 

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nov 20 2014

20 DE NOVEMBRO: DIA NACIONAL DE ZUMBI DOS PALMARES E DA CONSCIÊNCIA NEGRA

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Zumbidospalmares

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nov 20 2014

PARA OS INCAUTOS

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DIRLEI_PEREIRA_05  ADRIANO_MORENO  AQUILES_BARRETO

PARA OS INCAUTOS

As eleições de 2016 estão em pauta, apesar de mal terem terminado as eleições de 2014. O “Sereníssimo” é candidato à reeleição. Como sabe que está muito desgastado, vai tentar colocar uma cunha na oposição. Dependendo do candidato que vier, os nomes podem variar de Dirlei Pereira (PRB), Aquiles Barreto (SSD) e Adriano Moreno (PP). Todos ligados direta ou indiretamente ao “Sereníssimo”, mas com discurso de oposição para enganar os incautos.

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nov 20 2014

CORTAR NA PRÓPRIA CARNE?

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ARVORE-GENEALOGICA-DO-PREFEITO

CORTAR NA PRÓPRIA CARNE?

Os moradores de Cabo Frio podem ser considerados heróis. Afinal, aturam e mantém com seus impostos e trabalho, a imensa leva de parentes e amigos do peito do prefeito, vice-prefeito e vereadores. É gente que não acaba mais, que superlota e faz peso de respeito na folha de pagamento. De vez em quando o prefeito ameaça, dizendo que vai “cortar na própria carne” e no final das contas não acontece nada: o trabalhador é que paga o pato.

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nov 20 2014

NÃO É?

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HOJE-QUEM-PAGA-E-ELE

NÃO É?

O Doutor (doutor mesmo) Alair Francisco (PP) continua flanando no exterior. Como a viagem é de caráter privado, o cidadão contribuinte espera, obviamente, que todas as despesas, que não são pequenas, sejam assumidas pelo bolso do cidadão Alair Francisco e não pela prefeitura. Como a sociedade cabofriense conhece, até demais, o prefeito e sua imensa leva de parentes, sabe que todos os custos estão sendo pagos em caráter privado. Não é?

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nov 20 2014

NÃO DÁ PRA RIR! SERÁ? – 1

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gargalhada

NÃO DÁ PRA RIR! SERÁ? – 1

Aqui e ali ainda se encontra nas redes sociais (sumiram da rua) alguém defendendo o governo municipal. Nenhum deles é incauto. Todos são portariados (cargos comissionados) e tem que defender Sua Alteza Sereníssima, do jeito que for ou der. Quem não faz isso, primeiro é olhado com desconfiança e depois leva aquele tradicional “pé na bunda”. Portanto, não é por acaso, que estão ali defendendo o governo. Para alguns, por pura incompetência, uma questão de sobrevivência, outros, porque tem que pagar a prestação do carro novo. Tá com pena? Leva pra sua casa!

 

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nov 20 2014

NÃO DÁ PRA RIR! SERÁ? – 2

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FORCANDO-RISADA

NÃO DÁ PRA RIR! SERÁ? – 2

Não dá pra rir, porque a situação de Cabo Frio é deprimente. Aqui temos uma prefeitura rica e uma cidade pobre, com imensos problemas, que vão desde uma saúde pública caótica até a destruição e degradação do patrimônio ambiental, cultural e histórico. A rica prefeitura de Cabo Frio, que recebe milhões e milhões em royalties do petróleo, administrada por um incompetente, tem a coragem de cobrar ao cidadão Taxa do Lixo e agora a Taxa Defunto. O que faz a câmara? Cada vez mais calada. Muda. Sem respeito pelo cidadão.

 

 

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nov 20 2014

LINDA!

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REFRESCO_CINZA

0019

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nov 20 2014

SEBO DO LANATI

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FABIO-SEBO

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nov 20 2014

VAI FICAR POR ISSO MESMO?

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JANIO_MENDES_PEQUENO   &   FRED-1

Jânio Mendes                           Frederico de Jesus

VAI FICAR POR ISSO MESMO?

Durante a campanha eleitoral o deputado Janio Mendes e o vereador Frederico de Jesus, ambos do PDT, reclamaram que haviam sido ameaçados e que tentaram impedir suas caminhadas na periferia de Cabo Frio. Em discurso na câmara, o vereador Frederico de Jesus disse, inclusive, que sua mulher foi ameaçada por uma arma e denunciou que políticos fizeram acordos com bandidos para “reserva de mercado”, na colocação de placas e caminhadas. E agora, vai ficar tudo por isso mesmo?

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nov 20 2014

2ª RODA ZUMBI – 20 DE NOVEMBRO – A PARTIR DAS 17:30H

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ZUMBI

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