jun 20 2017

CURTINDO O CÉU – Kátia Christovão.

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jun 20 2017

CEREAL GOURMET ESTEVE NA NATURAL TECH EM SÃO PAULO

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CEREAL GOURMET ESTEVE NA NATURAL TECH EM SÃO PAULO

Aconteceu no pavilhão da Bienal do Ibirapuera em São Paulo, de 7 a 10 de junho, a NATURALTECH – Feira Internacional de Alimentação Saudável, Suplementos, Produtos Naturais e Saúde que apresentou as últimas novidades dos segmentos de alimentos funcionais, probióticos e integrais, diet e light, produtos vegetarianos e veganos, suplementos alimentares e nutrição esportiva, cosméticos naturais, fitoterápicos, óleos essenciais e terapias complementares, equipamentos e utensílios de cozinha, entre muitos outros. As empresárias Mônica Bull e Aimê Bull, do Cereall Gourmet em Cabo Frio, estiveram presentes e participaram de uma vasta programação. O evento, em sua 13ª edição. além de contribuir para o desenvolvimento econômico dos setores de produtos orgânicos e naturais, também ajuda a promover a alimentação saudável e a consciência ecológica. Foram diversas palestras sobre sorvetes veganos, agricultura biodinâmica, preparados homeopáticos, cosméticos orgânicos, veganos e naturais, aromacologia e muitos outros. Segundo a SVB – Sociedade Vegetariana Brasileira, o Brasil possui mais de 240 restaurantes vegetarianos e veganos e o Cereall Gourmet Restaurante está no topo da lista de empreendimentos alinhados com saúde, bem estar, alimentação saudável e sustentabilidade. As novidades apresentadas na Naturaltech estarão disponíveis em Cabo Frio nos próximos dias. O restaurante fica à Rua José Bonifácio, 28, Centro, Cabo Frio, telefone (22) 2629-6739.

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“VEGETARIANISMO: SAÚDE E SUSTENTABILIDADE”

“Vegetarianismo: Saúde e Sustentabilidade” com Monica Bull no Rio de Janeiro.

Mais que uma opção alimentar, o vegetarianismo é uma filosofia de vida sustentável. Proporciona melhorias na saúde humana e gera impactos sociais e ambientais positivos. Para mostrar os benefícios desse estilo de vida, a Eco Chef Mônica Bull, sócia-proprietária do Cereall Gourmet em Cabo Frio, vai abordar nesta quarta (21/6), no Rio de Janeiro, o tema “Vegetarianismo: saúde e sustentabilidade”. A palestra está marcada para às 15h, dentro da Semana de Meio Ambiente na Marina da Glória; e no coração de Ipanema, às 19h30, no Restaurante Spazziano, braço gastronômico do Spa Maria Bonita, da atriz Tânia Alves (dentro do Hotel Flat Bech). É preciso disseminar cada vez mais o conhecimento de que a alimentação está diretamente ligada à preservação e o comprometimento com a natureza. Os índices são alarmantes. A criação de animais, por exemplo, é um grande fator de impacto ambiental: 70% dos grãos plantados nos EUA são usados para alimentar os animais, e não o ser humano. A Eco Chef Mônica Bull trás na bagagem, 30 anos dedicados a pesquisa e alquimia dos sabores de ervas e especiarias, e acredita ser essencial uma postura sustentável, ecológica e que resgate hábitos alimentares tradicionais. A semana do Meio Ambiente é organizada pela BR Marinas, na Marina da Glória. O espaço recebe uma série de palestras, oficinas e exposições, em parceria com o INEA, a Polícia Florestal, a UERJ, a UFRJ, a UFF, o Jardim Botânico, entre outros. Já o Spa Maria Bonita trabalha um novo conceito de emagrecimento e beleza estética, resultado de uma abordagem integrada do ser. O Restaurante Spazziano fica à Rua Prudente de Morais, 729, Ipanema – RJ. Tudo haver com a filosofia e missão do Cereall Gourmet Restaurante, que fica à Rua José Bonifácio, 28, Centro, Cabo Frio. Telefone (22) 2629-6739.


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jun 20 2017

“NATUROPATIA”

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“NATUROPATIA”

“Naturopatia” em Cabo Frio. A especialização atende a demanda crescente do SUS, por meio de práticas integrativas e complementares Nesta terça, dia 20 de junho, às 18 horas, Dr. Carlos Lyrio, estará no espaço de eventos do Cereall Gourmet, em Cabo Frio, para falar sobre a formação em Naturopatia, curso regulamentado pelo MEC. Ele é Coordenador da Pós-Graduação em Naturopatia da PICS (Faculdade Espírita do Paraná) e Diretor do Instituto Roberto Costa em Petrópolis. A medicina natural, até bem pouco tempo, ficava restrita à prática privada, hoje temos a expansão das possibilidades com o acesso aos serviços oferecidos por iniciativa pública.

MEDICO

Segundo o médico Carlos Lyrio “a naturopatia visa o bem-estar e a elevação da qualidade de vida, auxiliando no processo de cura e prevenção com a remoção da causa primária dos problemas”. A capacitação em naturopatia permite ao profissional a realização de amplo atendimento, observando fatores como o estado mental, emocional e espiritual do paciente; o histórico familiar; o ambiente onde vive e o estilo de vida. A avaliação resulta em um diagnóstico, que pode incluir um conjunto de tratamentos. Consolidada nos Estados Unidos e Canadá, a naturopatia ganhou mais expressividade no Brasil com o advento da Política Nacional de Práticas Integrativas Complementares, implementada pelo SUS (Sistema Único de Saúde). As portarias ministeriais nº 971 e nº 1600 (03/05/2006/17/07/2016) estimulam os mecanismos naturais de prevenção de doenças e recuperação da saúde com base no modelo de atenção humanizada e centrada na integralidade do indivíduo a partir de atendimentos em acupuntura, homeopatia, fitoterapia, crenoterapia, florais, cromoterapia, yoga, reflexologia, medicina tradicional chinesa e medicina antroposófica. O formado em Naturopatia poderá ainda atuar em clínicas, consultórios particulares, spas, hotéis, hospitais, academias, empresas, na pesquisa científica, entre outras opções. A palestra é gratuita, pede-se a contribuição de 2 kg de alimentos não perecíveis que serão doados para APAE-Cabo Frio. O restaurante fica à Rua José Bonifácio, 28, Centro da cidade. Telefone (22) 2629-6739.

 


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jun 20 2017

JANIO DEFENDE A MODA PRAIA DE CABO FRIO.

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JANIO DEFENDE A MODA PRAIA DE CABO FRIO.

Janio participou da audiência pública que discutiu a prorrogação dos incentivos para o setor têxtil do Estado do Rio, até 2024. O projeto que define essa essencial prorrogação, tem como autores vários deputados. A presença de Janio é que garantiu politicamente a manutenção do beneficio diretamente para o setor de moda praia, na Rua dos Biquínis, em Cabo Frio.

 


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jun 20 2017

TAPETES DE SAL – PATRIMÔNIO IMATERIAL DO ESTADO.

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TAPETES DE SAL – PATRIMÔNIO IMATERIAL DO ESTADO.

A Festa de Corpus Christi tem de imediato várias vertentes: religiosa, cultural e turística. Ao tornar, em 2015, os tapetes de sal de Cabo Frio patrimônio imaterial do Estado do Rio de Janeiro, através da Lei 7097, o deputado Janio Mendes (PDT) enalteceu, protegeu e ampliou o evento, em todas as suas dimensões.

JANIO

Janio participa diretamente de toda a celebração de Corpus Christi.


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jun 20 2017

JORNAL DO TOTONHO

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jun 19 2017

EDITORIAL – O INVERNO ESTÁ NA PORTA!

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A cada dia o grupo político que governa Cabo Frio se enrola mais. Não tem outra diretriz, exceto seguir e manter o modelo herdado do velho professor e aliado constante, embora vivenciem uma traição aqui, outra acolá, como “namorados inconstantes”.

Além de estar com a vida complicada no TSE e no STF, sob os cuidados intensivos da área jurídica, quase na UTI, enfrenta também o fim daquele namoro com a sociedade, típico de início de administração pública.

Anunciou muito. Prometeu ainda mais. Esqueceu, porém, de fazer avaliação cuidadosa das múltiplas realidades políticas e econômicas, tanto nacionais, quanto regionais e os seus desdobramentos locais.

Durante o processo eleitoral disseminaram a ideia de que apenas o seu grupo teria condições de tirar Cabo Frio do “atoleiro” e “reconstruir” a cidade. O problema era apenas de “gestão”, a grana sobrava.

Como não teve coragem para atacar o modelo, o que provocaria o seu suicídio político, ficou na mesmice do governo anterior e repetiu o mesmo discurso de que está faltando dinheiro.

Ora, com o esse modelo, não tem cobertor que cubra dos pés a cabeça.

O inverno está na porta!

 


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jun 19 2017

OPERÁRIO IDEAL PARA A ELITE BRASILEIRA.

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jun 19 2017

TIA ZUZU DE OLHO NO MOVIMENTO DOS SERVIDORES

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ZUZU

“Mal na fita”

A liberação de 16 milhões da grana do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) para a prefeitura de Cabo Frio deixou “mal na fita” os líderes sindicais, que tinham acertado apressadamente com o governo de Marquinhos Mendes (PMDB) o reparcelamento da dívida.

Rápido demais

A turma cedeu rápido demais mesmo sabendo que a prefeitura está entulhada de gente e que o prefeito quer manter a “ferro e fogo” o modelo criado por Alair e aperfeiçoado por ele. Agora vai ter que se explicar com os servidores.

Com os “burros n’água”.

burro

A pressão sobre o grupo político de Marquinhos Mendes (PMDB) foi gradativamente amenizada logo após a vitória, em outubro de 2016. Como se a vitória de Marquinhos fosse sinônimo de que todos os direitos dos funcionários públicos municipais estivessem assegurados como por milagre: deram com os “burros n’água”.

É festa!

As “paredes murmurantes” do Palácio Tiradentes, sede da prefeitura de Cabo Frio, nunca viram tantas recepcionistas quanto neste governo do PMDB. A cada porta, que se abre, principalmente no segundo andar, se dá de cara ao menos com duas. É uma festa!

Cidade mal cuidada.

Os turistas que chegaram a Cabo Frio para o “feriadão” deram de cara com uma cidade mal cuidada, embora os meios-fios tenham voltado a receberem a tradicional camada de cal. É uma festa para os empreiteiros.

Chega de culpar o outro.

Os aliados de Marquinhos Mendes (PMDB) precisam de maior agilidade mental e mudar o monocórdio discurso de culpar o antecessor por todos os males passados, presentes e futuros. É bom não esquecer que sempre foram aliados e que o teatrinho de brigas não funciona mais.

Na mesma linha …

RENATINHO_VIANNA

O governo de Renatinho Vianna (PRB), em Arraial do Cabo, segue o mesmo caminho de Cabo Frio e coloca a culpa de tudo no antecessor, Andinho. Também dizia que o pai Renato Vianna também não teria qualquer influência na administração municipal. Se é tão difícil, larga e vai caçar outra coisa pra fazer na vida.

Estacionamentos públicos.

O vereador Vanderlei Bento (PMB) escreve em seu artigo na Folha dos Lagos, que a sua solicitação que o MP (Ministério Público) investigasse os estacionamentos públicos explorados pela prefeitura de Cabo Frio, foi aceito e transformado em inquérito. Uma boa iniciativa do vereador.

Para aonde vai à grana?

O Jornal do Totonho há muito vem falando da necessidade de se apurar essa questão dos estacionamentos públicos, em Cabo Frio. Que tal dar uma olhada na Lei Orgânica Municipal (LOM) e verificar para onde o dinheiro dos estacionamentos públicos tem que ser destinado?


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jun 19 2017

1ª MOSTRA QUINTAL DE TEATRO

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jun 19 2017

REVISTA NOSSA TRIBO – José Correia Baptista.

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jun 19 2017

APÓS DENÚNCIAS DE JANIO, AGÊNCIA REGULADORA – AGENERSA – COBRA ESCLARECIMENTOS DA PROLAGOS E DA ÁGUAS DE JUTURNAÍBA

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Após encaminhar oficio à Agenersa (Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro), denunciando a má gestão do esgoto, na estação de tratamento da Praia do Siqueira, o deputado Janio (PDT) recebeu resposta informando sobre a intimação das concessionárias de esgoto da região, Águas de Jutunaíba e Prolagos, para que apresentem, até o dia 30 de junho, o planejamento da implantação das redes separativas na região, estabelecendo ainda prazo para conclusão da instalação de toda rede separativa.

Para Janio, a resposta é positiva:

─ Em abril, fui conferir a reclamação constante de moradores, de que além de receber o esgoto da rede, a estação é o ponto de descarga dos veículos limpa-fossa da cidade. É inadmissível, que mesmo tendo um prazo contratual para desativar a unidade, a mesma continue recebendo contribuição mecânica, através de vazamento desses veículos. Notifiquei a Agenersa e obtivemos um retorno favorável para a população da Região dos Lagos. Afirma Janio.


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jun 19 2017

LUAS – Sérgio Quissak.

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jun 19 2017

O ÚLTIMO PRESIDENTE – Capitulo 6 – José Sette.

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O ULTIMO PRESIDENTE

Jose Sette (*)

CAPÍTULO 6

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Entardecer em Minas Gerais / Montanhas.

Uma casa simples nas montanhas.
Uma fumaça sai de sua chaminé.

Minas Gerais / Sítio avô de Luiza.

Luiza, ainda criança, está sentada lendo um livro ao lado do seu avô.
Ao lado dos dois está o fogão de lenha onde se prepara o café.
O avô retira do bolso um relógio de ouro e olha às horas.

Rio de Janeiro / Hotel Serrador.

Marcelo está olhando o relógio de ouro que havia tirado do bolso um pouco antes de entrar no carro acompanhado de sua mulher e de sua filha.

Marcelo:

- Elizabete não fique preocupada, daqui até Minas é um pulo e ninguém vai querer fazer nada contra um deputado. Estaremos na casa do seu pai antes da meia noite.

Marcelo arranca com carro.
Outro carro, pouco depois, sai atrás dele.
No seu interior estão Camilo e o agente louro.

Argentina / Mercedes / Quarto Camilo

Luiza entra no quarto de Camilo. Ele abre uma gaveta e entrega para ela uma foto onde ele está ao lado do Presidente. Luiza pede licença e grava tudo com sua câmera de vídeo. Grava o quarto inteiro. Camilo fica nervoso e faz com que ela pare de filmar.

Argentina /Mercedes / Hotel

Do outro lado da rua está brilhando o néon do Hotel.

Luiza entra no quarto do hotel e muito apressada mexe na mala de onde retira o pacote que havia recebido no hotel em Buenos Aires. No interior estão vários objetos que são colocados sobre a cama. São eles: alguns retratos, uma caneta de ouro, uma corrente com uma medalha, um relógio de bolso de ouro e um revólver prateado. Exibe o vídeo no monitor e corre a fita até o quarto de Camilo.
Lá, observando com atenção as imagens, ela, indo e vindo com a fita, consegue descobrir uma maleta grande de couro escondida no canto da sala. Na maleta, examinada com mais detalhes vê-se um impresso em relevo ao lado da alça – uma vaca dourada que brilhava no movimento nervoso da câmera.
O telefone celular toca repetidas vezes. Ela não atende.
Vendo os retratos e mexendo nas coisas que estavam no pacote, ela adormece.

Nas montanhas de Minas

A morte de Marcelo.
Marcelo e sua mulher têm o carro interceptado por um outro carro que o seguia em uma estrada de terra deserta no interior de Minas Gerais.
Camilo e seu companheiro louro descem do outro carro e se aproximam da janela do outro carro onde está Marcelo.

Camilo:

- Deputado Marcelo, o senhor está sendo chamado de volta ao Rio e viemos com a missão de buscá-lo. Por favor, desça do carro e nos acompanhe.

Marcelo:

- Por favor, peço eu! Estou com minha mulher, minha filha e perto do sítio onde estou indo. Vamos até lá e civilizadamente, depois de deixar as duas em segurança, eu lhes acompanho aonde vocês quiserem me levar.

Camilo, saca o seu revólver e aponta para Marcelo:

Camilo:

- O Deputado não entendeu! Esta é uma missão secreta. Vocês ficam aqui e o meu amigo leva sua filha até o sítio do pai dela.

Marcelo, visivelmente assustado arranca com o carro e parte em disparada. Camilo e o seu amigo louro atiram em direção do carro de Marcelo. Uma bala atinge Elizabete e outra fura o pneu do carro fazendo com que o mesmo entre pelo pasto desgovernado e capote, ficando de cabeça para baixo no meio do capim da estrada.
Elizabete está morta, a criança chora do lado de fora e Marcelo, ainda vivo, se arrasta para fora do carro.
Marcelo, com seu revolver prateado em punho, atira em Camilo, tenta fugir e é morto com um tiro, dado pelo agente louro que acompanhava Camilo, nas suas costas.
Camilo se aproxima do carro e recolhe a criança.

Argentina / Mercedes / Hotel

No quarto do Hotel a luz do néon é substituída pela luz do sol que entra pelas frestas da janela.
Luiza acorda agitada.
Lava o rosto, arruma sua valise e nela coloca o pequeno revólver e a pistola.
Fecha a conta do hotel pelo telefone.
Toma um copo de vinho e sai do quarto.

Argentina / Mercedes

Luiza sai do hotel e entra no carro.
Registra todos os seus movimentos e tudo mais em sua volta com seu equipamento.
O Carro não chega a atravessar a pequena cidade. Em poucos metros chega a um posto de gasolina, onde fica o bar de Camilo.
Luiza para o carro em frente do bar.

Argentina /Mercedes / Bar de Estrada

Luiza chega ao bar.
Camilo já estava sentado na mesa.

Camilo:

- Você está abatida e parece cansada…

Luiza:

- Tive um pesadelo esta noite e mal consegui dormir pensando num fim para meu documentário. Escrevo uma história sem os nomes dos meus principais personagens, cada um deles, à sua maneira, representa hoje e representará amanhã, os mesmos homens e os mesmos conflitos, apresentados no passado. Vamos gravar sua história, pois preciso encontrar um final para a minha…

Camilo:

- Foi em dezembro de 1976, o presidente, sua mulher e o motorista almoçavam num hotel com um grupo de brasileiros. Eram pessoas que haviam vindo do Brasil para tratar com ele de sua volta ao país. Havia muita gente lá que eu não conhecia… O Presidente tinha com ele sua pasta de couro…

Luiza:

- Os dólares. Você sabe quem ficou com eles?

Camilo:

- Eu sei quem levou a mala do presidente. Se é isso que você gostaria de saber… Olha, vou lhe contar o que aconteceu no almoço…

Argentina / Mercedes / Restaurante do Hotel

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Titulagem: Mercedes – Argentina – Dezembro de 1976.

Hotel a beira da Estrada.
Almoço no hotel.
O presidente almoça com um grupo de pessoas.
Camilo, o cubano do hotel Serrador, mais novo, é o garçom que serve o uísque ao presidente. O rapaz que está na mesa com o presidente, é Guido.
Guido observa Camilo que depois de uma troca de olhares, pega a mala de couro do Presidente.
Na mesa a conversa corre solta com o Presidente dizendo de sua alegria em voltar ao Brasil.
Camilo está na cozinha quando se aproxima dele Guido.

Guido:

- Não tente nos enganar… Nossa parte deste dinheiro deve estar em nossa conta amanhã à tarde…

Retira do bolso um cartão e entrega a Camilo.
Guido sai sorridente. Camilo guarda o cartão e volta ao salão onde serve uma última dose ao Presidente.
Camilo e o Presidente, através de gestos e olhares, mostram alguma cumplicidade.
O Almoço termina e todos se despedem.

Argentina /Mercedes / Restaurante do Hotel

O Presidente se despede dos que o acompanharam até a porta, entra no carro com sua família.
O carro do presidente sai, avança e se perde na primeira curva da estrada.

Argentina /Mercedes / Bar da Estrada

No interior do Bar estão Camilo e Luiza.

Camilo:

- Vou lhe dizer a verdade! O que eu sei da história me foi contado pelo piloto do Presidente…

Luiza:

- Então você não sabe de mais nada?

Camilo:

- Sei que o dinheiro, toda aquela fortuna, seria para garantir sua segurança na Argentina e para preparar seu retorno ao Brasil…

Luiza:

- Mas este dinheiro não serviu nem para uma coisa nem para outra… mais uma vez ele foi traído. Mas isso já não tem muita importância para mim.

Entardecer // Argentina / Fazenda do Presidente

À tarde, chegam à estância.
A brisa mexe com o capim verde.
O dia claro de verão está terminando.
Uma mulher fecha as cortinas da janela.
À noite chega escura sem lua.
Após o jantar na varanda da casa, o presidente vai se deitar.
As luzes da casa se apagam.
As luzes apagadas da casa são acesas.
Chega um médico na casa trazido pelo capataz.
Logo depois chegam mais duas pessoas que estavam com o Presidente no almoço, uma delas é Camilo e o outro um homem trajando roupas típicas dos pampas gaúchos.
A mulher, que acaba de fechar a cortina da sala, sai para a varanda e conta para o médico e os outros três ali presentes o que havia acontecido.

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Jango, em sua casa no Uruguai.

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O enterro de Jango, no Brasil.

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Honras de Chefe de Estado aos restos mortais do Presidente da República João Goulart (Jango) – 1

JANGOMORTO

Honras de Chefe de Estado aos restos mortais do Presidente da República João Goulart (Jango) – 2

Mulher do Presidente:

- O Presidente foi se deitar mais cedo, pois se sentia indisposto, custou a dormir. Um pouco mais tarde, repentinamente começou a se mexer muito para depois ficar quieto. Fiquei preocupada e coloquei a mão no seu coração. Chamei o capataz e pedi para que ele buscasse imediatamente o senhor em Mercedes, mas já não adiantava mais nada… Ele já estava morto.

Noite // Argentina /Mercedes / Fazenda do Presidente

A casa toda iluminada está envolta num silêncio mortal.

Noite // Argentina / Mercedes / Bar da Estrada

Luiza arma seu equipamento e fala para câmera colocada em um tripé.

Luiza:

- Será este o mesmo lugar onde almoçou o Presidente? Onde ele tomou a sua ultima dose de uísque? O Mistério ainda é grande e creio que ainda estou longe de saber toda a verdade.

Camilo olha para Luiza já se levantando.

Camilo:

- Assim morreu o presidente. Se eu posso lhe ajudar em mais alguma coisa, diga, estou a sua disposição.

Camilo então pegou seu relógio de bolso e olhou as horas.
Luiza mais uma vez vê o relógio de seu pai, idêntico ao de seu avô sabendo que Camilo é o assassino de seu pai e talvez do presidente.

Luiza (retirando da bolsa um velho caderno):

- Vou ler para você as últimas linhas que meu pai escreveu no seu romance inacabado, você quer ouvir? “O medo transforma-se aos poucos em pavor e os nervos triturados provocam um torpor de morte por todo o teu corpo que já não te deixa mexer um músculo sequer, instalando-se na alma a paralisia do horror e no coração o domínio da loucura”…

Silêncio…

Luiza:

- Agora que eu já sei quem você é, posso terminar o documentário sobre o homem que assassinou o último presidente…
Meu pai, vindo do passado, mostrou-me o final da sua história.

Saca o pequeno revólver de seu pai e o aponta para Camilo.
Camilo, olhando para a arma, sem mudar sua expressão de rosto diz:

Camilo:

- Eu lhe teria poupado da verdade, mas se você quer mesmo saber…
Seu pai, seu herói, era um homem do golpe, da operação americana… um traidor de seu país. Um informante eleito deputado pelo IBADE, com o dinheiro americano. Um espião que traía sistematicamente seu Presidente e seus companheiros de partido…

Noite – Minas Gerais – Estrada de Terra.

As imagens em pequenas sequências de planos como em um mosaico aos olhos da menina seguem a narração. Carro de Camilo perseguindo o de Marcelo.

Camilo (cont.off):

- Eu era como uma imagem em negativo de seu pai, era um agente castrista entre os refugiados de Miami e finalmente infiltrado no CIA. Eu o vi várias vezes com pessoas da embaixada. Seu pai foi condenado à morte como traidor do povo brasileiro.
No dia mesmo do golpe ele esteve comigo no Palácio das Laranjeiras. O resto da história é a que você sabe. Levamos você para a casa do seu avô e depois enterramos os seus pais.

Noite // Argentina / Mercedes / Bar da Estrada

Camilo:

- Mas não fui eu quem matou o seu pai, ele foi morto pelas circunstâncias. E também não matei o presidente, estávamos ali para defendê-lo – ele foi assassinado pela “Operação Condor” com a ajuda de pessoas muito próximas a ele, morreu mais uma vez vítima da traição. Eu sou um agente da revolução e você tem que acreditar no que lhe estou dizendo … todo o dinheiro que passou pelas minhas mãos, foi entregue ao partido…

Luiza com o rosto frio, como se desistisse de mata-lo, lentamente coloca o seu pequeno revolver na mesa do bar, vira-se de costas fingindo que vai sair.
Camilo, pega rapidamente o revólver da menina que ficou por sobre a mesa e aponta, com a mão firme, a arma para ela.
Antes de apertar o gatilho lhe diz com a voz seca e um pouco sarcástica:

Camilo:

- Seu pai morreu porque sabia demais e já não tinham mais necessidade dele…
Tenho muita simpatia por você, uma vez lhe salvei a vida quando era criança, mas hoje já não posso correr o mesmo risco…

Puxa o gatilho.
A arma não dispara, está sem as balas.
As balas estão na mão da menina e vão caindo no chão, uma a uma, enquanto
ela vai se virando em cena, tirando da bolsa a pistola automática com o silenciador, até ficar novamente de frente para o bar onde está Camilo, atônito, esboçando um leve sorriso, com a pequena arma na mão.
Os olhos de Camilo encontram os olhos de Luiza.
Um vento frio sopra levantando as toalhas das mesas.
Luiza, com a arma apontada para o rosto de Camilo, aperta o gatilho.
Do ponto de vista de Camilo a imagem de Luiza se desfaz em uma explosão de luz e em mil pedaços de sombras, até que tudo em sua volta se torna noite escura sem lua.

Amanhecendo – Argentina/ Buenos Aires/ Aeroporto Internacional

Luiza entra no guichê da Air France.
A mala de couro do Presidente está em suas mãos.
No interior do avião ela esta sozinha sentada em uma cadeira e na sua frente, está Guido, sorridente.
Dia escuro e chuvoso – Aeroporto Buenos Aires.
O avião decola.
O céu está repleto de nuvens negras formando, entre raios e coriscos, rapidamente uma tempestade.
Nuvens negras…

JOSE-SETTE-TANCREDO-NEVES

(*) “Meu amigo, Presidente Tancredo Neves, com o qual fiz o filme “LIBERDADE”, está, aonde estiver, na sua história democrática, envergonhado com os políticos brasileiros e principalmente com o seu partido o PMDB golpista e seus asseclas reacionários. Sou mineiro e “O primeiro compromisso de Minas é com a liberdade”.

 


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jun 19 2017

SARAU REVIRA VOLTA: POESIA DE CONTESTAÇÃO

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SARAU

Sarau Revira-Volta: Poesia de Contestação!

Segunda, 19 de junho às 18:30 - 22:00.

Vamos ao primeiro Sarau Revira – Volta que será realizado no Bar do Nicola, na esquina da Sociedade Santa Helena, Centro de Cabo Frio – RJ.
A proposta é ocupar um espaço comum com muita poesia e performance, ampliando a possibilidade artistica de expressão de pessoas que precisam se expressar.
Além da trupe de poetas Revira – Volta pra animar o sarau, teremos:
- Microfone aberto
- Exposição de artes plásticas
- Apresentação musical (artista a confirmar)
- Malungo´s Sistema de Som

Endereço: Rua Ismar Gomes de Azevedo, 241-327 – Centro, Cabo Frio – RJ.


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jun 19 2017

JORNAL DO TOTONHO

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jun 16 2017

EDITORIAL – MODELO FALIDO!

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Muita gente pergunta: se o modelo político-administrativo de Cabo Frio fracassou, por que o grupo político do prefeito Marquinhos Mendes (PMDB) não promove a mudança? Dificuldade de pagar os salários atrasados e botar os salários dos servidores em dia; enfrentar assembleias, passeatas e toda sorte de protestos não deve estar sendo fácil para o governo. Por que então insiste em um modelo cujo desgaste político é evidente?

A resposta é uma só: apesar dos pesares e transtornos, o grupo político não consegue vislumbrar outro modelo, porque não existiria sem ele. Todo o seu arcabouço político foi construído com essa visão de mundo, com a mesma engenharia produzida pelo “mestre” Alair Francisco Corrêa (PP) e aperfeiçoada pelo grupo do atual prefeito.

Os ingredientes dessa receita tão bem sucedida até aqui pressupõe a aliança com empreiteiras, grupos religiosos conservadores, famílias tradicionais atrasadas e decadentes, expansão dos empregos oferecidos pela gestão pública e alianças estratégicas com grupos regionais e estaduais, garantindo a retaguarda política.

Todo esse processo irrigado pelos royalties gerados pelos barris de petróleo, que chegaram a namorar com 140 dólares e hoje navegam por menos da metade. Acrescidos do esgotamento de poços na Bacia de Campos, mudanças na legislação e pela profunda crise econômica vivida pelo país, que de “marolinha” se transformou em “tsunami”.

Essas transformações inviabilizam o Modelo Alair/Marquinhos, mas eles insistem. Quem perde? A sociedade!


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jun 16 2017

QUE TAL?

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jun 16 2017

A BAIA E AS MONTANHAS – Maria Teresa Esteban.

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MARIA-TERESA-ESTEBAN


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jun 16 2017

O ÚLTIMO PRESIDENTE – Capítulo 5 – José Sette.

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O ÚLTIMO PRESIDENTE

Jose Sette (*)

CAPÍTULO 5

Rio de Janeiro / Palácio das Laranjeiras

No gabinete, Marcelo continua a ouvir a conversa do Presidente pelo telefone com o General do II Exército.

AMAURY-JANGO

Presidente João Goulart (Jango) e o comandante do 2º Exército, com sede em São Paulo, o General Amaury Kruel.

O Presidente:

- Olha, você sabe mais do que ninguém que eu nunca tive compromissos com os comunistas, mas com a faca no peito, não me parece digno nem honrado qualquer tipo de transigência, nem mesmo a de uma simples promessa. Prefiro cair, a trair os que em mim confiaram. Mas faço um apelo ao amigo… Mesmo sem condições, pelas pressões dos seus oficiais, de manter-se na defesa do governo, fique marombando ai em São Paulo e me dê dois, três dias que acabo com esta quartelada mineira… Não! Não estou preparando um golpe, estou lhe pedindo um prazo! …
Está bem General, até o senhor, meu amigo, me abandona?

Marcelo apreensivo deixa o gabinete e se aproxima dos microfones da rádio e diz para o locutor que está fazendo uma proclamação:

Marcelo:

- Olha, você precisa dar algumas notícias, algumas informações mais precisas. Onde estão as tropas vindas de Minas? Onde estão as nossas forças que foram ao seu encontro? Alguma coisa real.

Marcelo chega agora na varanda do primeiro andar onde estão alguns deputados, ministros e correligionários do presidente passando à noite nas suas belas cadeiras de vime, numa das alas do corredor, em que se situava o gabinete do Presidente, do qual entravam e saiam, durante toda uma noite nervosa e uma ansiosa madrugada, o Secretário do Presidente, o seu General e o Ministro da Justiça. Marcelo aproxima-se dos três e pergunta ao Ministro que saía do gabinete:

Marcelo:

- Acabei de ouvir o pronunciamento do Governador da Guanabara… Ele está agindo com muita segurança, o senhor não acha?

Ministro:

- Os sediciosos estão liquidados.

Marcelo:

- Por que o senhor não manda então prender o Governador e decreta a intervenção na Guanabara? O Governador, Ministro, é sem dúvida um símbolo da rebelião e o anúncio de sua queda representaria um golpe fatal para os revoltosos…

Ministro:

- Não será preciso. O destino dele já está traçado… Estão esmagados todos…
Vou para o rádio fazer uma proclamação!

Argentina / Mercedes

Luiza e Camilo continuam seu passeio pela cidade.

Camilo

- No dia seguinte o ministro da justiça, coitado, já estava preso e depois exilado. Foi vender charutos lá no Peru, acabando os seus dias, fatigado de tantas batalhas perdidas, numa bela praia da Paraíba.

Camilo:

- E os outros coitados que passaram a última noite com o presidente?

Rio de Janeiro / Palácio das Laranjeiras.

Marcelo encontra-se com Eugênio que acabava de sair do gabinete do presidente.

Marcelo:

- Por que o presidente não pede a intervenção na Guanabara?

Eugênio:

- Tentamos isso, por duas ou três vezes, durante a madrugada, mas os generais deram o contra; acham que o governador não fez nada que justifique a medida.

Marcelo:

- Os generais são contra? Então o Presidente já não conta mais com o exército!

Eugênio:

- Você acha?

Marcelo:

- Acho sim e creio que está na hora do Presidente e todos nós voltarmos para Brasília e de lá coordenarmos a resistência do planalto central do país com o General que ainda nos permanece fiel…

Eugênio:
- Concordo com o nobre deputado, mas somos em grande número e vamos precisar de mobilizar a força aérea brasileira para que todos possamos acompanhar o Presidente…

Marcelo:

- Secretário, mas o palácio está sendo invadido, é um entra e sai sem fim, ninguém é revistado, o Presidente corre risco de vida! Nós podemos ficar, mas o presidente tem de partir…

Marcelo deixa o secretário e passa a caminhar pelos salões do palácio. Assusta-se quando encontra com uma pessoa sua conhecida; o turista marinheiro do hotel que estava no outro lado do salão conversando seriamente com o líder sindical que acabava de acordar e já colocava seus sapatos para mais um dia de agitação.
Marcelo, com curiosidade, se aproxima dos dois e antes de dizer alguma coisa é interrompido pelo sindicalista.

Líder:

- Mais um dia deputado… Mais um dia de vitória para a classe trabalhadora!… Deixe-me lhe apresentar um jovem revolucionário cubano que veio nos ajudar na luta dos trabalhadores brasileiros… Como é mesmo o seu nome? … Camilo! É esse o nome…

Camilo jovem:

- Me gusta mucho la causa del pueblo brasileño, y estoy aca para ayudar la classe obrera a encontrar su destino… com mucho gusto deputado!

Marcelo:

- Já não fomos apresentado? …

O Cubano olha para ele com desdém.

Camilo:

- Usted me vio en el ascensor del hotel donde estamos hospedados…

Marcelo não se sentiu à vontade com aquele jovem de rosto duro, lhe parecia conhecido. Pensando naquele rosto, distraído sai em direção à varanda onde estão alguns deputados e senadores levantando-se das cadeiras de vime aos primeiros raios de sol.

Saindo apressado do gabinete do Presidente vem o seu secretário Eugênio:

Eugênio:

- Senhores deputados, senadores, meus companheiros, peço por gentileza que deixem a varanda vazia porque o nosso Presidente vai ter uma importante reunião com os altos chefes militares…

Rio de Janeiro / Palácio das Laranjeiras.

Todos descem ao andar inferior.
Os três chefes militares chegam ao palácio.
O Ministro da Justiça, com seu entusiasmo retórico, ao ver entrar o General Ancora, comandante do I Exército, não se conteve e exclamou:

Ministro:

- General Ancora, bravo cabo-de-guerra!

Asmático, o General olha para o Ministro com raiva e não lhe cumprimenta, cansado bombeia os seus pulmões antes de subir as escadas.
Marcelo então fala para o Ministro da Justiça:

Marcelo:

- O nosso cabo-de-guerra está com dispnéia!

O Ministro da Justiça imperturbável, ainda saúda o Almirante que estava chegando.

Ministro:

- Velho lobo do mar, a resistência da Marinha de Guerra!

Marcelo:

- Mas Ministro, a resistência da Marinha está curvado sob doloridos anos, caminha penosamente com os passos claudicantes.

Chega o Brigadeiro e com a rapidez de um avião sobe, com passo lépido, a longa escadaria do primeiro andar.
O Ministro manteve-se calado.

Marcelo:

- Depois da dispnéia do exército, da morosidade da marinha, só nos faltam o enfarte da resistência aérea.

Rio de Janeiro / Palácio das Laranjeiras

No grande relógio do Palácio, são 9 horas.
Os ponteiros passam apressados as três horas que restam da manhã.
As pessoas acordadas se mantinham paradas no mais absoluto silêncio.
Enquanto isso no gabinete do Presidente…

1964

O Presidente João Goulart (Jango) e os ministros militares.

General 3:

- Infelizmente Presidente não podemos mais garantir a sua integridade física aqui no Palácio das Laranjeiras, muito menos dos seus ministros, senadores, deputados e simpatizantes aqui presentes.

Almirante:

- O senhor deve voar imediatamente para Brasília, lá organizaremos a resistência, mas antes peça para os que aqui estão que voltem para suas casas em ordem e em silêncio.

Brigadeiro:

- Garantimos que o avião estará esperando o senhor Presidente até às duas horas da tarde de hoje no aeroporto do Galeão.

O Presidente pede para que lhe deixe só.
O Presidente é iluminado pelo raio de sol que suavemente penetra no escuro gabinete por entre as frestas de uma grossa cortina, contrabalançando com o azul da luz do sol o amarelo das luzes acesas.

Argentina / Mercedes

Luiza e Camilo ainda passeiam por Mercedes.

Camilo:

- Todos conhecem essa parte da história. O presidente saiu, pegou o avião foi para Brasília e depois para o Uruguai, onde eu o conheci. Evitando assim, o derramamento de sangue dos brasileiros.

Luiza:

- E deixando abandonados seus amigos…

Camilo:

- Não havia outra saída, você viu o que aconteceu no Chile!

Luiza:
- Você falava de uma mala com dinheiro, mas matar um presidente por dinheiro não seria fútil e perigoso?

Camilo:

- Talvez o dinheiro fosse apenas um dos motivos.

Luiza:

- E com quem ficou este dinheiro?

Camilo:

- Os maiores interessados na morte do presidente eram os militares, que tinham medo do seu retorno, os políticos, que ambicionavam o seu poder, e alguns aventureiros, talvez motivados por dinheiro; não tenho dúvida que foi uma morte encomendada, uma morte cara, e executada por um especialista.

Rio de Janeiro / Palácio das Laranjeiras.

O Presidente e seus auxiliares mais íntimos entram nos carros estacionados no pátio e saem do Palácio das Laranjeiras.
Todos, que ali ficaram, estão atônitos, perplexos e sem saber o que acontecera.
Alguns parlamentares e ministros, vendo o Presidente partir, abandonam o palácio, apressados, seguindo o carro do presidente.
Vários carros estão saindo do Palácio e sem maiores dificuldade passam pelo cerco militar.
Marcelo, que a tudo observava, se aproxima do Ministro da Justiça e pergunta:

Marcelo:

- Ministro, para onde foi o presidente?

Ministro:

- Para a Vila Militar, assumir pessoalmente o comando das tropas, que pedem a presença de seu chefe… Vou fazer um pronunciamento no rádio!

O Ministro sai apressado em direção da sala de rádio.
Marcelo fica parado na porta, estático, sem movimento, quando vem passando apressado Eugênio, o secretário do presidente, que pára ao vê-lo.

Marcelo:

- Secretário, para onde foi o presidente?

Eugênio:

- Deputado Marcelo, vá para o hotel e avise aos companheiros que lá estão, que o presidente foi para Brasília e de lá eu telefono para todos vocês. Agora, vá para o hotel, pega a sua mulher e viaje para Minas o mais depressa possível.

Dizendo isso entra em um carro que está a sua espera e parte em disparada.
O exército de prontidão, nada faz.
O tempo passa.

Rio de Janeiro / Palácio das Laranjeiras.

Marcelo sai do Palácio junto com o Ministro da Justiça que apressado pede uma carona.
Enquanto o seu carro sai ele pode observar pelo retrovisor o solitário deputado da capa preta e sua metralhadora.

TANQUE-1

Rio de Janeiro.

O dia do golpe de 64 / Jornais e revistas de época.
Pelas ruas já se pode notar um movimento de soldados e policiais.
Uma tremenda fuzilaria pipocava na praça Floriano, onde um grupo pequeno de soldados é encurralado por uma multidão de estudantes.

Acontecimentos da repressão armada feita por civis que se diziam revolucionários e anticomunistas pelas ruas dos bairros, vasculhando casas, parando, buscando e prendendo pessoas indiscriminadamente.

Rio de Janeiro / Hotel Serrador.

Marcelo estaciona o carro na calçada do hotel e é impedido de entrar pelo porteiro. Saca do seu revólver prateado, que levava por debaixo do paletó e obriga o porteiro a abrir a porta do hotel.
Ao entrar no hotel é observado pelo turista que se esconde atrás de um jornal.
Marcelo usa o telefone do hotel e enquanto fala em inglês é observado pelo cubano.
No apartamento, onde estão os políticos reunidos, Marcelo é cercado por homens nervosos e castigados pelo medo.

Marcelo:

- Meus amigos, as coisas não estão nada boas, o presidente viajou para Brasília, perdemos a batalha carioca… Acho que todos deveriam ir para casa.

Os deputados em debandada deixam o quarto do hotel.

O Senador, inteiramente bêbado, esperava uma prostituta que acaba de chegar e que ele leva para cama.
O deputado Marcelo passa pela porta do apartamento do Senador.
Ele chama Marcelo para entrar e lhe mostra a mulher na cama.
Marcelo sai do apartamento do senador e entra no apartamento vizinho onde está sua esposa e sua filha dormindo.
Bebe uma doze de uísque e acorda com carinho Elizabete.

Marcelo:

- Elizabete meu amor, vamos acorda! Já é tarde. Precisamos viajar.

Entardecer – Rio de janeiro

Arquivos…

Cenas da cidade no dia 1 de abril de 1964.
O incêndio do prédio da UNE e a repressão dos militares contra o povo nas ruas.

 Argentina /Mercedes / Bar de Estrada

Os dois continuam a conversar e a gravar em vídeo esse diálogo.

Camilo:

- Ele foi muitas vezes traído…

Luiza, mais carinhosa com Camilo, pega em sua mão.

Luiza:
- Você está certo, ele foi traído… Mas vamos, me fale mais deste último dia. Mais um pouco e termino o seu depoimento.

Camilo:
- Não antes de entender o que você quer saber? O que o seu pai deixou escrito. O que você sabe do seu último dia?…

Luiza:

- Meu pai saiu do hotel com minha mãe, pegaram o carro e seguiram viagem para Minas…me deixaram só com meu avô, eu já disse… Mais, eu não sei! É para saber o que realmente aconteceu é que eu também estou aqui.

Camilo:

- Mas porque aqui? Como você me encontrou?

Luiza:

- Pesquisando para meu documentário eu cheguei a você.

Camilo dá um sorriso.

Luiza:

- Conheci um amigo do meu pai que me disse o quanto você poderia me ajudar a desvendar esse mistério. A partir dele, cheguei a você.

Camilo:

- Que morte lhe interessa mais? A do seu pai ou a do Presidente? Qual a verdade que você quer desvendar? A pessoal ou a política?

Luiza:
- A do Presidente! Você já entrou no espírito do filme – do meu documentário – onde começa a história se perde a ficção. Meu pai é um sonho perdido, me interesso mais pela história.

Camilo:

- Vou lhe dizer o que eu sei. O que vou lhe contar é um segredo e depois você me promete que vai pegar o avião e vai voltar para casa. Combinado?…

Luiza concorda com um movimento de cabeça.

Camilo, continua:
- Mas antes você vai ter de desligar esta câmera de vídeo. Do que vou lhe contar não pode haver registro.

As imagens vão se deteriorando em um fundo negro.
Silêncio.
As imagens voltam em fade.
Luiza está pálida, abatida, e triste.

Luiza:

- Não quero mais incomodá-lo, já está ficando tarde e preciso voltar para meu hotel, poderíamos deixar para amanhã o final de nossa conversa?

Camilo:

- Você não me incomoda! Sou seu amigo, posso lhe acompanhar ao hotel, se você quiser!

Luiza:

- Se quiser venha comigo…

Camilo:

- Olha, tenho uma idéia melhor! Vamos até o meu quarto, que fica aqui em cima deste bar, que eu vou lhe mostrar uma lembrança do Presidente.

Camilo retira do bolso do paletó um relógio de ouro e vê nele as horas.
Luiza não consegue tirar os olhos do relógio.

JOSE-SETTE-6

(*) Cineasta e autor do “Último Presidente”.


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jun 16 2017

SARAU REVIRA VOLTA: POESIA DE CONTESTAÇÃO!

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SARAU

Sarau Revira-Volta: Poesia de Contestação!

Segunda, 19 de junho às 18:30 - 22:00.

Vamos ao primeiro Sarau Revira – Volta que será realizado no Bar do Nicola, na esquina da Sociedade Santa Helena, Centro de Cabo Frio – RJ.
A proposta é ocupar um espaço comum com muita poesia e performance, ampliando a possibilidade artistica de expressão de pessoas que precisam se expressar.
Além da trupe de poetas Revira – Volta pra animar o sarau, teremos:
- Microfone aberto
- Exposição de artes plásticas
- Apresentação musical (artista a confirmar)
- Malungo´s Sistema de Som

Endereço: Rua Ismar Gomes de Azevedo, 241-327 – Centro, Cabo Frio – RJ.


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jun 16 2017

TAZ MUREB

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TAZ


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jun 16 2017

ARRAIÁ + FEIRA DE ADOÇÃO

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jun 16 2017

JORNAL DO TOTONHO

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JORNALDOTOTONHO_2


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jun 15 2017

EDITORIAL – ATÉ QUANDO A CIDADE VAI RESISTIR?

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EDITORIAL_VERMELHO

O governo de Marquinhos Mendes (PMDB) marcha com celeridade para repetir o mesmo vexame da administração de Alair Corrêa (PP). São os mesmos hábitos, discursos bastante semelhantes e atitudes políticas, que tentam jogar os funcionários da prefeitura contra a população.

Todas essas arbitrariedades e manipulação da realidade foram feitas no governo passado e são agora repetidas, como mantra, pelo governo de Marquinhos. O atual prefeito está se revelando mais que um excelente aluno do velho morubixaba, mas um imitador, que mais parece um canastrão.

Até quando a sociedade vai repetir o “mais do mesmo”? Afinal, os anos vão passando e nada muda? Os métodos se repetem. O modelo continua o mesmo de quando o barril do petróleo custava 140 dólares. Até quando a cidade vai resistir?

 


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jun 15 2017

TEMER – A FARSA!

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jun 15 2017

TIA ZUZU – NÃO PERDE DE VISTA A PRAIA DO FORTE.

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ZUZU

 

Impunidade na Praia do Forte.

Passaram meses, muitos meses e ninguém mais fala do caso menina de dez anos, que teve o corpo esquartejado nas águas da Praia do Forte, o cartão postal de Cabo Frio. A menina e sua família moravam na vizinha cidade de Rio das Ostras. Pelo menos alguma notícia da família, indenizações, etc. A família da menina deve ser pobre, caso contrário …

Contra os professores.

Pela terceira vez o presidente da câmara dos vereadores Aquiles Barreto (SD) nega o uso da tribuna aos profissionais de educação. Aquiles deixa claro que não permitirá o uso durante todo o primeiro semestre.

Queridinho das professoras.

Durante o governo de Alair Corrêa (PP), Aquiles Barreto (SD), nunca incomodou pra valer o velho morubixaba, embora fosse teoricamente o líder da oposição. Na época, o atual presidente da câmara, era o “queridinho das professoras”, principalmente das contratadas. Como está agora?

Chega de vexame!

A categoria dos professores precisa definitivamente se conscientizar que é através da luta e do seu sindicato, que se conquista e mantém direitos, que não são favores ou benesses de políticos. Nunca mais queremos ouvir professoras em êxtase pagando aquele “mico”, aos berros chamando Alair de “lindo, bonito e gostosão”.

A luta sindical é dura, mas dignifica.

Aqueles que abandonaram as assembleias e passeatas após o 2 de outubro do ano passado, alegando, partidariamente, que com Marquinhos tudo seria diferente, devem estar arrependidos ou pelo menos passando vergonha. A luta sindical é dura, mas dignifica o professorado.

Convênios

A prefeitura está fazendo uma série de convênios com a Universidade Estácio de Sá articulados pelo professor Paulo Cotias. Um dos convênios visa implantar o Núcleo de Estudos Históricos. Cotias retornou ao programa Laboratório Político, na Cabo Frio TV, Canal 10. O canal é dirigido pelo cineasta Milton Alencar Jr.

Aceitação e reescalonamento

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SINDICAF-SINDSAUDE-2

Marquinhos Mendes sob o olhar atento de Hélcio Azevedo.

O Sindicaf e o Sindsaúde fizeram um comunicado conjunto, aceitando as propostas de reparcelamento feitas pelo governo de Marquinhos Mendes (PMDB). Revela uma proximidade política há muito trabalhada, desde o período eleitoral. As lideranças dos dois sindicatos estão bem mais próximas do governo que o Sepe Lagos.


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jun 15 2017

JANIO – DEFESA DA MODA PRAIA, EM CABO FRIO.

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JM-MODAPRAIA

O deputado Janio Mendes (PDT) participou da audiência pública, em favor da prorrogação dos incentivos para o setor têxtil, até 2024. O projeto beneficia as indústrias de moda praia, em Cabo Frio e moda íntima, em Nova Friburgo. O deputado cabofriense é um dos que assinaram projeto, que é da maior importância para a preservação dos empregos.


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jun 15 2017

O SEPE LAGOS ENFRENTA A PRESSÃO DO GOVERNO DE MARQUINHOS.

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SEPE-1

O Sepe Lagos tirou que volta para fazer reunião com a comunidade escolar e se o governo não pagar até quarta fará nova greve de advertência de 72 horas. Segundo a direção, o sindicato não aceitará nenhum tipo de repressão e se houver desconto arbitrário, ilegal, não haverá reposição.


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jun 15 2017

CADERNO DE BÚZIOS

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BBB

Abdicação de poder.

Os ex-vereadores buzianos modificaram a Lei Orgânica Municipal (LOM) para permitir que o prefeito viajasse sem autorização do próprio legislativo. É uma forma de abdicação de poder: coisa rara! Na época, Granado estava bem na fita.

Por um triz!

ANDRE-GRANADO-3

Apesar de ter sido reprovada por cinco dos nove vereadores, as contas relativas a 2015, do governo André Granado (PMDB) acabaram sendo aprovadas pela câmara. Pode parecer estranho, mas como o parecer do TCE-RJ tinha sido pela aprovação, para derrubá-lo, só com seis votos.

Atribulações.

Entre tantas atribulações político-jurídicas e ainda subordinado a uma comissão processante, André Granado (PMDB) vai sobrevivendo do jeito que pode, aproveitando a frouxidão burocrática e política reinante no estado praticamente falido.

A aliança persiste?

Muita gente no município se pergunta até quando vai persistir a aliança política entre o grupo de André Granado (PMDB) e o vice-prefeito Henrique Gomes (PP). É óbvio que Henrique Gomes quer ser prefeito. Terá chances em uma eleição majoritária? Vai ter o apoio do grupo de André?

Opinando e influenciando.

MANOEL-EDUARDO-MARRECO

O ex-vereador Manoel Eduardo da Silva (PDT), uma das figuras simbólicas da política buziana, tem se revelado um dos maiores militantes nas redes sociais. Marreco, como é chamado carinhosamente pela população não deixa de opinar e influenciar os acontecimentos da cidade.

Susto

Toda vez que o ex-presidente da câmara federal, Eduardo Cunha (PMDB) sai da prisão para depor a apreensão e grande no meio político. Quem sabe se houver alguma anistia ou saída temporária para o Natal, Cunha pode vir novamente a Búzios para um churrasco?


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jun 15 2017

CULT 20 ANOS: MELHORES ENTREVISTAS. – Daysi Bregantini, Welington Andrade (Organização)

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DICAS_VERMELHO

ENTREVISTAS

CULT 20 ANOS: MELHORES ENTREVISTAS.

Daysi Bregantini, Welington Andrade (Organização)

Cultura, termo tão preciso quanto abstrato, refere-se a conceitos em diversas disciplinas intelectuais e em sistemas de pensamento distintos.

A cultura existe na vida coletiva e está relacionada à produção e à transmissão do conhecimento.

A comunicação – tornar comum, partilhar – ajuda a preservar e aprimorar a cultura, e essa é uma das contribuições do jornalismo cultural.

Criada em 1997, a revista Cult é a mais longeva revista de cultura do país e procura debater e refletir, em parceria com a pesquisa acadêmica, o conhecimento também como ação para a cidadania.

As entrevistas aqui reunidas foram selecionadas com muito cuidado entre as centenas que foram publicadas ao longo dessas duas décadas e permanecem atuais, esclarecedoras, vigorosas.


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jun 15 2017

PRAIA DO SIQUEIRA – Luid Borges dos Santos.

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PRAIADOSIQUEIRA


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jun 15 2017

O ÚLTIMO PRESIDENTE – Capítulo 4 – José Sette.

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O ULTIMO PRESIDENTE

Jose Sette (*)

CAPÍTULO 4

Rio de Janeiro/ Palácio Laranjeiras

No Palácio das Laranjeiras, na sala do rádio, o movimento é grande.

Locutor 2:

- Na impossibilidade de combater, frontalmente, as reformas de base sugeridas na mensagem presidencial, os golpistas procuram explorar os sentimentos religiosos de nosso povo, sob o falso pretexto do anticomunismo.

Arquivos

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A “Marcha com Deus e pela Liberdade” realizada em São Paulo – 1964.

Locutor 2 off:

- Os trabalhadores e todas as forças populares responderão, por todos os meios, a qualquer tentativa de golpe que vise a enfraquecer a autoridade do Presidente. Preparados e unidos, os trabalhadores barrarão o golpe e exigirão as reformas de base a partir de uma greve geral.

Rio de Janeiro/ Palácio das Laranjeiras

A tensão é grande por todos os ambientes do Palácio.

As pessoas se movimentam de um lado ao outro sem saber exatamente o que se deveria fazer. Em alguns momentos a confusão é total.
No gabinete o Presidente está com seu secretário.

Presidente:

- Eugênio, o que vamos fazer com essas centenas de pessoas amigas que passam apressadas pelos corredores, salas e gabinete, sem saber exatamente o que está acontecendo.

Na ante-sala do gabinete está o Almirante, nervoso, acompanhado de Deputado Marcelo.

Almirante:

- Tudo isso deputado, é uma balbúrdia sem sentido, provinda de um governo surrealista, no meio da qual o Presidente, investido de serena e austera dignidade pessoal, vive duas angústias crescentes: o receio de que se derrame o sangue do povo brasileiro em uma guerra civil e, o que é pior, o sentimento inaudito da traição democrática.

O Presidente recebe em seu gabinete a visita do Almirante.

Almirante:

- Senhor Presidente, o comício de 13 de março, resultante da sugestão feita pelo notório líder comunista, alarmou a opinião pública e teve funda repercussão nos meios militares. O Presidente precisa fazer uma opção imediata quanto ao apoio do seu Governo: as Forças Armadas ou os Sindicatos dominados pelos comunistas.

Presidente:

- Almirante, eu não posso tomar decisão sob pressão e contra os que sempre estiveram ao meu lado… Não sou comunista, sou brasileiro, e estes desagradáveis acontecimentos, você tem de compreender, são provocados pelos inimigos das reformas e do governo.

Almirante:

- Abra os olhos, Presidente! Os inimigos das reformas são os empreiteiros da desordem, que dominam seu partido; são os sindicalistas que a exigem a qualquer preço. São os autores intelectuais da intentona de Brasília e da recente rebelião de marinheiros e fuzileiros navais. Contra o seu governo está a facção sindicalista revolucionária que nos ameaça, através de hierarquias paralelas, visando o enfraquecimento do princípio da autoridade e, mediante greves parciais e sucessivas, pretende chegar à greve geral, equivalente à batalha de aniquilamento, com que conta tomar o poder político de vossas mãos… Abra os olhos, Presidente!

Entra o Chefe de a Casa Militar e o Ministro da Justiça.
O Almirante levanta-se e sai do gabinete do Presidente.
O Ministro que chegava, vendo o Almirante saindo, ainda na porta, diz em voz alta para que todos ali presentes pudessem ouvir:

Ministro:

- Presidente não dê ouvido aos inimigos do povo. O Governo está forte, como sempre, porque está ao lado do povo e o povo está com o Governo, como tem demonstrado nas mais diversas oportunidades…

O Ministro não entra no gabinete, segue para o microfone da rádio com passos firmes.
O Almirante ainda tenta parar para discutir com ele, mas é contido por seu auxiliar.
O Ministro pega o microfone do rádio e faz um pronunciamento.

Ministro:

- O Governo pode transigir, sem que isso signifique fraqueza, mas não recua quando está com o povo, porque as reformas propostas pelo Presidente encarnam o próprio desejo do povo brasileiro.

Um dos políticos que estavam em volta do Ministro diz em voz alta.

Político 3:

- É a revolução do rádio!

Político 4:

- Do rádio de pilha! Do radinho de pilha em que os brasileiros nos estão ouvindo por todos os rincões de nossa terra!

Cenários do Brasil.

O Rosto do povo brasileiro por todo o país.

Alguns soldados e marinheiros em frente aos seus quartéis ouvindo os seus rádios de pilha perto do ouvido. A Voz do Ministro nas ondas dos pequenos receptores transistorizados.

Ministro:

- Toda a Nação lamenta os acontecimentos que envolveram a Marinha de Guerra. O Ministro agiu com sabedoria ao anistiar os marinheiros, porque a hora é de desarmamento dos espíritos, e não de acirrar ódios estéreis em prejuízo da Pátria. Essa é uma página que já foi virada, e a nossa Marinha de Guerra começará agora a escrever outra página do seu glorioso destino…

Rio de Janeiro / Palácio das Laranjeiras.

O Ministro da Justiça entra agora no gabinete do Presidente dizendo em tom categórico:

Ministro:

- Foi o que eu disse Presidente! Recuso-me a aceitar como sublevação ou revolta dos marinheiros o episódio no Sindicato dos Metalúrgicos, porque ninguém faz a revolução desarmada…

Eugênio:

- Meu caro Ministro não se exaspere e deixe o Presidente atender ao telefone. O General Comandante do II Exército está na linha e eu tenho a certeza que em pouco tempo tudo estará esclarecido…

Argentina / Mercedes / Bar da Estrada

Camilo fica excitado enquanto conta para Luiza a sua história.

Camilo:

- Você sabia que depois do golpe muitas pessoas se mataram; que o Secretário do Presidente, por exemplo, se suicidou na embaixada do México

Luiza:

- O que sei é que o meu pai desapareceu com a minha mãe e ambos tinham um envolvimento pessoal com o presidente…

Camilo:

- O presidente morreu na cama de sua fazenda. Existem suspeitas de que ele tenha sido assassinado e não sofrido um enfarte…
Mas seu pai, como morreu? Ele esteve com o presidente no exílio?

Luiza:

- Não! Ele não chegou a sair do Brasil, nem ele, nem a minha mãe. Desapareceram no mesmo dia do golpe e antes que o acontecido se consumasse, me deixaram pequena com o meu avô. Ele e minha mãe estavam voltando para casa quando desapareceram… Foi o que meu avô me contou antes de morrer.

Camilo:

- Sinto muito! Mas se eles não estiveram aqui, não vejo sentido nesta sua viagem… Ao realizar um documentário, uma investigação, sobre quem matou o último Presidente, você pode chegar a resultados perigosos e desagradáveis. Você não vai achar seu pai aqui. Diga-me quem lhe encomendou esse trabalho?

Luiza:

- Ninguém me encomendou nada! Não tenho idéia de como ficará depois de terminado, nem sei se vou conseguir vendê-lo. Queria contar a história de um homem digno, vítima de uma série de traições. Não tenho medo da verdade e devo me habituar com a idéia do perigo. Depois de ver as imagens de ontem, dos aviões de passageiros, das torres caindo, me pergunto se alguém ainda acredita poder viver a salvo do perigo? Você vai me contar o que sabe?

Camilo:

- Vou lhe contar sobre o Presidente na sua última viagem, no dia anterior à sua morte, e assim dou por encerrada a minha participação neste documentário. Neste dia ele carregava uma mala cheia de dinheiro americano, dólares, muito dólares. Havia vendido uma enorme quantidade de lã e mais de 500 cabeças de gado… Tinha também uma grande quantidade de ações numa mala de couro…

Luiza:

- E você acha que sua morte tem alguma coisa a ver com o dinheiro? Um ladrão rouba uma fortuna de um ex-presidente latino-americano e depois o envenena? Não é uma explicação difícil de aceitar? Para quem, ou para que era o dinheiro?

Camilo:

- Talvez estivesse sendo vítima de uma extorsão… Talvez pensasse em comprar com ele a segurança. Ou a ilusão de segurança…

Luiza:

- Conte como foi.

Camilo:

- O que você sabe sobre os últimos momentos do Presidente e de seu governo? O que você sabe sobre o desaparecimento de seu pai?

Noite // Rio de Janeiro / Palácio das Laranjeiras.

Um telefone toca no gabinete da presidência.

O Secretário atende.

Eugênio:

- Deputado Marcelo é para você!

Marcelo atende ao telefone.
Do outro lado da linha está Elizabete, sua esposa.

Elizabete:

- Marcelo, eu estou preocupada com você, as notícias são as piores e não há a menor segurança para os que estão ao lado do Presidente, venha para o hotel, sua filha está assustada e não para de chorar…

Marcelo:

- Elizabete, não posso abandonar o barco, não sou um rato, tenha paciência e me espere que estarei ai com vocês, o mais cedo possível. Fica tranqüila que amanhã estará tudo resolvido e, por favor, não fique ouvindo o rádio, vá dormir.

Noite // Rio de Janeiro/ Palácio das Laranjeiras

No Palácio, Marcelo está olhando para um pedaço do céu estrelado. Refletindo diz antes de voltar ao gabinete do Presidente:

Marcelo:

- O tempo, este pintor de ruínas, prolonga-se noite a dentro…

O Ministro da Justiça está novamente com o microfone da rádio oficial na sua frente e inicia um novo pronunciamento.

O Ministro:

- Na manhã de hoje, parte da guarnição federal rebelou-se, inspirada no manifesto lançado pelo Governador do Estado de Minas contra a ordem constitucional e os poderes constituídos. Diante dessa situação, o Presidente da República recomendou ao Ministro da Guerra, que fossem imediatamente tomadas as providências necessárias para debelar a rebelião. O movimento reacionário, que se filia às mesmas tentativas anteriores de golpe de Estado, sempre repudiadas pelo sentimento democrático do povo e pelo espírito legalista das Forças Armadas, está condenado a igual malogro, esperando o Governo Federal poder comunicar oficialmente, dentro em pouco, o restabelecimento total da ordem no Estado e no país.

Noite – Rio de Janeiro – Hotel Serrador

Elizabete sentada na cama ouve no rádio o pronunciamento do Ministro.
A sua filha pequena chora.

O Ministro off (no rádio):

- Não pode merecer senão o mais veemente repúdio da Nação a atitude dos que procuram instaurar a desordem e ferir as instituições democráticas, no momento em que o Governo Federal, com apoio do povo e das Forças Armadas, se acha empenhado em encaminhar, pacificamente, através do Congresso Nacional, as reformas e medidas necessárias à recuperação econômica e social do País. A Nação pode permanecer tranquila. O povo brasileiro está com o Presidente e nada poderá detê-lo…

Rio de Janeiro/ Centro

Nas ruas e bares.
Todas as pessoas que neste momento ouviam parados e atentos o pronunciamento do Ministro da Justiça, passam a se movimentar com frenesi nas ruas.

Rio de Janeiro / Palácio das Laranjeiras e Palácio da Guanabara.

As pessoas estão paradas e atentas ao rádio pelas salas e gabinetes dos Palácios das Laranjeiras e da Guanabara.

O Ministro off:

- O Governo Federal manterá intangível a unidade nacional, a ordem constitucional e os princípios democráticos e cristãos em que ele se inspira, pois conta com a fidelidade das Forças Armadas e com o patriotismo do povo.

Rio de Janeiro / Palácio da Guanabara.

O ambiente está tenso no gabinete do governador, todos estão ouvindo no rádio o que está dizendo o Ministro inimigo. Os assessores armados andam de um lado para o outro, olhando sempre nas janelas preocupados com o que poderia estar acontecendo no lado de fora. O Governador, como que tomado de uma fúria incontrolável, levanta-se de sua grande mesa de despacho e caminha, armado com uma metralhadora, até uma mesa onde estava calado e atônito o locutor do rádio. Toma então o microfone de sua mão diz:

Governador do Rio Carlos Lacerda:

- Daqui do Palácio Guanabara, do Palácio que é uma cidadela de resistência e uma promessa de cumprimento do dever, volto a lhes falar com emoção de quem ainda vibra pela lição imorredoura de bravura, de lealdade e de fidelidade do povo de Minas, da mulher mineira, do trabalhador de Minas, de todos os mineiros, pela liberdade do Brasil.
A notícia que temos de quase todas as partes do Brasil são animadoras e são às vezes até excelentes. Ao contrário do que estão propalando as emissoras ainda
ocupadas por grupos desesperados de comunistas.
No Rio de Janeiro, a situação está cada hora melhor. Neste momento mesmo, o Ministro da Justiça limita as suas habituais calúnias à escarradeira em que está transformada a Rádio Mayrink Veiga, comprada com o dinheiro da Petrobrás para o deputado, que é parente do Presidente e para os oportunistas que o acompanham. Ali dominam os comunistas. Ali dentro estão homens desesperados, dispostos a tudo…

Interferência no ar…
As luzes se apagam…

Rio de Janeiro/ Consulado Americano.

No gabinete do embaixador o rádio está ligado., ouve-se ao fundo a voz do Ministro da Justiça. O embaixador está no seu gabinete com um agente, entra um soldado, entra logo depois um General, em seguida o cubano, o mesmo turista que encontrou-se com o deputado Marcelo no elevador do hotel, só que agora vestido de maneira diferente, camuflado, com características de um espião.

Embaixador :

- Is everything set, Camilo? These documents are for the Secretary of State, and the other officials listed in the diplomatic mail… You can go now, and tell my secretary that I don’t wont to be disturbed.

O Embaixador retorna a sua conversa com um general do exército que já está sentado na cadeira mais confortável daquela sala.

Embaixador (fala português com sotaque):

- General, já tomei todas as providências… o apoio de Washington é total… O senhor está salvando o seu país do perigo e da influência de cuba e da União Soviética. Após a minha volta ao Rio, examinei minuciosamente a situação local e com o auxílio de outras importantes figuras civis e militares daqui…

General 1:

- E quais são as suas conclusões?

Embaixador:

- Minha conclusão, é que o presidente, se acha agora definitivamente envolto numa campanha para conseguir poderes ditatoriais, aceitando para isso a colaboração ativa do Partido Comunista e de outros revolucionários da esquerda radical.

General 1:

- Senhor Embaixador, o movimento que apoia o Presidente, incluindo seus aliados comunistas, representa uma pequena minoria – não mais do que 15% a 20% do povo ou do Congresso!
-
Embaixador:
- Contudo, o Presidente assumiu sistematicamente o controle de muitos pontos estratégicos, destacando-se a Petrobrás, que sob o decreto de 13 de março está agora encampando as cinco refinarias de petróleo particulares que ainda não se achavam sob o seu controle e pelas quais temos os maiores interesses. Já distribuímos aos donos da imprensa nacional as verbas da campanha difamatória…

General 1:

- A esquerda tem procurado se infiltrar nas Forças Armadas, isto é verdade, através de organizações de sargentos e suboficiais, tendo alcançado resultados significativos especialmente na Aeronáutica e Marinha.

Embaixador:

- E não é esse o desejo do exército e tenho certeza que o General é um homem sensato…

General 1:

- Vamos imaginar que o Presidente renuncie sob pressão de uma sólida oposição da imprensa, dos militares, da opinião pública, fugindo do País ou liderando um movimento revolucionário “populista” que se instale através do cone sul provocando uma sangrenta guerra.

Embaixador:

- Estamos atentos e preparados para qualquer eventualidade!

General 1:

- Às possibilidades incluem claramente a guerrilha, com alguma divisão dentro das Forças Armadas, agravadas pelo grande número de armas em mãos de civis dos dois lados. Precisaremos dos reforços prometidos, onde estão os navios de guerra Senhor Embaixador?

Embaixador:

- A operação segue no seu tempo certo, Senhor General.

Rio de Janeiro / Palácio das Laranjeiras.

Outro General entra no gabinete para um encontro com o presidente.
Na ante-sala estão presentes o Ministro da Justiça, o deputado Marcelo, o secretário Eugênio e um Deputado carioca, com a sua capa preta, mostrando a sua metralhadora.
No Gabinete do Presidente, o General o aconselha falando perto do seu ouvido:

General 3:

- Presidente o senhor deverá sair já deste Palácio! Não temos como garantir aqui, encurralados, sua segurança pessoal. Devemos dirigir e comandar a resistência de um local mais garantido, mais aberto…

Na ante-sala, todos esperam a saída do General.
Abre-se a porta do gabinete.
Sai cabisbaixo, derrotado o General.
Silêncio.
O deputado carioca se exalta e movimentando-se de um lado ao outro do salão, enlouquecido inicia aos gritos uma reflexão sobre estratégia militar, falando para todos que estavam ali presentes.

Deputado 5:

- Meus amigos! Nós não vamos nos dispersar! Não há lugar mais seguro do que esta cidadela! O Palácio é uma verdadeira fortaleza dominando a colina, acessível apenas por um dos flancos e através de uma estreita garganta inexpugnável. Não há lugar mais seguro do que este! O Palácio está protegido por leais soldados, aqui não temos traidores!

O Deputado, saindo da sala e indo para o salão nobre onde estão os outros deputados, senadores, ministros, oficiais do exército, lideres sindicais, estudantes, políticos de todas as espécies e alguns soldados, movimentando-se sem parar, como se estivessem numa praça de guerra, começa a dar as suas ordens.

Deputado 5:

- Sargento, coloque os seus comandados em vigília permanente, espalhe ninhos de metralhadoras nas portas do palácio, ninguém mais entra no parque sem antes passar por uma rigorosa revista. Estamos de prontidão. Se necessário for convocaremos no mínimo 500 mil homens da nossa região, homens destemidos do Estado do Rio e da Baixada Fluminense e lutaremos até a morte contra estes reacionários que querem rasgar a nossa bandeira…

Um outro estrategista improvisado grita lá do fundo:

Político 4:

- Vamos providenciar a mobilização das camionetas do governo para transportar as tropas populares do deputado da capa preta.

Um Líder Sindical, que assistia ao lado do General a encenação militar do deputado, já cansado, tira os sapatos e estica-se em duas poltronas Luís XV do Salão Nobre. Vira-se para o General e diz em tom de brincadeira:

Líder:

- Desculpe-me General, mas é o descanso merecido do guerreiro fatigado. Estamos esperando a ordem do presidente para levantarmos os trabalhadores e pararmos o país. Ah! General, naqueles quatro dias do Sindicato dos Metalúrgicos, aprendi mais sobre a tática da guerra do que o senhor e todos os seus colegas em todos os anos em que estiveram na Escola Militar.

O General dá um sorriso amarelo e um tapinha amigável no ombro do líder sindical como se concordasse com ele.

O Deputado Marcelo entra no Gabinete do Presidente.

Presidente:

- Deputado, o senhor que é de Minas, me diz porque o Governador mineiro, que sempre se mostrou nosso companheiro, trai de maneira vergonhosa a nossa amizade e a confiança nele depositada por nós.

Marcelo:

- Ele antes de ser governador era um homem de negócios, um banqueiro, ligado aos maiores interesses financeiros de Minas, do país e principalmente do exterior. Presidente! O Brasil é uma terra de banqueiros e Minas é o seu estado maior.

Presidente:

- Estou muito mal cercado… E digo que aqui dentro temos uns oportunistas, alguns espiões e muitos informantes, não é possível conviver com tamanha traição deputado!

O telefone toca…

Presidente:

- Alo! Alo! Sim, é ele, deixa-me falar com o General…

O Presidente tapa o telefone com a mão e diz para o deputado…

Presidente:

- É o II Exército!… Não saia, fique, preciso de uma testemunha…

Argentina / Mercedes

A estrada está bastante movimentada.
Um vento frio sopra do sul. Camilo e Luiza passeiam de carro por Mercedes.
Imagens da Cidade.

Luiza:

- Meu pai tinha pelo Presidente um misto de respeito e admiração. Ele havia, durante a campanha eleitoral, levado o então candidato a vice-presidente à sua cidade natal, em Minas, para um grande comício. No dia seguinte, apresentou a ele um padre, dito milagreiro, que vaticinou, um ano antes do fato, a renúncia do presidente eleito e a sua posse conturbada no meio de uma grande agitação política. O Presidente ficou impressionado e agradecido. Tratava o meu pai com grande carinho e amizade.

Camilo:

- De quem ouviu estas histórias? Quem foi que criou você depois que seus pais desapareceram?

Luiza:

- Fui criada pelo meu avô materno, tinha apenas um ano de vida. Meu avô era um médico rico que gostava de pintar e fazer esculturas de barro, coisas que acontecem nas montanhas de Minas. Odiava a política e o modo civilizado dos homens. Abandonou a cidade e a profissão, vivia solitário nas montanhas.

Camilo:

- E você, aprendeu todas essas histórias com ele?

Luiza:

- Não! Aprendi por conta própria! Não se contam as histórias recentes do país nas escolas. Faz algum tempo, lendo algumas anotações deixadas pelo meu pai descobri que além de político ele era um grande escritor. Tenho como herança dele caixas e caixas de papéis com escritos, poesias, novelas, memórias, um romance inacabado, estudos guardados, documentos, objetos e muitas outras pequenas coisas que nada significam… Ele também era músico. Acho que foi uma pessoa muito sensível…

Camilo:

- Eu tenho que sair, está ficando tarde. Diga, antes de nos despedirmos: O que você pretende fazer agora?

Luiza:

- Preciso saber detalhes, do que aconteceu com o Presidente, você não pode me deixar agora. Preciso um pouco mais de informações para, conhecendo a verdadeira história, escrever o final do meu livro e homenagear o meu pai, finalizar o meu documentário, e talvez terminar o romance que ele estava escrevendo.

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(*) Cineasta e autor de “Último Presidente”.


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jun 15 2017

TAZ MUREB

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TAZ


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jun 15 2017

ARRAIÁ + FEIRA DE ADOÇÃO

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jun 15 2017

JORNAL DO TOTONHO

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jun 14 2017

EDITORIAL – É MUITA AUDÁCIA!

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EDITORIAL_VERMELHO

O governo de Marquinhos Mendes (PMDB), com o auxílio da calorosa e sempre colaboradora “mídia amiga”, iniciou grande campanha publicitária no sentido de emparedar os movimentos dos servidores que reivindicam o “absurdo” de receberem os atrasados a que tem direito e os salários em dia.

A visão do prefeito é a mais retrógrada possível, porque quer demonstrar para a sociedade que ele não deve nada e que a dívida é do antecessor. Ridículo! A dívida não é de A, B ou C, mas da prefeitura e que tem que ser paga, independente da figura que está com o traseiro sentado confortavelmente na poltrona do prefeito.

Esquece convenientemente o nobre prefeito, que ele e o antecessor sempre foram aliados políticos e governaram o município durante os últimos vinte anos, portanto, mesmo se a dívida fosse de caráter pessoal, seria deles mesmos. É preciso mudar o discurso, este envelheceu junto com o prefeito e não tem mais o respaldo da população.

Péssimos administradores que torraram bilhões e bilhões de reais, sem conseguir fazer uma obra sequer de infraestrutura, que mudasse o perfil sócio-econômico de Cabo Frio.

E ainda querem que o servidor pague a conta.

É muita audácia!

 


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jun 14 2017

FORA TEMER!

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jun 14 2017

TIA ZUZU DE OLHO NA FAZENDA CAMPOS NOVOS.

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ZUZU

Triste realidade!

Não é surpresa para ninguém que os índices de violência estejam cada vez mais altos em Cabo Frio. Basta viver aqui para perceber que o município tem áreas inteiramente dominadas pela bandidagem onde o poder público não entra. É uma triste realidade! Negar é que é muito ruim, porque alimenta a inércia.

Cidade sitiada.

A cada dia se apequenam, estreitam as áreas onde os cidadãos podem andar livremente. Exemplo? Quem vai a Búzios para algum evento a noite deve por lá dormir. Voltar à noite pela Estrada do Guriri ou mesmo pelo Jardim Esperança é uma temeridade. Em outras áreas a sensação de insegurança é a mesma. Será que alguém acredita de verdade que a solução é mais PM na rua?

Livro didático

Professores e alunos do Curso de História da Universidade Estácio de Sá estão começando a produção, em parceria com a Editora Sophia, leia-se Rodrigo Cabral, um livro didático. O professor Paulo Cotias, coordenador do curso de História da Estácio, está empenhado no projeto e diz que o livro estará disponível para aquisição nas redes privada e pública de educação.

Marquinhos, o mesmo desgaste de Alair.

As promessas não cumpridas e os atrasos no pagamento dos salários dos funcionários públicos municipais aumentam geometricamente o desgaste do prefeito Marquinhos Mendes (PMDB). O prefeito segue a mesma trilha do seu “mestre” Alair Corrêa (PP) e se não se aprumar rapidamente corre o risco de cair no mesmo desgaste do velho morubixaba.

Em maus lençóis!

O prefeito tenta enganar, mas Cabo Frio não é uma cidade tão grande capaz de esconder fatos visíveis como o aumento considerável da arrecadação e a continuação das contratações por parte do governo. O governo nega através da “mídia amiga” e no dia seguinte a população na rua e nas redes sociais desmente o desmentido, deixando o prefeito em “maus lençóis”.

Farsa & Palhaços.

Inegável e até dramático o esforço que Alair e Marquinhos fazem para manter a farsa de governo X oposição entre os dois. Ambos têm um imenso medo dos coadjuvantes se transformarem em protagonistas e a “figuração” perceber que está sendo feita de palhaça há bastante tempo.

Espaço Darwin – 1.

FAZENDA

Há muito se fala na criação do Espaço Darwin na Fazenda Campos Novos, no 2º Distrito de Tamoios, como uma parceria entre a prefeitura, o Iphan e a UFRJ. Para que o espaço possa funcionar perfeitamente é fundamental a restauração do prédio sede da histórica fazenda. Assim, não haveria necessidade de instalação de nenhuma tenda como anunciou a secretaria municipal de turismo.

Espaço Darwin – 2.

darwin_charles

Darwin merece uma casa restaurada e não uma tenda.

A Fazenda Campos Novos, alvo de inúmeros conflitos de terra, foi desapropriada pelo prefeito José Bonifácio (PDT). A sede sofreu pequena reforma e depois foi praticamente abandonada pelos prefeitos, que vieram a seguir: Alair e Marquinhos. No momento, a sede está quase desmoronando. Que tal restaurar para que o Espaço Darwin possa ter um local digno desse nome.

Sempre há esperança.

A prefeitura de Cabo Frio pretende que o local, com tenda e tudo possa ser inaugurado na Semana Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação lá no mês de outubro. A esperança é que em meio a toda essa necessidade de marketing favorável alguém se lembre em restaurar a sede, o cemitério e a Igreja.

O MART é um show!

CONVENTO

O Museu de Arte Religiosa e Tradicional (MART) continua dando um show de produção e criatividade, na área cultural. Mostra que mesmo sem dinheiro, em plena crise, quando os investimentos são escassos, é possível produzir muita coisa boa. O MART, para quem ainda não sabe, fica no Convento de Nossa Senhora dos Anjos, no Largo de Santo Antônio, em Cabo Frio.


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jun 14 2017

JANIO: ASFALTO PARA A REGIÃO DOS LAGOS.

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REPAVIMENTACAO-2

O deputado Janio Mendes (PDT) continua sua peregrinação pelos municípios da Região dos Lagos, acima de partidos políticos, contribuindo com as diversas operações “tapa buracos” das prefeituras. O vereador tem feito “caminho fundo” junto aos diferentes órgãos estaduais para conseguir, em meio a grave crise, alguns benefícios para a região. As fotos acima são do município de São Pedro da Aldeia.


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jun 14 2017

1ª MOSTRA QUINTAL DE TEATRO.

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jun 14 2017

CADERNO DE BÚZIOS

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BBB

Que “point”!

Tem um restaurante, que se tornou o point predileto dos secretários, assessores e prestadores de serviços do município. Razões? Os pratos típicos locais e a excelente limpeza. O proprietário faz questão de varrer, limpar e lavar, diariamente, o local.

Sem protestos!

Na inauguração de pavimentação de uma rua, o vice governador Dornelles disse: “O governador Pezão é um homem maravilhoso, não faz mal a ninguém”. O engraçado é que nenhum funcionário estadual aposentado, que ainda não recebeu o 13º salário de 2016, abriu e maio de 2017, protestou.

Discutindo a relação?

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Segundo um influente assessor do prefeito, a presença do vice-governador Francisco Dornelles (PP) na inauguração acalmou e amenizou os ânimos entre André Granado (PMDB) e Henrique Gomes (PP). A presença do “padrinho” pode ter dado origem a uma “DR” entre os protagonistas da história.

Abraço de afogado.

MIGUEL-PEREIRA-2

O vereador Miguel Pereira, também do PMDB, sofre pesado desgaste, em Cem Braças, onde mora, por ter recorrido ao poder judiciário para a volta de André Granado à prefeitura. Moradores de Cem Braças, nada satisfeitos, comentam que o vereador abraçou o afogado.

Cavalo de Tróia.

A bancada governista na câmara, como um todo, sofre muitas restrições pelo apoio que dá a um prefeito, que perde acentuadamente apoio político. O governo de André Granado representa um “Cavalo de Tróia” para a genuína sociedade buziana.

Rejeição!

Qualquer pesquisa feita com seriedade mostra que a insatisfação da população com o governo de André Granado (PMDB) é imensa. Nenhum setor, entretanto, é mais rejeitado pela população, que o “trabalho” realizado pela prefeitura na área de saúde.

Fuga de investimentos.

Muitos empresários temem que as constantes notícias ruins sobre a cidade, em particular a administração pública municipal, provoque a fuga de investidores na área do turismo. Juntar poluição, violência e governo André Granado, o resultado é um só: catástrofe!

Cunha: o fantasma da delação!

Charge-do-Cunha

O fantasma de uma possível delação premiada do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) continua assustando certos políticos da Região dos Lagos, com mandato ou não. O que aconteceria aqui em Búzios? Corre-corre!!!


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jun 14 2017

“A VIDA DE LIMA BARRETO” – Francisco de Assis Barbosa.

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DICAS_VERMELHO

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A vida de Lima Barreto

(1881-1922)

Francisco de Assis Barbosa

Publicada pela primeira vez em 1952, A vida de Lima Barreto, de Francisco de Assis Barbosa, não perde a atualidade e a importância. Além de oferecer o que se espera de uma biografia, o relato completo da vida do homenageado, tendo como pano de fundo a história da cidade em que viveu, é extremamente bem escrito. Na linguagem clara e despretensiosa de uma reportagem de jornal, consegue dosar a quantidade espantosa de informação disponível com uma narrativa direta, agradável, escreve, na orelha, Rachel Valença, considerada uma das grandes estudiosas do autor no país. No ano de sua primeira edição, além de conquistar o prestigioso Prêmio Fábio Prado, o livro teve um importante papel: resgatou e pôs luz na obra de Lima Barreto, injustamente esquecido desde sua morte, em 1922. Segundo Sérgio Buarque de Holanda, o volume reúne as virtudes de uma genuína biografia literária às de uma reportagem perfeita e em grande estilo. É o que se pode chamar de clássico, e não pode faltar nas nossas estantes e nas bibliotecas do Brasil.

 


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jun 14 2017

CÉU NOSSO DE CADA DIA – Sérgio Quissak.

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FOTOS_VERMELHO

CEU-NOSSO-DE-CADA-DIA


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jun 14 2017

O ÚLTIMO PRESIDENTE – Capitulo 3 – José Sette.

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JANGO-5

O ULTIMO PRESIDENTE

Jose Sette (*)

TANQUE

CAPÍTULO 3

Rio de Janeiro – Palácio das Laranjeiras – 1964

Em uma das salas do Palácio das Laranjeiras, uma equipe de quatro técnicos monta um estúdio móvel de rádio. Comandando o trabalho está o jovem deputado Marcelo.

Rio de Janeiro /Hotel Serrador

No Hotel, no centro da cidade, em um apartamento de onde se observava pela janela a magnífica vista da baía da Guanabara, está Marcelo contemplando a paisagem no fim do dia.

Rio de Janeiro/ Hotel Serrador

Marcelo saindo da janela, diz aos outros políticos que se amontoam no apartamento desarrumado:

Marcelo:

- A procissão já está na rua…

Os outros políticos presentes emitem suas opiniões:

Deputado 1:

- Precisamos ir para o Palácio defender o Presidente.

Deputado 2:

- O Deputado Marcelo, como um bom mineiro, já nos representa…

Deputado 3:

- Vocês estão brincando com fogo… Companheiros! Vamos então comprar um aparelho de rádio para que possamos estar sintonizados aos acontecimentos que no meu entender são graves.

Deputado 2:

- Um não! Vários aparelhos de rádios! Todos com sintonia de ondas curtas, para que possamos ouvir, simultaneamente, todas as estações deste país.

Deputado 3:

- É preciso criar uma resistência democrática, civil, e também militar, e impedir que se rasgue a constituição brasileira.

Deputado 2:

- E depois, poderíamos jantar consciente do dever cumprido no Night and Day aqui em baixo?

Risos contidos no quarto do Hotel.

Marcelo:

- Não creio que os militares darão o golpe sem antes tentar passar ao governo uma série de reivindicações, de avanços e recuos nas reformas propostas. O Presidente vai aceitá-las e tudo voltará à normalidade. O País precisa do progresso social e não do atraso político, das greves e movimentos golpistas em que se meteu.

Rio de janeiro / Palácio Guanabara

O locutor, em tom de suspense, no noticiário da estação de rádio do Palácio do Governador do Rio registra os últimos acontecimentos do dia.

MURICY

Comandante da 7ª Região Militar, Antônio Carlos Muricy (ao centro), na marcha de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro. 31 março 1964.

Locutor 1 off:

- E atenção senhores ouvintes, vamos as últimas notícias destes 31 de março de 1964: Os Generais do exército sitiado em Minas Gerais, com o apoio e a liderança civil do Governador de Minas e de São Paulo, preparam as suas tropas e iniciam a marcha dos soldados em direção ao Rio de Janeiro, para debelar a resistência sitiada no Palácio das Laranjeiras, a última cidadela comunista. O confronto é inevitável…

Pela janela do Palácio aparece o rosto do locutor.

Locutor:

- E atenção! Estamos no telefone com o nosso deputado federal…
Alo! Alo! Deputado! Como o senhor está vendo a situação nacional?…

Rio de Janeiro/ Apartamento na Av. Atlântica.

Deputado 4:

- A Revolução está vitoriosa! O Presidente comunista domina por enquanto ainda a cidade do Rio. Mas os mineiros, as tropas do exército revolucionário de Minas, estão em marcha…

Locutor 1 off:

- Deputado! E se tudo der errado?

O Deputado 4:

- Eu, que estou em casa, espero ser preso e fuzilado.

Rio de Janeiro /Palácio Laranjeiras

O Locutor da rádio que fica no Palácio das Laranjeiras, com um fone no ouvido, acabara de ouvir a rádio do adversário e retruca no ar com um comentário exaltado:

LACERDA-1

Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara.

Locutor 2:

- Acabo de ouvir as palavras do deputado mais reacionário e mentiroso da história, que quer por todos os meios, ele e o seu governador golpista, impedir, eliminar, destruir as reformas de base e o governo que tira o país do atoleiro onde esses senhores nadam de braçadas. Não existe nenhum movimento em marcha. Não há nenhuma informação sobre as tropas vindas de Minas Gerais. O exército e os comandantes das forças armadas estão ao lado do Presidente, da constituição e do povo brasileiro.

Movimento na estrada das tropas mineiras em direção do Rio de Janeiro

Argentina/ Mercedes / Bar da Estrada

No bar da estrada.

Luiza e Camilo conversam.

Camilo:

- Diga-me, o que o seu pai fazia quando os militares deram o golpe e instituíram a ditadura no seu país. Eu estive algumas vezes na sua terra e sei de muitos casos de desaparecidos… Você veio até Mercedes para procurar o seu pai, por quê? Ele desapareceu na Argentina? Você não está indo longe demais?

OPERACAO-CONDOR

Luiza:

- Porque você quer saber do meu pai? Eu estou aqui tentando entender apenas o que aconteceu com meu país, e se o seu último presidente trabalhista foi ou não assassinado. Você sabe! Pura curiosidade de jornalista. Na verdade estou terminando um documentário sobre o Presidente… Acho que, realizando esse documentário, passarei a compreender muitas das coisas que aconteceram na época.

Camilo:

- Você ainda é muito jovem, mas na certa já ouviu falar da “Operação Condor”?
Nunca ouviu falar de uma rede político – policial que caçava e eliminava inimigos políticos das ditaduras latino-americanas? Que, ainda hoje, elimina pessoas que não interessam mais ao sistema. Você sabe! Pessoas que criam constrangimentos aos interesses financeiros de poderosos capitalistas que dominam o mundo.

Luiza:

- Sim! Não sei não… E você acredita que a morte do presidente foi parte dessa operação?

Camilo:

- Creio que sim! E ela ainda está viva, muito viva. Agora chegou o momento da queima de muitos arquivos. Você acha que esta explosão de dois aviões naqueles prédios de Nova Iorque não foi uma grande queima de arquivo… Você já pensou nisso? Há alguns casos que estão sendo investigados, alguns já foram provados e isto deixa muita gente nervosa!

Luiza:

- Então você acha que o Presidente foi assassinado?

Camilo:

- Conhecendo o caso do Presidente, descobre-se toda a Operação…
Quantos morreram antes e quantos ainda vão morrer? A história, a cada dia que passa, é mais nítida. Fica cada vez mais difícil esconder os fatos.

Luiza:

- O importante não é só conhecer os fatos. É necessário expô-los! Não espero colocar ninguém na cadeia, nem no paredon… Mas quero descobrir e mostrar a verdade ao maior número de pessoas que eu possa atingir com esse filme.

Camilo:

- E você pretende achar, aqui comigo, alguma coisa sobre o desaparecimento do seu pai também?

Luiza se assusta.

Camilo:

- Não fique assustada, também tenho os meus informantes? Você não quer a verdade? … Mas me diga Luiza! Como aqui nesta terra estrangeira você pretende relacionar o destino do seu pai com a morte do presidente? Os dois se conheciam? Você não está brincando com alguma coisa muito pessoal e muito perigosa?

Minas Gerais / Belo Horizonte.

Binômio o pequeno jornal socialista de BH.

Redação do Jornal.

O General 2 retorna ao jornal onde havia sido agredido comandando os seus soldados e com destemida violência empastela a redação que já estava vazia. Gritava e pronunciava obsessivamente os piores nomes procurando pelo dono do periódico que o havia atingido com um murro no rosto, dizendo que ia matá-lo, trucidá-lo, aniquilá-lo juntamente com sua família. Filmes de arquivo da repressão policial militar contra estudantes e populares.

Rio de Janeiro / Palácio Laranjeiras / Estúdio de Rádio

O Locutor está no microfone da rádio improvisada.

Locutor 2:

- O Presidente está aqui, neste prédio público, neste Palácio das Laranjeiras, protegido por leais soldados que bravamente repelem a tentativa de golpe. O Presidente sabe que todo o país está ao seu lado e que aqui presente, o povo está sendo representado por seus deputados, senador, lideres sindicais, estudantes, trabalhadores, Ministros e jornalistas, vereadores e prefeitos…
Todo o Brasil está do seu lado Presidente!
Ouçam agora a voz do povo da Bahia, representada pelo seu governador…
A voz vem acompanhada por fortes chiados de gravação:

Voz off:

- Presidente esmague a reação! De as ordens que bem entender, que a Bahia lhe responderá – Presente!

Rio de Janeiro / Hotel Serrador

Vários rádios espalhados no quarto do hotel.

Locutor 2 off (voz no rádio):

- Os revoltosos de Minas não passarão o rio Paraibuna que é caudatário das muitas histórias que honraram o solo mineiro… E atenção ouvintes! Vai falar o grande líder do sindicato dos tecelões no microfone da legalidade para todo o Brasil…

Um deputado ouvia atento o rádio.

Líder (a voz no rádio):

- Vamos parar o país! Estamos com o presidente e as reformas! Eu disse: Vamos parar o país!… Estamos todos aqui ao lado do nosso presidente esperando suas ordens… Presidente de as ordens que paramos o país!

O Deputado escandalizado se afasta do rádio para fazer aos outros companheiros de quarto, o seu comentário sarcástico.

Deputado 2:

- O grande líder dos tecelões? Mas, por todos os diabos, quem é esse sujeito e que merda de sindicato é esse? Se esse sujeito é quem vai parar o país, nós temos urgência de acharmos um muro de uma embaixada e devemos pedir asilo político imediatamente.

O Hotel está lotado de políticos vindos de todo o Brasil.
Por seus corredores transitam e se misturam entre os serviçais e hóspedes, espiões, jornalistas, turistas estrangeiros, marinheiros revoltosos, sargentos e outras pessoas fardadas, líderes estudantis e algumas pessoas elegantes.
No apartamento dos deputados governistas os rádios estão ligados.
Cada rádio é comandado por um deputado.
Todos tentam sintonizar as principais rádios espalhadas pelas capitais dos principais estados em busca de notícias e pronunciamentos políticos que pudessem definir a verdadeira situação em que se encontrava a república.
Com uma taça de champanha na mão o senador (2), um homem velho, que a pouco estava se agarrando com uma mulher no corredor, entra no apartamento e representa entre o cômico e o trágico o personagem do Presidente para o atônito Marcelo. Os outros não lhe davam atenção.

O Senador 2:

- “Vamos brindar ao imponderável”… Foi também com uma taça de champanha na mão que o nosso presidente nos dava a notícia da sua posse… Mal sabíamos nós que o golpe já estava em marcha. Tenho informações de que se chegou a cogitar numa operação militar para derrubar o avião que trazia o Presidente para o país. Empossado, o golpe só foi adiado por um pouco mais de tempo e hoje vivemos o primeiro dia do obscurantismo e da prepotência político–militar que estamos condenados.

Marcelo:

- Não seja tão pessimista Senador, tenho certeza que o Presidente tem o apoio das Forças Armadas e nunca se esqueça que o povo e os trabalhadores deste país estão do nosso lado…

Marcelo sai do apartamento, caminha pelos corredores do hotel e antes de entrar no elevador observa a aproximação de dois rapazes fortes vestidos de camisas brancas de mangas curtas e gravatas, e uma identificação de voluntários do programa Aliança para o Progresso presa no peito.
Um moreno e outro louro, os dois com pinta de turistas ou de marinheiros estrangeiros.
Os dois apressados entram com Marcelo no elevador do hotel.
Trocam algumas palavras em inglês e olham muito para Marcelo.
Um sorriso animalesco tinha o rapaz mais forte que respondia pelo nome de Camilo.

Camilo envelhecido na Argentina conversando com Luiza.

Camilo:

- O cabo Anselmo, o estopim armado pelos inimigos do Presidente, é um agente da operação tão bem preparado que enganava até os mais íntimos na sua farsa política.

Rio de Janeiro /Sindicato dos Metalúrgicos.

Reunião dos Marinheiros.
O Presidente está presente.
Discurso do Cabo Anselmo:

CABOANSELMO

Cabo Anselmo:

- Aceite, Senhor Presidente, a saudação dos marinheiros e fuzileiros navais do Brasil, que são filhos e irmãos dos operários, dos camponeses, dos estudantes, das donas de casa, dos intelectuais e dos oficiais progressistas das nossas Forças Armadas; aceite, Senhor Presidente, a saudação daqueles que juraram defender a Pátria, e a defenderão se preciso for com o próprio sangue dos inimigos do povo. Quem, neste País, tenta subverter a ordem são os aliados das forças ocultas, que levaram um Presidente ao suicídio, outro à renúncia, e tentaram impedir a posse do atual, impedindo a realização das reformas de base tão necessárias ao país. Eis por que, do alto desta tribuna, afirmamos à Nação que apoiamos a luta do Presidente da República em favor das reformas. Aplaudimos com veemência a Mensagem Presidencial enviada ao Congresso de nossa Pátria. Clamamos aos deputados e senadores que ouçam o clamor do povo, exigindo as reformas e ainda esperamos que o Congresso Nacional não fique alheio aos anseios populares. Iniciamos esta luta sem ilusões. Sabemos que muitos tombarão para que cada camponês tenha direito ao seu pedaço de terra, para que se construam escolas, onde os nossos filhos possam aprender, para que o nosso povo encontre trabalho digno, tendo fim a horda de famintos que morrem dia a dia sem ter onde trabalhar, onde morar e nem o que comer. E, sobretudo, para que a nossa bandeira possa cobrir uma terra livre onde impere a paz, a igualdade e a justiça social.

Rio de Janeiro / Palácio Laranjeiras

Filmes de arquivo do esquema bélico de proteção do Presidente.
Detalhes dos soldados que fazem parte das tropas militares que protegem o Presidente, ocupando a garganta de acesso ao Palácio e o parque interno por um grande aparato bélico.
Uma Mercedes-Benz fura o bloqueio das tropas com um senhor com a cabeça e a mão para fora do carro mostrando sua carteira de senador aos militares.
Ao seu lado, a pé, caminha o jovem deputado Marcelo em direção ao Palácio.

Rio de janeiro / Palácio das Laranjeiras

O Senador chega no palácio, ao mesmo tempo chega o deputado, ambos sobem as escadas que leva à ante-sala do gabinete presidencial.

Marcelo:

- Senador, o partido das oligarquias veio enfim prestar solidariedade aos trabalhistas?

Senador 3:

- Não, meu filho! O amigo, não o partido, vem estender a mão ao seu Presidente..

Chegam à ante-sala onde o secretário Eugênio acompanha o senador até o gabinete do Presidente. O secretário retorna e em seguida vai ao encontro de Marcelo.

Eugênio:

- Êta Senadorzinho oportunista! Só veio até aqui para pedir a assinatura do Presidente em processos administrativo de seu interesse… Mas você sabe como é o Presidente, acredita em todos e para todos quer governar…

Marcelo então entra no gabinete do Presidente.

No mesmo momento sai o Senador insatisfeito e raivoso.
Lá dentro, ao lado do Presidente, está outra pessoa, outro Senador, o mesmo que estava no hotel Serrador e que insiste em dizer para o presidente.

Senador 2:

- Presidente! Entregue-me o Ministério da Justiça para que eu mande justiçar os gorilas sediciosos…

O Presidente sorrir com a bravata do Senador e aproximando-se de Marcelo, que timidamente se apresenta, lhe dá um abraço.

Rio de Janeiro/ Palácio das Laranjeiras

Nos transmissores de rádio instalados na sala do Palácio, o locutor lê uma nota dos trabalhadores e muitos que ali estavam se aproximam para ouvi-la. Quando se fala nos microfones da rádio, os que estão ali presentes formam com o locutor uma espécie de programa de auditório para ouvir e participar do noticiário da rádio legalista. O Locutor senta-se na cadeira, pega um papel amassado, faz uma sonoplastia, aproxima-se do microfone e lê a última nota em tom solene:

Locutor 2:

- E atenção! Senhores ouvintes! Vou agora ler a nota escrita pela CGT: – As forças reacionárias, inconformadas com o avanço democrático do nosso povo e com os recentes decretos patrióticos do Presidente da República, articulam-se, pública e notoriamente, visando à sua deposição para anular aquelas conquistas e impor ao nosso povo restrições às liberdades democráticas e sindicais.

No gabinete o Presidente está ouvindo no rádio com seus auxiliares a nota do CGT.

Rio de Janeiro

Nas ruas e bares da cidade em 1964.
Cenas dos populares ouvindo o rádio.

JOSE-SETTE-6

(*) Cineasta e autor do “Último Presidente”.

 


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