abr 20 2017

A ÁRVORE DA AMIZADE – Luiz Antônio N. Guia.

Published by at 5:05 under Jornalismo

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ARVORE

Em pleno coração da Praça Porto Rocha era alvo de piadas um pé de árvore, ou melhor, um galho mal ajambrado, chamado de “árvore da amizade”. Doado por alguma instituição era plantado e replantado a cada nova cerimônia, que acontecia anualmente, no “Dia da Árvore”. Imagino que sempre sob os auspícios de algum político, em geral, o prefeito da vez.

O problema é que a “árvore da amizade” nunca cresceu e floresceu o que fez surgir o boato que o galho não pegava pra valer, porque tinha sido plantado e regado pelas mãos dos políticos, os “seca pimenteiras”, como sempre os principais alvos das fofocas da terra.O fato é que durante muitos anos aquela coisa mirrada ia fenecendo até que morria de vez.

Em discurso enfezado um vereador exigiu que o prefeito determinasse ao chefe da “briosa” Guarda Municipal que vigiasse a recém-nascida para que pudesse atingir a adolescência e por fim a maturidade. O inventivo vereador, de espírito udenista, fã ardoroso de Carlos Lacerda, estava convencido que a árvore era sabotada pelos comunistas para apoquentar o prefeito da ocasião, ardoroso membro da Arena, o partido do coração dos militares: “a mais pura subversão”, enfatizou aos berros, do alto da tribuna da câmara, mais vermelho que a bandeira do “partidão”.

De nada adiantou. Plantava-se a árvore, ou melhor, o galho, sob os acordes dos dobrados da “furiosa”, discursos empolgados de “dessa vez vai”, rezas pressurosas, algumas contritas, da legião das “filhas de Maria” e em horários diferentes para não dar confusão no pedaço, um renomado pai de santo e um pastor interessado numa candidatura a vereador. Todo o aparato político-religioso e militar não surtiu efeito.

A “árvore da amizade” nunca vingou.

Mais tarde sucessivos prefeitos foram transformando a praça em cemitérios de concreto onde não havia lugar para árvores de espécie alguma, principalmente a da “amizade”.

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Luiz Antônio N. Guia.


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Uma Resposta to “A ÁRVORE DA AMIZADE – Luiz Antônio N. Guia.”

  1. marcos antonioon 20 abr 2017 at 15:25

    Presenciei algumas dessas “plantações”. Figura habitual era o professor Manoel, representando o Rotary Club (acho).
    As bandas, que saíram de cena, ainda rendem orgulho e glória pro Creche na Coxia (Liras e Jagunços).
    Não é saudosismo barato, mas algumas tradições ajudam a cidade a relembrar sua identidade. Pode parecer cafona, mas é autêntico.
    Porém, professor, nenhuma referência a “árvores da amizade” em Cabo Frio pode deixar de fora o ex-prefeito Ivo e suas mudas de pau-brasil.
    Sem discutir méritos e deméritos da sua gestão (nem tenho dados pra isso), acho que essa merece uma revisitada de nossos cronistas atuais.
    Vejamos: Egresso da área de saúde, com pendores assistencialistas (Muro do Amor) e discurso “não político”. É atual ou não é?

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