mar 13 2018

CADA UM NO SEU QUADRADO VAI DAR RUIM – Octavio Perelló.

Published by at 5:15 under Jornalismo

ARTIGO VERDE LIMÃO

OCTAVIO-PERELLO

Octavio Perelló (*)

A política, que deveria ser escola e ofício de homens públicos capazes de interpretar necessidades e gerir soluções, é celeiro de vendedores de sonhos.

Que me perdoem a franqueza, mas vamos ao ponto: em sã consciência eu não confiaria uma birosca para o ex-prefeito Alair Corrêa e nem para o atual prefeito Marquinho Mendes administrarem.

Diferentes no trato humano e parecidos no modus operandi, não são aptos para as contas de caderno nem para a caixa registradora. Com eles são pífias as chances de uma birosca se transformar numa promissora rede de bares e restaurantes, com lucros garantidos para os proprietários, boa remuneração para os funcionários, investimentos em reformas, ampliações das instalações e satisfação para os clientes.

A rigor, também não entregaria a birosca em mãos do Dr. Adriano Moreno nem nas do Professor Rafael Peçanha, porque se lhes sobra vontade e boas intenções, também lhes falta experiência administrativa. Mas a estes dois últimos eu poderia aventar concessões, como teste: ao primeiro entregaria a gestão médica de um hospital e ao segundo a direção acadêmica de uma universidade. Que os apressados entendam: isso lhes conta pontos.

De todos os lados dirão que não perdi as lentes libertárias do jovem anarquista que fui antes de me entrincheirar nas lutas democráticas. Mas há momentos em que a coragem e a liberdade fazem a diferença para alertar, premissa da qual um profissional de comunicação ou um analista político não deve abrir mão.

Os referidos ex-prefeitos e muitos outros políticos não se prepararam para lidar tecnicamente com a administração pública (como faz falta uma escola de formação política como pré-requisito para o ingresso aos mandatos!). Diante das demandas quase sempre fizeram escolhas subjetivas, das suas cabeças, muitas destas um tanto desastrosas para a economia do município. No entanto, dominaram a linguagem do coração do povo e o operacional de campanha. E ainda que acuado pela judicialização da política, um líder populista como Marquinho Mendes tem instinto de sobrevivência. E adeptos.

Portanto, diante de um novo pleito eleitoral é arriscado o Dr. Adriano abraçar o neopopulismo messiânico que estão lhe imputando e Rafael empunhar a bandeira do purismo oposicionista que orienta sua ação legislativa. Novamente lembrarei Engels avisando que o sistema não se suicida, e alerto sinceramente que enquanto não houver na cidade a construção de uma espécie de pacto republicano reunindo lideranças representativas e a sociedade em torno de um plano comum, ainda vencerão aqueles que detêm a máquina e a experiência do que está estabelecido como regra do jogo, ao drible da lei e dos bons costumes.

(*) Especialista em Comunicação e Produtor de Conteúdo.


No responses yet

Comments RSS

Deixe uma resposta